SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: UM DESAFIO NEUROLÓGICO E DE SAÚDE PÚBLICA  
1GUILHERME HENRIQUE DE OLIVEIRA, 2ISABELA DOS SANTOS MARTINS, 3HELOÍSA DA SILVA MARÍN, 4HELLEN TAYS DA SILVA, 5JOAO RICARDO CRAY DA COSTA
1Discente do curso de Fisioterapia da Universidade Paranaense
2Discente do curso de Fisioterapia da Universidade Paranaense
3Discente do curso de Fisioterapia da Universidade Paranaense
4Discente do curso de Fisioterapia da Universidade Paranaense
5Docente da UNIPAR
Introdução: A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca equivocadamente os nervos periféricos, responsáveis pela condução dos impulsos entre o sistema nervoso central e o restante do corpo. Em muitos casos, a SGB é precedida por infecções respiratórias, gastrointestinais ou virais, incluindo o vírus Zika. Conforme Jacobs e Van Doorn (2016), o sistema imunológico pode confundir estruturas nervosas com patógenos, resultando em desmielinização ou lesão axonal. Clinicamente, manifesta-se por fraqueza muscular simétrica de progressão ascendente e arreflexia, podendo evoluir para insuficiência respiratória. Por se tratar de emergência neurológica, o diagnóstico precoce e o tratamento imediato são fundamentais para reduzir complicações e acelerar a recuperação. 
Objetivo: Analisar os aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos da SGB, enfatizando sua relevância em saúde pública e a importância do diagnóstico e tratamento precoce. 
Desenvolvimento: A SGB exige abordagem cuidadosa no diagnóstico e tratamento. A polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda (AIDP) é o subtipo mais frequente na Europa e nas Américas, enquanto neuropatias axonais motora e sensório-motora ocorrem com maior frequência em outras regiões (Costa, 2016). Inicialmente, os sintomas incluem fraqueza nas pernas, podendo evoluir para braços, músculos faciais e respiratórios, acompanhada de parestesias, dor neuropática e alterações autonômicas, como instabilidade da pressão arterial e arritmias (Chaimowicz, 2024). O diagnóstico baseia-se na observação clínica, complementada por eletroneuromiografia, que avalia desmielinização ou degeneração axonal, e análise do líquor, que frequentemente evidencia aumento de proteínas sem aumento de células, característica denominada dissociação albumino-citológica (Leonhard et al., 2019; Finsterer, 2022; Nguyen; Taylor, 2023). O sistema imunológico produz anticorpos para combater infecções; entretanto, alguns atacam inadvertidamente estruturas nervosas, como gânglios GM1, GD1a e GQ1B (Verboon, 2017), o que explica a diversidade de sintomas. Certos anticorpos associam-se a subtipos específicos, como o anti-GQ1B na Síndrome de Miller-Fisher. No entanto, exames de sangue para detecção de anticorpos têm sensibilidade e especificidade limitadas. A fisiopatologia da AIDP, tipo mais comum nos Estados Unidos, ainda não é totalmente esclarecida. Instrumentos prognósticos, como o escore de desfecho Erasmus GBS, auxiliam na identificação precoce de pacientes em maior risco, permitindo considerar tratamentos adicionais. O manejo inclui imunoterapia — plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa, suporte ventilatório quando necessário e reabilitação motora, essenciais para recuperar força e funcionalidade (Willison; Jacobs; Van Doorn, 2016). A SGB representa desafio de saúde pública, especialmente em surtos de vírus como o Zika, exigindo profissionais capacitados e sistemas de vigilância eficientes (Brasil, 2017). Apesar da gravidade, a maioria dos pacientes apresenta recuperação parcial ou total, embora sequelas motoras e sintomas residuais possam persistir (Leonhard, 2019). 
Conclusão: A SGB, embora rara, é condição neurológica grave que requer diagnóstico rápido, tratamento adequado e reabilitação multiprofissional. A atuação integrada de médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais é essencial para prevenir complicações e favorecer a recuperação. Além disso, o fortalecimento de ações de saúde pública é fundamental para o monitoramento e manejo da síndrome, especialmente durante surtos virais.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central. Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br. Acesso em: 29 ago. 2025 
CHAIMOWICZ, B. de F. et al. Síndrome de Guillain-Barré. Revista Foco, v. 17, n. 8, e5824, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n8-030. Acesso em: 29 ago. 2025. 
COSTA, A. C. D. Síndrome de Guillain-Barré: uma revisão integrativa de literatura e de dados do Sistema Único de Saúde. 2016. 37 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Gestão em Saúde Coletiva) – Universidade de Brasília, Brasília, 2016. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/xxx. Acesso em: 29 ago. 2025. 
LEONHARD, S. E. et al. Diagnóstico e tratamento da síndrome de Guillain-Barré em dez etapas. Nature Reviews Neurology, v. 15, n. 11, 2019. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/69682. Acesso em: 29 ago. 2025. 
NGUYEN, T. P.; TAYLOR, R. S. Síndrome de Guillain-Barré. StatPearls, 7 fev. 2023. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/69682. Acesso em: 29 ago. 2025. WILLISON, H. J.; JACOBS, B. C.; VAN DOORN, P. A. Síndrome de Guillain-Barré. Lancet, v. 388, p. 717–727, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26948435/. Acesso em: 28 ago. 2025. 
VERBOON, C.; VAN DOORN, P. A.; JACOBS, B. C. Dilemas de Tratamento na Síndrome de Guillain-Barré. Journal of Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry, p. 346–352, 2017. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/view/5824/4234. Acesso em: 29 ago. 2025. 
WILLISON, H. J.; JACOBS, B. C.; VAN DOORN, P. A. Síndrome de Guillain-Barré. Lancet, v. 388, p. 717–727, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26948435/. Acesso em: 28 ago. 2025.