NEGLIGÊNCIA NA ÁREA DA SAÚDE: DESAFIOS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL E PROTEÇÃO DOS DIREITOS DO PACIENTE  
1CRISTIANE RIBAS DE SOUSA ORADOR CESCON, 2ALESSANDRA MOACYR FERRARI, 3LETÍCIA FRANCISCO PRODENTES VICENTIN, 4ALINE ROSA TREVIZAN
1Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense - Campus Cianorte
2Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense - Campus Cianorte
3Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense - Campus Cianorte
4Docente da UNIPAR
Introdução: A negligência na área da saúde, especialmente na enfermagem, constitui um problema grave que compromete a qualidade da assistência e viola os princípios éticos da profissão (Silva, 2018). A negligência pode ser definida como a falha de um profissional ou instituição em fornecer os cuidados mínimos necessários a um paciente, resultando em um dano evitável. Apesar dos avanços na medicina e na tecnologia, ainda são frequentes os casos em que o cuidado é omitido, evidenciando o descompromisso de alguns profissionais (Carboni et al, 2018). Essa situação é intensificada no cotidiano dos profissionais por influência da sobrecarga de trabalho e da insuficiência de recursos (Lima et al., 2024). O contexto torna-se mais delicado no atendimento a idosos, que apresentam maior vulnerabilidade devido às mudanças fisiológicas e à necessidade de apoio nas atividades diárias (Oliveira et al., 2012). Além disso, o paciente atual, mais consciente de seus direitos, exige responsabilidade, respeito e competência por parte dos profissionais que cuidam da sua saúde (Freitas et al, 2003). 
Objetivo: Compreender os fatores que favorecem as ações de negligência na área da saúde, buscando os aspectos humanos e organizacionais envolvidos.
Desenvolvimento: A negligência na área da saúde compromete a segurança e o bem-estar dos pacientes, sendo influenciada por fatores individuais, organizacionais e institucionais (Lima et al., 2024). Entre os principais fatores envolvidos estão o excesso de trabalho, as equipes insuficientes, a falta de capacitação profissional e as falhas na comunicação da equipe (Lima et al., 2024; Freitas et al., 2003). Jornadas exaustivas, recursos limitados e pressão emocional aumentam ainda mais a vulnerabilidade a erros (Silva, 2018). A responsabilidade institucional sobre o trabalho dos profissionais também é determinante. Além disso, a ausência de protocolos claros e supervisão adequada cria um ambiente propício a falhas, comprometendo a humanização do cuidado (Freitas et al, 2003; Carboni et al, 2018). A negligência pode se manifestar de diversas formas, como erros na administração de medicamentos, atrasos no atendimento, falhas em diagnósticos, omissão de cuidados, supervisão inadequada e falta de registro adequado das condutas (Carboni et al, 2018). Pacientes vulneráveis, como idosos e vítimas de violência doméstica, são os mais prejudicados por omissões na assistência (Oliveira et al., 2012). Com idosos pode ocorrer ausência no processo de alimentação, falha na prevenção de quedas, demora em procedimentos essenciais ou carência no monitoramento de condições crônicas (Oliveira et al., 2012; Lima et al., 2024). Diante dos estudos citados, percebe-se que a negligência em saúde possui múltiplos fatores e pode gerar graves complicações, tornando essencial discutir estratégias institucionais para sua prevenção (Lima et al., 2024; Silva, 2018). Investir em educação continuada, supervisão efetiva e protocolos claros é fundamental para reduzir falhas e promover cuidado seguro e ético (Silva, 2018; Freitas et al., 2003; Lima et al., 2024).
Conclusão: Conclui-se que a discussão e a implantação de medidas para prevenir tais eventualidades é fundamental. Assim, torna-se importante investir em capacitação contínua das equipes, melhoria das condições de trabalho, protocolos claros de atendimento e fortalecimento da comunicação entre os profissionais. Além disso, a adoção de práticas de gestão mais eficientes e o compromisso ético são essenciais para garantir um cuidado seguro, humanizado e de qualidade a todos.
Referências:
CARBONI, R. M.; REPPETTO, M. A.; NOGUEIRA, V. O. Erros no exercício da enfermagem que caracterizam imperícia, imprudência e negligência: uma revisão bibliográfica. Revista Paulista de Enfermagem, v. 29, n. 1-2-3, p. 100-107, 2018. Disponível em: https://repen.com.br/repen/article/view/444. Acesso em: 05 set. 2025.
FREITAS, G. F.; OGUISSO, T. Ocorrências éticas na enfermagem. Revista Paulista de Enfermagem, v. 56, n. 6, p. 637-639, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/8jGdHWWWc4bZT54wXt5JhWv/?format=html&lang=pt. Acesso em: 05 set. 2025.
LIMA, J. C. et al. Fatores associados à omissão do cuidado de enfermagem em um hospital público de ensino. Revista Baiana de Enfermagem, v. 38, p. e62438, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/62438. Acesso em: 05 set. 2025.
OLIVEIRA, M. L. C. et al. Características dos idosos vítimas de violência doméstica no Distrito Federal. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 15, n. 3, p. 55-66, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/BTrK6J3B4BVbWwrztTrsHCr/?lang=pt.  Acesso em: 05 set. 2025.
SILVA, Elaine Corrêa da. Antítese do cuidado: contornos da negligência nos processos éticos do COREN-SP (2001-2010). 2018. Tese (Doutorado em Fundamentos e Práticas de Administração em Enfermagem e em Saúde) – Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7140/tde-23112018-161321/publico/Elaine_Correa.pdf.  Acesso em: 05 set. 2025.