MANOBRA DE HEIMLICH NA EDUCAÇÃO INFANTIL  
1OHANA GABRIELI DE RAMOS WERLE, 2ALESSANDRA ROSSA, 3LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmica do curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente do Curso de Enfermagem da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
Introdução: O engasgo é uma emergência caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias aéreas por alimentos ou objetos, impedindo a passagem de ar, podendo causar asfixia ou, em casos mais graves, a morte. Em bebês, essa condição é ainda mais frequente, devido à imaturidade anatômica e à tendência natural de levar objetos à boca (Costa et al., 2021). Dentre os riscos que essa faixa etária está exposta, o engasgo é um dos mais comuns, em razão do comportamento exploratório típico da infância, que inclui colocar objetos ou alimentos na boca (Langwinski et al., 2023).
Objetivo: Avaliar, por meio de revisão bibliográfica, a capacitação e o conhecimento dos profissionais de educação infantil com a manobra de Heimlich.
Discussão: O conhecimento e a correta aplicação da manobra de Heimlich são indispensáveis. Trata-se de técnica eficaz de primeiros socorros para desobstrução das vias aéreas, cuja utilização pode ser decisiva para preservação da vida. Crianças pequenas, especialmente em idade pré-escolar, são mais suscetíveis ao engasgo por ainda não possuírem total coordenação motora nem compreensão dos riscos envolvidos em determinadas ações (Caldas et al., 2024). Para bebês com menos de 1 ano, a manobra é adaptada conforme as características anatômicas dessa faixa etária. Quando o bebê não consegue tossir, respirar ou chorar, deve-se colocá-lo de bruços sobre o antebraço, com a cabeça apoiada e posicionada abaixo do tronco. Com a palma da outra mão, aplicam-se cinco tapas firmes entre as escápulas. Caso o objeto não seja expelido, o bebê deve ser virado de barriga para cima, mantendo a cabeça mais baixa que o corpo, e realizadas cinco compressões torácicas com dois dedos, no centro do tórax, entre os mamilos. As manobras devem ser alternadas até que o corpo estranho seja expelido ou até a chegada do socorro (Silva et al., 2022). Em casos de engasgo em crianças maiores de 2 anos, a técnica recomendada envolve o socorrista posicionar-se atrás da vítima, abraçando-a pela cintura. Uma das mãos deve ser fechada em punho e posicionada entre o umbigo e o osso esterno, enquanto a outra mão sustenta o punho para proporcionar firmeza. Em seguida, realizam-se compressões abdominais rápidas e firmes, direcionadas para dentro e para cima, repetidamente, até que o objeto seja expelido ou que a vítima volte a respirar normalmente. Essa manobra deve ser aplicada apenas em pessoas conscientes que não conseguem falar, tossir ou respirar adequadamente. Caso a vítima perca a consciência, é fundamental iniciar imediatamente a Reanimação Cardiopulmonar (RCP) e acionar os serviços de emergência (Habrat; Birnbaumer, 2022). Para Lopes et al. (2021), a capacitação dos profissionais para identificar sinais de engasgo e aplicar corretamente a manobra de Heimlich contribui significativamente para prevenção de complicações graves, como hipóxia cerebral ou até mesmo o óbito.
Conclusão: Evidenciou-se, ao longo do estudo, a importância de fortalecer a capacitação dos profissionais quanto à aplicação correta da manobra de Heimlich, especialmente em ambientes com crianças, em que os riscos de engasgo são elevados. A implementação de treinamentos práticos regulares, aliada ao uso de materiais educativos, como vídeos demonstrativos e manuais técnicos, é fundamental para suprir lacunas no conhecimento e assegurar resposta eficaz em situações de emergência.
Referências:
CALDAS, A. C. L.; et al. A importância do ensino da manobra do desengasgo em bebês: educação e saúde para puérperas. Brasilian Journal of Health Review, Curitiba, v.7, n.2, mar-apr, 2024. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/download/68649/49127/ 170492. Acesso em: 18 de maio de 2025.
COSTA, I. O.; et al. Estudo descritivo de óbitos por engasgo em crianças no Brasil. Revista de Pediatria SOPERJ, Paraíba, v.21 (supl 1), jul, 2021. Disponível em: http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1166. Acesso em: 08 de junho de 2025.
HABRAT, Dorothy. Como fazer a manobra de Heimlich em adultos ou crianças conscientes. Manual MSD - Profissionais. Revisado em 2022. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/medicina-de-cuidados-cr%C3%ADticos/como-fazer-procedimentos-b%C3%A1sicos-para-as-vias-respirat%C3%B3rias/como-fazer-a-manobra-de-heimlich-em-adultos-ou-crian%C3%A7as-conscientes. Acesso em: 01 de julho de 2025.
LANGWINSKI. A.; et al. Intervenção educativa sobre obstrução das vias respiratórias para professores de educação infantil: estudo quase-experimental. Rev Gaúcha Enferm, [s. l.], v.44, jun, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/xGFQBrXJcqBvpDLWtTHSz9q/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 10 de maio de 2025.
LOPES, A. F. L.; et al. Condutas de puérperas imediatas frente a um suposto engasgo em bebês. Research, Society and Development, [s. l.], v.10, n.10, ago, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i10.19133. Acesso em 10 de julho de 2025.
SILVA, M.E.P.; et al. Manobra de Heimlich como técnica de desengasgo nos primeiros socorros pediátricos: Revisão integrativa de literatura. Research, Society and Development, [s. l.], v.11, n. 17, dez, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.33448/rsd-v11i17.38629. Acesso em 15 de maio de 2025.