O USO DE RADIOGRAFIA TORÁCICA NA BRONQUIOLITE PEDIÁTRICA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DOS RISCOS E BENEFÍCIOS NA PRÁTICA MÉDICA CONTEMPORÂNEA  
1GABRIELA CALDEIRA VARGENS, 2ALEXIA PAOLA ULIANA, 3IZA MAELCA TEIXEIRA FREITAS, 4PAULO HENRIQUE KINOSHITA CANDIDO, 5TAINAH LETICIA MACHADO, 6LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do Curso de Medicina da UNIPAR e bolsista do PIBEX/UNIPAR
2Discente Curso de Medicina da UNIPAR e bolsista do PIBIC/UNIPAR
3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR e acadêmica do PEX
4Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
5Discente do Curso de Medicina da UNIPAR e bolsista do PIBIC/UNIPAR
6Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A bronquiolite é uma infecção viral que acomete as vias aéreas inferiores, provocando inflamação e edema nos bronquíolos, tendo o vírus sincicial respiratório como principal agente etiológico (Gill; Chanchlani; Mahant, 2022). A  maior incidência da doença ocorre entre o terceiro e sexto mês de vida, embora o quadro também possa se manifestar em crianças com mais de doze meses de idade (Herter et al., 2023). O diagnóstico das infecções do trato respiratório, como a bronquiolite, é predominantemente clínico, fundamentado na avaliação dos sinais e sintomas apresentados (Jaworska et al., 2020). Nesse sentido, a literatura revisada aponta que a associação entre histórico de infecção viral de vias aéreas inferiores e sinais clínicos como sibilância, retrações, taquipneia e desconforto respiratório costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico  da doença na maioria dos casos (Dos Santos Souza et al., 2025). Todavia, exames de imagem podem ser indicados em situações específicas, sendo a radiografia de tórax reservada para os casos mais graves (Peixoto et al., 2023). 
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura acerca da utilização da radiografia torácica em crianças com diagnóstico de bronquiolite, avaliando seus riscos, benefícios e implicações na conduta clínica atual. 
Desenvolvimento: A população pediátrica é considerada mais sensível à radiação ionizante do que a adulta, devido à maior taxa de multiplicação celular e à elevada expectativa de vida, o que requer maior atenção quanto aos possíveis efeitos adversos decorrentes de exposições que ultrapassem o limiar de dose (Guidetti et al., 2021). Nesse contexto, o diagnóstico da bronquiolite é baseado na anamnese e exame físico, sem necessidade de exames complementares de rotina, sendo a radiografia de tórax indicada em casos de suspeita de complicações como pneumonia, atelectasia ou pneumotórax, ou quando há dúvida diagnóstica (Ramos, 2024). Ainda assim, pesquisas apontam que, embora seja difícil a diferenciação da bronquiolite de outras condições como pneumonia, asma ou aspiração de corpo estranho, em certos casos, a radiografia de tórax e testes virais podem ser empregados de forma criteriosa, ainda que, em geral, tenham pouca influência na decisão do tratamento (Dos Santos Souza et al., 2025). Desse modo, apesar de a radiografia de tórax ser o exame mais frequentemente utilizado, possui suas limitações como a exposição à radiação ionizante, sensibilidade reduzida para detectar inflamações pulmonares, baixo valor preditivo negativo e possibilidade de divergência na interpretação entre especialistas (Jaworska et al., 2020). Além disso, o deslocamento do paciente até a sala de imagem, representa um risco adicional, pois pode aumentar a probabilidade de contaminações cruzadas durante o trajeto (Jeyakumar et al., 2024). Dessa forma, torna-se fundamental reduzir ao máximo o tempo de exposição e orientar adequadamente as crianças e seus acompanhantes, a fim de minimizar a movimentação durante o exame, evitando distorções na imagem e, consequentemente, a necessidade de uma nova exposição à radiação (Guidetti et al., 2021). Ademais, segundo Dos Santos Souza e colaboradores (2025) o modelo de abordagem está alinhado às diretrizes da American Academy of Pediatrics (AAP) e do Ministério da Saúde, que desencorajam o uso rotineiro de exames complementares, por isso o método clínico no diagnóstico contribui para evitar o gasto desnecessário de recursos, reduz a exposição à radiação e promove um cuidado mais seguro e racional. Por outro lado, o emprego de métodos de imagem que não utilizam radiação ionizante, como a ultrassonografia (USG) e a ressonância magnética (RM), representa uma alternativa segura para prevenir os eventuais efeitos nocivos da exposição excessiva à radiação (Guidetti et al., 2021). Assim sendo, a USG é a ferramenta mais utilizada  e mais segura para crianças e possibilitando a investigação da gravidade do quadro clínico e o monitoramento da resolução do tratamento (Jaworska et al., 2020). Inclusive, essa ferramenta é adequada em razão da baixa densidade de gordura subcutânea e da ossificação parcial da parede torácica, contribuindo para a melhor condução sonora e para a visualização mais nítida do mediastino e da parede torácica anterior (Jeyakumar et al., 2024). 
Conclusão: O diagnóstico da bronquiolite deve ser preferencialmente clínico, por meio de uma anamnese detalhada e um exame físico criterioso, de modo a evitar a exposição desnecessária da população pediátrica à radiação ionizante, reservando o uso dos exames radiológicos para casos específicos, como suspeita de complicações e diagnósticos diferenciais. Assim, a adoção de métodos de imagem não convencionais, como a ultrassonografia, configura-se como uma alternativa mais eficaz e segura para o diagnóstico de infecções respiratórias em crianças.
Referências:
DOS SANTOS SOUZA, I. H. et al. Diagnóstico e tratamento da bronquiolite viral aguda em pacientes pediátricos: uma revisão bibliográfica. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, Bahia, v. 8, n. 18, p. e082165-e082165, 2025. 
GILL, P. J.; CHANCHLANI, N.; MAHANT, S. Bronchiolitis. CMAJ, Toronto, v. 194, n. 6, p. E216-E216, 2022.
GUIDETTI, A. M. et al. O impacto da exposição à radiação nos exames de imagem para o paciente: revisão de literatura. Connection Line-Revista Eletrônica do UNIVAG, Minas Gerais, n. 26, 2021. 
HERTER, E. C. et al. Manejo da bronquiolite e da sibilância recorrente em pré-escolares. Jornal Brasileiro de Pneumologia, Porto Alegre, v. 49, n. 5, e20230298, 2023.
JAWORSKA, J. et al. Consensus on the application of lung ultrasound in pneumonia and bronchiolitis in children. Diagnostics, Varsóvia, v. 10, n. 11, p. 935, 2020. 
JEYAKUMAR, A. et al. Role of Lung Ultrasonography in Acute Respiratory Distress in Pediatric Age Group: A Prospective Single-Centre Study. Cureus, Chennai, v. 16, n. 5, 2024. 
PEIXOTO, F. G. et al. Bronquiolite viral aguda. Revista Eletrônica Acervo Médico, Vassouras, v. 23, n. 11, p. e14836-e14836, 2023. 
RAMOS, M. A. Protocolo assistencial de bronquiolite na emergência pediátrica. 2024. 28 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Medicina, Porto Alegre, 2024.