HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA: A ENFERMAGEM COMO PROTAGONISTA NO CUIDADO INTEGRAL E HUMANIZADO AO PACIENTE - UM ESTUDO DE REVISÃO  
1PAULO CESAR PEREIRA, 2POLIANA TABATA TUNES FRIAS, 3ANDERSON CLAYTON DE AGUIAR, 4KELLY CRISTINA DE SOUZA LIMA RODRIGUES, 5CRISTIANE SOARES DO NASCIMENTO SILVA, 6RICARDO DE MELO GERMANO
1Acadêmico do curso de Enfermagem da Unipar
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
6Docente Titular de Fisiologia e do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UNIPAR
Introdução: A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é considerada uma das doenças urológicas mais comuns entre os homens, especialmente a partir dos 40 anos, com prevalência crescente com o avançar da idade. Trata-se de uma condição benigna caracterizada pela proliferação de células epiteliais e estromais na zona de transição da próstata, o que ocasiona aumento progressivo do volume prostático e obstrução do fluxo urinário. Entre os principais sintomas destacam-se a noctúria, polaciúria, hesitação urinária, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e, em casos mais graves, retenção urinária aguda. Esses sintomas impactam diretamente na qualidade de vida do paciente e podem evoluir para complicações como infecções recorrentes, hidronefrose, insuficiência renal e alterações da função sexual (SBU, 2021). Apesar de não se tratar de uma doença maligna, a HPB é considerada um problema de saúde pública pela sua elevada incidência, repercussões clínicas e elevado custo ao sistema de saúde (Cabellino et al., 2024).  Diante desse cenário, torna-se fundamental a atuação da equipe de enfermagem, que desempenha papel essencial na promoção da saúde, no acompanhamento clínico, na prevenção de complicações e na assistência integral ao paciente submetido a tratamento clínico ou cirúrgico.
Objetivo: Analisar, por meio de revisão bibliográfica, a assistência de enfermagem prestada ao paciente com HPB, enfatizando os cuidados durante o tratamento clínico, cirúrgico e no período pós-operatório, com foco na promoção da qualidade de vida e prevenção de complicações.
Desenvolvimento: O estudo foi desenvolvido como revisão narrativa da literatura, abrangendo publicações em bases científicas nacionais e internacionais, como Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), SciELO (Scientific Electronic Library Online), MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrievel System Online) e LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências de Saúde), entre os anos de 2021 e 2025. Foram utilizados descritores do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): “Próstata”, “Doenças da Próstata”, “Hiperplasia Prostática Benigna”, “Doenças Urológicas” e “Assistência de Enfermagem”. A análise dos artigos evidenciou que o enfermeiro desempenha papel central na abordagem integral ao paciente com HPB. No contexto clínico, é responsável pela identificação precoce dos sintomas urinários, pela orientação quanto à importância do acompanhamento médico e pela educação em saúde sobre hábitos preventivos, como prática regular de atividade física, controle de fatores de risco e adesão ao tratamento farmacológico (Cabellino et al., 2024). No âmbito hospitalar, especialmente em casos de tratamento cirúrgico, o enfermeiro atua no preparo pré-operatório, orientando o paciente e seus familiares quanto ao procedimento, possíveis complicações e cuidados necessários no período pós-operatório; durante a internação, a equipe de enfermagem deve monitorar continuamente os sinais vitais, balanço hídrico, características da diurese e sinais de sangramento ou infecção (Santos et al., 2021). A irrigação vesical contínua, frequentemente utilizada no pós-operatório da ressecção transuretral da próstata (RTU), é um cuidado essencial para evitar a formação de coágulos e obstrução da sonda vesical (Costa; Lima, 2022). Esse procedimento deve ser realizado com rigor técnico e monitoramento constante, sendo de responsabilidade da equipe de enfermagem assegurar a permeabilidade do sistema, prevenir complicações como tamponamento vesical e avaliar a coloração do efluente urinário como parâmetro indireto da presença de sangramento (Silva et al., 2021). Além dos cuidados técnicos, destaca-se a importância da abordagem humanizada, com escuta ativa, apoio emocional e orientação ao paciente sobre possíveis alterações temporárias na função sexual, mudanças nos padrões miccionais e sinais de alerta após a alta hospitalar (Silva et al., 2021). O enfermeiro também deve incentivar a mobilização precoce, o controle da dor e a hidratação adequada, contribuindo para a prevenção de complicações como trombose venosa profunda, atelectasia e constipação intestinal, fatores estes que reforçam a qualidade da assistência de enfermagem; diretamente relacionada ao desfecho clínico do paciente, à redução de complicações e ao tempo de recuperação (Santos et al., 2021).
Conclusão: Conclui-se que a assistência de enfermagem ao paciente com HPB é indispensável em todas as fases do cuidado, desde a identificação inicial dos sintomas até o período pós-operatório. A atuação do enfermeiro, baseada em evidências científicas, contempla não apenas intervenções técnicas, mas também ações educativas e humanizadas que fortalecem a adesão ao tratamento, reduzem complicações e promovem qualidade de vida. A irrigação vesical contínua no pós-operatório da RTU é um exemplo do impacto direto da enfermagem na segurança do paciente (COSTA; LIMA, 2022). Dessa forma, a prática profissional deve ser pautada no conhecimento científico atualizado, na vigilância clínica rigorosa e na valorização do cuidado integral, consolidando a importância da enfermagem no enfrentamento da HPB como condição de relevância em saúde pública.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Cuidados Pós-Operatórios em Cirurgias Urológicas. Brasília: MS, 2023.
CABELLINO, L. F. et al. Avanços contemporâneos na compreensão da fisiopatologia, diagnóstico e tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna: uma revisão abrangente. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v 2024.. 6, n. 4, p. 2276-2286,
COSTA, R. A.; LIMA, V. M. Cuidados de enfermagem na irrigação vesical contínua após RTU de próstata. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, n. 4, p. e20220123, 2022.
SANTOS, M. C. et al. Cuidados de enfermagem no pós-operatório de ressecção transuretral da próstata: revisão integrativa. Revista de Enfermagem Atual In Derme, v. 95, n. 37, p. 1–8, 2021.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA (SBU). Hiperplasia Prostática Benigna. Rio de Janeiro: SBU, 2021. Disponível em: https://portaldaurologia.org.br. Acesso em 12/08/2025.
SILVA, F. T. et al. Manejo da irrigação vesical contínua em pacientes pós-ressecção prostática. Revista de Enfermagem Urológica, v. 12, n. 2, p. 101–108, 2021.