RIZOBACTÉRIAS SOLUBILIZADORAS DE FERRO E ALUMÍNIO 
 
 
1CAROLINE VERGENTIN PRADO, 2KECILLY NOGUEIRA MARTINS, 3MATHEUS CALDERON RODRIGUES, 4LUANNA PAULA LOPES, 5GLACY JAQUELINE DA SILVA
1Acadêmico bolsista do PIBIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Engenharia Agronomica da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Engenharia Agronomica da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Mestrado Em Biotecnologia Aplicada à Agricultura da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A agricultura brasileira apresenta forte dependência de insumos sintéticos para sustentar sua alta demanda de produção. Entretanto, parte significativa desses nutrientes pode ser perdida devido a processos como volatilização, imobilização e transformações biogeoquímicas, o que contribui para o esgotamento das reservas naturais de fósforo e para a ocorrência de adsorção e precipitação no solo (SILVIA A. M. et al., 2022; SANTORO, 2024). O fósforo (P) é um componente estrutural de biomoléculas essenciais, onde o fosfato geralmente fica preso nos horizontes da superfície do solo, que ao se ligar aos óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al) se torna indisponível para a planta. O Fe é essencial à fotossíntese e ao metabolismo energético, onde a ferrihidrita, é um dos hidróxidos de Fe mais eficientes na retenção de P, devido ao pequeno tamanho de suas partículas (SANTORO, 2024; TAIZ, L. et al., 2024). As rizobactérias promotoras de crescimento de plantas (RPCP), colonizam a rizosfera ao redor das raízes das plantas, desempenhando um papel vital no crescimento e desenvolvimento vegetal (BOTELHO, G. R.; BRASIL, M., 2023). Elas destacam-se por solubilizar fosfatos de Fe e Al, liberando nutrientes antes indisponíveis. Esses microrganismos produzem ácidos orgânicos, enzimas e sideróforos capazes de quelar Fe³⁺ e disponibilizá-lo às plantas, favorecendo a respiração celular e a síntese de DNA (BOTELHO, G. R.; TAIZ, L. et al., 2024). Assim, o uso de rizobactérias como bioinsumos torna-se uma alternativa sustentável para melhorar a fertilidade e crescimento vegetal saudável.
Objetivo: Caracterizar 21 cepas bacterianas isoladas nos nódulos ativos de A. mearnsii quanto a capacidade de solubilização de fosfato de ferro e fosfato de alumínio.
Material e Métodos: Cultivou-se 21 isolados bacterianos em placas de Petri utilizando meio YM por 7 dias a uma temperatura de 28 ºC ± 2 ºC. Após esse período de incubação, inoculou-se alíquotas de cada isolado em tubos de Falcon com YM líquido modificado, onde houve a substituição da fonte padrão de açúcar por manitol na concentração de 10 g/L-1. As culturas foram submetidas à agitação contínua a 120 rpm e mantidas a 28 ºC por mais 48 horas. Os isolados bacterianos foram incubados e submetidos à agitação contínua a 120 rpm, mantendo a temperatura de 28 ºC por 48 horas em meio NBRIP modificado (Nautiyal, 1999), visando a solubilização de fosfato de ferro e fosfato de alumínio. Após este período, as amostras foram centrifugadas a 10.000 rpm durante 10 minutos. Posteriormente, coletou-se 1 mL do sobrenadante e este foi transferido para um tubo de Falcon, o qual homogeneizou-se com 1 mL de solução reagente de molibdato de amônio e incubado por 30 minutos à temperatura ambiente. Após esse tempo, coletou-se 100 µL de cada amostra e depositou-se em uma microplaca de 96 poços de fundo chato, para medição espectrofotométrica em absorbância de 880 nm, utilizando um leitor de Elisa, para então realizar o cálculo da concentração de fosfato.
Discussão: Os resultados deste estudo indicaram que, das 21 cepas analisadas, todas apresentaram capacidade semelhante de solubilização do fosfato de ferro, com valores médios variando entre A17 (0,256 ± 0,074) e A33 (0,471 ± 0,003). Não houve diferença estatística entre as cepas para fosfato de ferro. Em relação ao fosfato de alumínio, embora todas as cepas também tenham demonstrado capacidade de solubilização, observaram-se diferenças expressivas nas concentrações obtidas, variando desde A68 (média de 0,12 ± 0,09 mg/L) até A92 (média de 0,32 ± 0,01 mg/L). A análise de médias permitiu a separação das cepas em dois grupos distintos: A92 A84 compuseram o grupo de maior solubilização, enquanto as demais se agruparam no segundo grupo, sem diferenças estatísticas significativas entre si. Esses resultados demonstram potencial desses microrganismos para substituição ou complementação de fertilizantes químicos, pois destaca-se alto potencial como biofertilizante. Segundo Akplo (2025), os microrganismos capazes de solubilizar fosfato que encontram-se indisponivel no solo, atuam na produção de ácidos orgânicos e extrusão de prótons (H+), que acidificam o meio ao redor das raízes fazendo com que aconteça a liberação de fósforo para a planta, isso consequentemente ativa o metabolismo vegetal que faz com que a planta cresça com vigor e produtividade.
Conclusão: O uso de rizobactérias solubilizadoras de fosfato é uma alternativa eficaz e sustentável para a agricultura moderna quando comparada ao uso de fertilizantes fosfatados, pois esses microrganismos proporcionam a plantas nutrientes essenciais para seu desenvolvimento. 
Referências:
AKPLO, Tobi Moriaque et al. Phosphate solubilization and mobilization: bacteria–mycorrhiza interactions. Letters in Applied Microbiology, v. 78, n. 8, p. ovaf105, 2025. 
BOTELHO, G. R.; BRASIL, M. Rizobactérias: uma visão geral da importância para plantas e agrossistemas. Ambientes em Movimento, 2023.  
NAUTIYAL, C. S. (1999). An efficient microbiological growth medium for screening phosphate solubilizing microorganisms. FEMS Microbiology Letters, 170(1), 265-270.
SILVA, Mariana Aguiar et al. Rizobactérias multifuncionais: utilização na agricultura. Research, Society and Development, v. 11, n. 4, p. e3111426971-e3111426971, 2022.   
SANTORO, Verônica; SCHIAVON, Michela; CELI, Luisella. Papel dos processos abióticos do solo na disponibilidade de fósforo e nas respostas das plantas, com foco em estrigolactonas em tomateiros. Plant and Soil , v. 494, n. 1, p. 1-49, 2024.
TAIZ, L. et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2024.