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| IMPACTO DAS FAKE NEWS NA ADESÃO VACINAL DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19 | |
| 1MARIANA SILVA GOMES, 2THAISSA LEAL OLIVEIRA, 3RAPHAEL CHALBAUD BISCAIA HARTMANN | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: As vacinas se tornaram uma das maiores conquistas do século XX para a saúde pública, sendo uma intervenção segura e de excelente custo-efetividade para se controlar, erradicar e até eliminar doenças imunopreviníveis (Souza et al., 2024). Em 2020, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia da COVID-19, foi desencadeada uma crise sanitária global sem precedentes, na qual a vacinação surgiu como a principal estratégia de controle da disseminação do vírus SARS-CoV-2. Contudo, as fake news (notícias falsas) sobre a pandemia, vacinas e saúde pública acabaram tomando uma proporção avassaladora ao se deparar com uma população hiperconectada, cuja grande parte não sabia reconhecer quais notícias eram falsas e verdadeiras (Galhardi et al., 2021). Objetivo: Examinar o efeito da propagação de notícias falsas na adesão à vacinação contra a COVID-19 no Brasil durante a pandemia, enfatizando os principais canais de desinformação, suas consequências na cobertura vacinal e possíveis táticas de combate. Desenvolvimento: O Programa Nacional de Imunização (PNI) constitui um dos mais completos programas de imunização no mundo e foi determinante na redução e eliminação de doenças imunopreveníveis no Brasil, implicando em significativas melhorias para a saúde pública. Recentemente uma pesquisa identificou um importante empecilho à vacinação: a internet. Nos países onde teve-se diminuição significativa da confiança em vacinas estiveram relacionadas com movimentos e mobilizações online antivacinas (De Figueiredo et al., 2020). As redes sociais atuam como uma extensão do ser humano no espaço digital, e não raramente a desinformação pode surgir nesses espaços, até pela falta de qualidade da própria informação, assim como uma crescente na produção e distribuição em escala de notícias e mensagens falsas de modo intencional, para enganar, levar vantagem e causar dolo, por motivos políticos, financeiros ou ideológicos (Galherdi et al., 2021). A infodemia é um fenômeno relacionado à grande disseminação de informação, tornando difícil a identificação de suas fontes. Durante a pandemia, esse fenômeno foi acelerado pela politização do assunto, o que levou ao exagero ou à minimização da doença e afetou a confiança e a disposição em aceitar a vacina contra a COVID-19 (Souto et al., 2024). No contexto da COVID-19, havia informações relacionadas à crença de que as vacinas não tinham sido adequadamente estudadas antes de sua liberação, considerando o curto período de desenvolvimento. Esse foi um dos fatores que contribuíram para a hesitação vacinal, ao qual se somaram a desconfiança em relação à origem da vacina e fatores políticos-ideológicos (Galhardi et al., 2021). Frugoli et al. (2021) usaram o modelo dos 3Cs – confiança, complacência e conveniência – sugerido pela OMS para avaliar o efeito das notícias falsas na vacinação. De acordo com os autores, a desinformação afeta principalmente a confiança, minando a credibilidade tanto das vacinas quanto das instituições encarregadas de sua aplicação. A desinformação contribui para a complacência ao reduzir a percepção de risco das doenças imunopreveníveis e prejudica a conveniência ao criar barreiras perceptivas que dificultam o acesso à vacinação. Os dados da pesquisa de De Figueiredo et al. (2020) indicam que a confiança nas vacinas diminuiu globalmente de 2015 a 2019, afetando diretamente a cobertura vacinal. No Brasil, segundo análise de Souto et al. (2024), a hesitação vacinal cresceu especialmente entre os responsáveis por crianças. Isso se deve a fatores como medo, desinformação e comportamentos contraditórios de autoridades públicas. O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19 (Ministério da Saúde, 2022) procurou lidar com essa situação por meio de campanhas educativas e estratégias de comunicação, apesar de a falta de coordenação entre os entes federativos ter prejudicado a efetividade da vacinação infantil. Souza et al. (2024) destacam que estratégias como busca ativa, envolvimento dos Agentes Comunitários de Saúde e acompanhamento ágil da vacinação são eficientes para restabelecer as coberturas vacinais em grupos vulneráveis, porém necessitam de uma infraestrutura adequada e da confiança da comunidade. Conclusão: As fake news tiveram um efeito considerável na adesão vacinal durante a pandemia de COVID-19, impactando diretamente a cobertura vacinal no país. A infodemia afetou a confiança nas vacinas e nas autoridades de saúde, contribuindo para a hesitação em se vacinar. As estratégias para reduzir esse impacto devem ultrapassar a comunicação institucional e incluir ações intersetoriais voltadas à educação midiática, ao envolvimento da comunidade e ao reconhecimento dos profissionais de saúde como agentes de confiança. É fundamental reforçar as políticas públicas fundamentadas em evidências científicas, combater de forma ativa a desinformação e assegurar a clareza na comunicação governamental. Somente recuperando a confiança social e reforçando os programas de imunização poderemos reconstruir uma cultura vacinal robusta e resistente a futuras crises. |
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| Referências: DE FIGUEIREDO, Alexandre et al. Mapping global trends in vaccine confidence and investigating barriers to vaccine uptake: a large-scale retrospective temporal modelling study. The Lancet, v. 396, n. 10255, p. 898-908, set. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1016/s0140-6736(20)31558-0. Acesso em: 29 jul. 2025. FRUGOLI, Alice Gomes et al. Fake news sobre vacinas: uma análise sob o modelo dos 3Cs da Organização Mundial da Saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 55, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s1980-220x2020028303736. Acesso em: 29 jul. 2025. GALHARDI, Cláudia Pereira et al. Fake news e hesitação vacinal no contexto da pandemia da COVID-19 no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, supl. 1, p. 1849-1860, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232022275.24092021. Acesso em: 29 jul. 2025. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19. 12. ed. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/publicacoes-tecnicas/guias-e-planos/plano-nacional-de-operacionalizacao-da-vacinacao-c ontra-a-covid-19. Acesso em: 29 jul. 2025. SOUTO, Ester Paiva et al. Hesitação vacinal infantil e COVID-19: uma análise a partir da percepção dos profissionais de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 40, n. 2, e00061523, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311XPT061523. Acesso em: 29 jul. 2025. SOUZA, Janaina Fonseca Almeida et al. Estratégias para ampliação das coberturas vacinais em crianças no Brasil: revisão sistemática de literatura. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 6, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2023-0343pt. Acesso em: 29 jul. 2025. |
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