A RESISTÊNCIA À VACINAÇÃO E SEUS IMPACTOS SOCIAIS  
1DANIELLY SCARPA FARIAS, 2TAÍ­S SOUZA DE OLIVEIRA, 3DIEGO FELIPE VASCONCELLOS DA SILVA, 4CRISTIANE CLAUDIA MEINERZ
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da Unipar de Guaíra
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da Unipar de Guaíra
3Docente da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A vacinação representa um dos métodos mais seguros e efetivos para prevenir enfermidades. No cenário brasileiro, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, se tornou um exemplo reconhecido internacionalmente por oferecer vacinas de forma gratuita e organizada à população. Apesar desse histórico positivo, desde 2015 foi notada uma queda significativa nas coberturas vacinais entre crianças, fenômeno relacionado à chamada hesitação vacinal — caracterizada pelo adiamento ou recusa parcial ou total das doses recomendadas. Esse comportamento é estimulado por fatores como a disseminação de informações falsas, influências culturais e a desconfiança nas instituições de saúde (Instituto Butantan, 2024; Brasil, 2025). Essa redução compromete a imunidade coletiva, caracterizada proteção indireta contra doenças infecciosas quando uma porcentagem significativa da população se torna imune, seja por vacinação ou infecção anterior, a redução dessa porcentagem reduz os avanços conquistados ao longo de décadas, possibilitando o ressurgimento de doenças graves como o sarampo e a poliomielite (David, 2025).
Objetivo: Analisar as razões da recusa vacinal entre pais e os impactos dessa prática na saúde infantil, visando reforçar a importância da vacinação para o controle de doenças e proteção da vida.
Desenvolvimento: A vacinação representa uma estratégia fundamental para a proteção da saúde pública. A redução da cobertura vacinal no Brasil é um fenômeno preocupante, pois favorece a reemergência de doenças, aumentando o risco de surtos e pandemias. Tal cenário ameaça não apenas a saúde coletiva, mas também o equilíbrio ambiental, dada a interdependência entre fatores sanitários e ecológicos. Por isso, é importante adotar ações para conscientizar sobre a relevância das vacinas e combater informações falsas. O governo precisa ter um papel mais ativo na promoção e realização de campanhas educativas, para fortalecer a confiança na segurança e eficácia das vacinas. Com o engajamento de todos, é possível proteger a saúde coletiva e o meio ambiente, evitando a propagação de doenças e assegurando um futuro mais saudável (Soares; Queiroz, 2023). A hesitação vacinal é multifatorial, segundo Silva et al. (2022), relatam que entre seus principais determinantes estão: a circulação de desinformação e Fake News sem respaldo científico que circulam amplamente, influenciando as decisões, barreiras de acesso, como falta de vacinas em determinados períodos, horários restritos e problemas logísticos, o impacto da pandemia do COVID-19, que interrompeu campanhas e aumentou a propagação de boatos e as desigualdades sociais, nas quais fatores como renda, escolaridade e localização geográfica interferiram no acesso e na decisão vacinal. O impacto na saúde infantil é significativo. Entre 2015 e 2020, a cobertura vacinal caiu de cerca de 97% para 75%, com reduções superiores a 30% em vacinas como BCG e Hepatite A (Instituto Butantan, 2024). Muitos municípios não atingiram a meta de 95% para doenças como poliomielite e sarampo. Socialmente, a baixa cobertura rompe a imunidade de grupo, expondo bebês e imunossuprimidos e gerando surtos que afetam escolas e comunidades (Sousa; Carvalho, 2023).
Conclusão: A resistência à vacinação no Brasil é um fenômeno complexo, que exige estratégias integradas para sua mudança. Campanhas educativas permanentes, diálogo transparente entre profissionais de saúde e famílias, ampliação do acesso e combate à desinformação são medidas essenciais. Considerar desigualdades sociais e garantir equidade no acesso são passos fundamentais para restaurar altas coberturas vacinais e proteger a saúde coletiva.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Hesitação vacinal. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/esavi/hesitacao-vacinal. Acesso em: 13 ago. 2025.
DAVID, Mayrlla Kathyuska Santos. Hesitação vacinal e adesão no PNI: fatores que influenciam decisão dos pais. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso Programa de Pós-Graduação em Enfermagem em Saúde da Família e da Comunidade do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, 2025. Disponível em: https://repositorio.ifpe.edu.br/xmlui/handle/123456789/1797. Acesso em: 13 ago. 2025.
INSTITUTO BUTANTAN. Como a hesitação vacinal impactou a rotina de imunização no Brasil. Portal do Butantan, São Paulo, 2024. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/como-a-hesitacao-vacinal-impactou-a-rotina-de-imunizacao-no-brasil. Acesso em: 13 ago. 2025.
SOARES, Érica Andrade; QUEIROZ, Tatiana Viola de. Hesitação vacinal no Brasil: causas e soluções. UNISANTA Law and Social Science, Santos, v. 12, n. 1, p. 285-296, 2023. Disponível em: https://periodicos.unisanta.br/LSS/article/view/901/900. Acesso em. Acesso em: 14 ago. 2025.
SILVA, Rafael Augusto,  et al. Fake news e hesitação vacinal: desafios para a saúde pública. Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 32, n. 4, p. 215-228, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/PBmHtLCpJ7q9TXPwdVZ3kGH/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 13 ago. 2025.
SOUSA, Ana Paula; CARVALHO, Bruno Henrique. Hesitação vacinal e interseccionalidade: reflexões para contribuir com as práticas e políticas públicas sobre vacinação. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 28, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/icse/a/z3d98KMjGMqPRTcMD76cX4m/. Acesso em: 13 ago. 2025.