CANDIDÍASE VULVOVAGINAL RECORRENTE: O ENIGMA DA INFECÇÃO FÚNGICA PERSISTENTE  
1MANUELLA TREMEA MARTINS, 2EMILLY KAUANY RAMOS DE GODOY, 3BÁRBARA SACKSER HORVATH
1Acadêmica do curso de Biomedicina UNIPAR
2Acadêmica do curso de Biomedicina UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A candidíase é uma vulvovaginite causada pelo fungo do gênero Candida que vive em ambientes úmidos e quentes, causando infecções. Dentre as vaginites é a segunda com mais prevalência e recorrência em mulheres na idade da menacme (Vilanova, et al., 2021). Este fungo é do tipo oportunista, pois tem fatores de virulência capazes de se multiplicar mesmo em condições de normalidade fisiológica e tornar-se patogênico com a variação da imunidade. A Candida albicans é o gênero mais encontrado na CVV, responsável por 80 a 90% dos casos, e bastante sensível à ação dos antifúngicos. Além dela, a espécie C. glabrata também é encontrada em mulheres sintomáticas e assintomáticas  (Sanches, et al., 2020). A resistência fúngica a medicamentos alopáticos, diante da automedicação e da venda livre de antifúngicos, somada ao custo das consultas médicas e ao estresse do tratamento errôneo e repetitivo, vem estimulando alternativas como o tratamento fitoterápico (Santos, et al., 2021).
A candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) é uma infecção que acomete milhões de mulheres anualmente no mundo, configurando um problema de saúde pública que necessita de novas estratégias. Enquanto os tratamentos convencionais são amplamente empregados, métodos alternativos, como a terapia fotodinâmica e o uso de óleos essenciais, vêm sendo estudados como opções para pacientes com resistência aos antifúngicos. Ressalta-se que o tratamento da CVVR deve considerar também mudanças no estilo de vida e fatores de risco subjacentes  (Souza, 2024).
Objetivo: Realizar uma revisão bibliográfica sobre a incidência e prevalência da candidíase vulvovaginal recorrente (CVVR) no contexto da resistência de espécies não-albicans aos antifúngicos, e discutir as novas abordagens diagnósticas e terapêuticas para esta condição.
Desenvolvimento: De acordo com o Ministério da Saúde, as micoses sistêmicas não integram a lista nacional de doenças de notificação compulsória, o que dificulta a obtenção de dados epidemiológicos. No Brasil, a taxa de candidemia chega a 2,49 casos por 1.000 admissões hospitalares, índice até 15 vezes maior que nos EUA e Europa (Gonçalves, et al., 2015). No entanto, faltam estudos sobre a incidência e prevalência da CVV, favorecendo a automedicação e o tratamento inadequado (Blostein, et al., 2017). A C. albicans pode ser isolada em 20% das mulheres não grávidas e em até 30% das gestantes, devido ao aumento do estrogênio, do glicogênio vaginal e à depressão do sistema imune local. A CVVR afeta 5 a 8% das mulheres, representando um problema global (Brandolt et al., 2017).
Estudos relatam que a C. albicans é responsável por 80 a 90% dos casos de CVV. Contudo, espécies não-albicans, como C. glabrata, C. tropicalis e C. krusei, vêm crescendo em frequência, apresentando maior resistência aos antifúngicos (Alvares, et al., 2007; Ferrazza, et al., 2005). A CVVR é definida como quatro ou mais episódios sintomáticos ao ano (Holanda, 2007), sendo que 5% das mulheres evoluem para um curso crônico (Boatto, 2007). A transmissão sexual pode contribuir para a recidiva (Ferrer, 2000). Gestantes apresentam maior suscetibilidade à infecção, podendo ocorrer transmissão vertical em até 85% dos casos, com manifestação oral de C. albicans em 22 a 24% dos recém-nascidos (Martinez, 2008). Outros fatores de risco incluem uso de antibióticos, contraceptivos orais, diabetes, imunodeficiências, neoplasias, corticoterapia, dieta ácida, roupas sintéticas e hábitos higiênicos inadequados (Bastos, 2003; Holanda, 2007). A candidíase provoca corrimento branco em grumos, prurido intenso, dispareunia, disúria e dor vulvar, associada a placas esbranquiçadas, edema e eritema na mucosa vaginal (Yano et al., 2019).
O diagnóstico deve ser confirmado por exames microbiológicos, como microscopia, cultura e técnicas moleculares (Alves, et al., 2010). Considerando a resistência crescente, recomenda-se o isolamento e identificação da levedura (Bankar, 2012). O tratamento visa aliviar sintomas e eliminar o fungo. Entre as opções estão os azóis (imidazóis e triazóis) e os polienos (Anfotericina B e Nistatina). O fluconazol 150 mg em dose única é a terapia oral mais usada. Entre os tópicos, incluem-se Clotrimazol 100 mg por 7 dias, Terconazol 0,5% por 3 dias e ácido bórico 600 mg por 14 dias (Shiozawa, 2007). Nos casos recorrentes, indica-se tratamento prolongado e profilaxia, como Clotrimazol 2x/semana por 6 meses (Sogimig, 2012). Entretanto, observa-se resistência crescente ao fluconazol, atribuída ao uso indiscriminado da medicação (Pereira, 2021).
Conclusão: A candidíase vulvovaginal é uma condição comum, que acomete a maioria das mulheres ao longo da vida. A forma recorrente (CVVR), definida por quatro ou mais episódios anuais, pode estar relacionada a hábitos alimentares, sexo desprotegido ou tratamentos inadequados, frequentemente associados à resistência antifúngica. O diagnóstico envolve exame clínico e confirmação laboratorial, enquanto o tratamento se baseia em antifúngicos orais e tópicos, embora alternativas naturais e terapias complementares estejam em estudo. Assim, tornam-se necessárias novas pesquisas para aprimorar as estratégias terapêuticas e promover melhor qualidade de vida às mulheres afetadas.
Referências:
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