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| ARQUITETURA BIOMIMÉTICA E BIOFÍLICA COMO FORMA DE INCLUSÃO DE CRIANÇAS NEURODIVERGENTES NO AMBIENTE ESCOLAR | |
| 1DINORA SCHMIDT, 2ESTEFANI CAROLINE PLETSCH, 3ANDRESSA CAROLINA RUSCHEL | |
| 1Discente no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Paranaense – Unipar. Acadêmica do PIC/UNIPAR. 2Acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIPAR. Acadêmica do PIC/UNIPAR. 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O caráter sustentável da arquitetura contemporânea é facilmente reconhecível em suas entrelinhas, por meio de materiais, formas, a atenção às necessidades dos usuários, a integração entre eficiência e bem-estar. Neste amplo contexto, duas expressões arquitetônicas fluem à mente instantaneamente: Biomimética e Biofilia. Ambas propõem conceitos complementares de contemplação da natureza, enveredando benefícios psicológicos, fisiológicos e sociais (Kellert e Calabrese, 2015; Wu e Yang, 2024). Neste escrito, estas formas de arquitetura foram voltadas para a compreensão de meios de conceber inclusão educacional à crianças neurodivergentes nas escolas brasileiras, de forma a analisá-las e aplicadas às relações interpessoais e pedagógicas. Este estudo faz parte do Programa de Iniciação Científica – PIC, no grupo de pesquisa intitulado “Fundamentos Teóricos: projeto arquitetônico de escola inclusiva para crianças neurodivergentes na cidade de Marechal Cândido Rondon – PR”. Objetivo: De acordo com Castro (2025), a neurodiversidade é uma forma de celebrar a diversidade cognitiva humana. Nesta linha de análise, o objetivo deste escrito é compreender como a arquitetura pode influenciar no desenvolvimento e na inclusão de crianças neurodivergentes nas escolas. Busca-se também propor a exaltação da pluralidade intelectual infantil, de forma a explorar positivamente as características comuns e divergentes dos aspectos comportamentais e sensoriais, com foco em uma abordagem arquitetônica multifacetada. Além disso, propõe-se o incentivo à pesquisa científica sobre estes aspectos da arquitetura e da inclusão de crianças neurodivergentes em todos os espaços. Desenvolvimento: A relação entre o indivíduo e o ambiente, segundo Hall (1966), é essencial para a compreensão de ambos. Para manter esta relação saudável deve-se sustentar uma constante avaliação da função e da correlação entre eles, ou seja, é necessário avaliar constantemente como o indivíduo reage ao ambiente e como o ambiente atua sobre o indivíduo (Hall, 1966). Nesse sentido, é necessário compreender como a arquitetura biomimética e biofílica atuam em um ambiente. A biomimética aplicada à construção civil consiste em trabalhar processos, estratégias e formas observadas na natureza para criar soluções sustentáveis. O uso de princípios biológicos no design arquitetônico permite criar sistemas de ventilação passiva, fachadas adaptativas e materiais de baixo impacto ambiental (Silva; et al, 2025). O design biofílico, por sua vez, propõe a incorporação sistemática de elementos naturais e analogias à natureza nos espaços construídos, com foco em promover benefícios sociais, psicológicos e sociais, de forma a abranger desde a presença direta da natureza até analogias sensoriais que evocam experiências naturais. De acordo com Rodrigues (2024), cada aspecto do ambiente em que se faz presente o indivíduo influencia sua resposta emocional e sua capacidade de exercer determinadas ações. Magda Mostafa, pioneira em design para autismo, ressalta que “Se você pensar que o principal problema do autismo é entender, lidar e responder ao ambiente sensorial, você pode entender o poder da arquitetura em suas vidas cotidianas” (Quirk, 2013). Rodrigues (2024), ao ponderar sobre a colocação, esclarece que esta evidencia a ideia de que, ao considerar as necessidades de indivíduos com características únicas, o resultado obtido é a criação de ambientes mais acessíveis, confortáveis e funcionais para todas as pessoas. Assim, é possível conceber a importância da aplicação destes e outros tópicos nas escolas de desenvolvimento infantil e adolescente, para que as crianças possam enxergar seu lugar no mundo com horizontes expandidos e oportunidades igualitárias, independente da neurodiversidade que a abrange. Uma exemplificação destes conceitos é o projeto Swiss Re, idealizado pelo renomado arquiteto Norman Foster, em Londres. Sua concepção, inspirada na esponja marinha Euplectella, resultou em uma estrutura que combina desempenho estrutural, eficiência energética e adaptação ao espaço urbano. Ao examinar este projeto à luz das discussões recentes sobre biomimética e biofilia (Kellert e Calabrese, 2015; Wu e Yang, 2024), percebe-se que sua relevância não se restringe ao contexto corporativo de uma torre em Londres, mas abre caminhos para compreender como soluções inspiradas na natureza podem ser aplicadas em tipologias diversas, inclusive em espaços educacionais. Conclusão: Com a análise desenvolvida, é notório como a arquitetura se encaminha naturalmente para biomimética e biofilia, as quais abrem suas lentes para espaços que se conectam com os seres humanos de forma a gerar experiências, sensações, conforto, estímulos conscientes e, principalmente, conexões – entre espaços construídos e naturais, entre pessoas diversas, entre diferenças e características em comum. Combinadas, essas abordagens têm o potencial de redefinir os parâmetros de projeto, de forma a contribuir para a criação de ambientes mais inclusivos. Por conclusão, infere-se que é necessário alimentar a pesquisa científica inclusiva relacionada à arquitetura e à educação, a fim de ampliar a abrangência das edificações. |
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| Referências: CASTRO, Y. K. M. de. As Políticas Públicas de Suporte Psicológico para Professores do Ensino Fundamental: Desafios e Impactos na Inclusão de Crianças Neurodivergentes. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, p. 16–220. 2025. HALL, E. T. A dimensão oculta. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1981. KELLERT, S. R.; CALABRESE, E. F. The Practice of Biophilic Design. New York: Terrapin Bright Green, 2015. QUIRK, V. An Interview with Magda Mostafa: Pioneer in Autism Design. ArchDaily, 9 out. 2013. Disponível em: https://www.archdaily.com/435982/an-interview-with-magda-mostafa-pioneer-in-autism-design. Acesso em: 21 ago. 2025. RODRIGUES, L. F. Centro de criatividade para crianças neurodiversas: o espaço como forma de expressão. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024. SILVA, F. H. Y. D.; PERERA, B. A. K. S.; ATAPATTU, A. M. D. S.; WIJEWICKRAMA, M. K. C. S. Adaptability of biomimicry applications in improving the sustainability in the construction industry. Environmental Development, v. 55, p. 101197, jul. 2025. DOI: 10.1016/j.envdev.2025.101197. WU, W.; YANG, J. Biophilic design in healthcare architecture: a review of the evidence. Frontiers in Built Environment, v. 10, 2024. Acesso em: 12 ago. 2025. |
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