DIAGNÓSTICO E CONTROLE DA ASMA E DPOC NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: UMA REVISÃO INTEGRATIVA  
1MARIA EDUARDA HAGA MATIUSSI, 2JULIA JASPER BUSETTI, 3EDUARDA COSTA DELFINO, 4EGUIMAR ROBERTO MARTINS
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) são condições respiratórias crônicas de alta prevalência, com impacto significativo na morbimortalidade global. No Brasil, essas doenças representam importante carga para o Sistema Único de Saúde (SUS), exigindo estratégias efetivas de diagnóstico e manejo, principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS). A sobreposição asma-DPOC (ACO) acrescenta complexidade ao diagnóstico, reforçando a necessidade de protocolos claros. A utilização da espirometria e a implementação de intervenções farmacológicas e não farmacológicas constituem pilares essenciais no controle dessas doenças. 
Objetivo: Analisar as recomendações atuais para diagnóstico e controle da asma, DPOC e sobreposição (ACO) na APS, com base em diretrizes nacionais, estudos clínicos e protocolos assistenciais.
Desenvolvimento: De acordo com o Núcleo Telessaúde SC (2023), a espirometria é considerada exame padrão-ouro para diferenciar asma, DPOC e ACO (Síndrome de Sobreposição Asma-DPOC), devendo estar disponível na APS. O documento destaca a importância de medidas não farmacológicas, como cessação do tabagismo, vacinação (influenza, pneumocócica, COVID-19) e reabilitação pulmonar. No estudo de Seixas (2024), observou-se prevalência de 9,8% de ACO em pacientes asmáticos com histórico tabágico, principalmente em mulheres com comorbidades cardiovasculares, ressaltando a necessidade de investigação sistemática dessa sobreposição. O Jornal Brasileiro de Pneumologia (2021) complementa ao demonstrar que a reversibilidade isolada ao broncodilatador não basta para caracterizar ACO, sendo indispensável avaliação multifatorial, incluindo história clínica, eosinofilia e resposta funcional. Segundo Santos (2010), os objetivos primários no tratamento da asma consistem em alívio dos sintomas, normalização da função pulmonar, prevenção de exacerbações agudas e diminuição da hiper responsividade da via aérea, na DPOC os alvos são, em sua maior parte, iguais. Sendo os medicamentos instituídos para tratar as duas condições: Corticosteróides inalatórios, betabloqueadores de longa duração, imunomoduladores, anti-colinérgicos e outros. Por fim, o projeto da USP (2024) evidenciou que intervenções farmacêuticas e educativas aumentam a adesão terapêutica e corrigem falhas na técnica inalatória, fundamentais para o controle clínico. Esses achados convergem para a necessidade de abordagem integrada, com ênfase em diagnóstico funcional, estratificação de risco e ações educativas contínuas na APS.
Conclusão: O manejo adequado da asma, DPOC e ACO na APS depende da disponibilidade de espirometria, protocolos clínicos baseados em evidências e estratégias de educação em saúde. A integração entre equipe multiprofissional, uso racional de medicamentos e promoção de medidas não farmacológicas são determinantes para o controle dessas doenças e redução da morbimortalidade. Investimentos em capacitação profissional e ampliação do acesso a exames diagnósticos são essenciais para fortalecer a atenção primária.
Referências:
QUEIROZ, Ana Paula Adriano et al. Características clínicas, laboratoriais e funcionais da sobreposição asma-DPOC em pacientes previamente diagnosticados com DPOC. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 47, n. 1, e20200033, 2021. DOI: 10.36416/1806-3756/e20200033. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbpneu/a/m6Tbt5vkZmmLMDyML54Hg4j/?format=pdf&lang=pt 
NÚCLEO TELESSAÚDE SC. Qual o tratamento para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) na APS?. Florianópolis, 2023. Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/qual-o-tratamento-para-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica-dpoc-na-aps-2/. 
SEIXAS, Ana Cláudia dos Santos. Identificação e caracterização de indivíduos com sobreposição asma-DPOC acompanhados em um ambulatório de asma em hospital terciário. 2024. 71 f. Dissertação (Mestrado em Clínica Médica) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2024. DOI: 10.11606/D.17.2024.tde-20022025-134329. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-20022025-134329/pt-br.php. 
SANTOS, Daiane de Oliveira. Impacto da atenção farmacêutica na avaliação da técnica inalatória, aderência ao tratamento, controle clínico e qualidade de vida em portadores de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). 2010. 107 p. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. DOI: https://doi.org/10.11606/D.5.2010.tde-03112010-171418. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-03112010-171418/pt-br.php.