ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DO CÂNCER DE PÂNCREAS EM MUNICÍPIOS DA 8ª REGIONAL DE SAÚDE DO PARANÁ: ÓBITOS E TAXA DE MORTALIDADE  
1DYENIFFER LIDIA CABRAL, 2ELUIZA TEREBINTO, 3ANGELA ARIANE DALZOTO GRANISKA RIBAS
1Acadêmica do curso de Enfermagem da Unipar
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: O pâncreas é um elemento situado atrás do estômago, que quando saudável pode ter aproximadamente 15 cm de comprimento e não mais que 5 cm de largura. Grande parte do órgão é formado por células exócrinas, as quais são responsáveis por produzir enzimas pancreáticas que quando liberadas no intestino auxiliam na digestão de alimentos. Ademais, além das células exócrinas, encontram-se no pâncreas as endócrinas, tendo como finalidade produzir insulina e glucagon que são considerados hormônios essenciais no organismo. É de suma importância ressaltar que existem múltiplos fatores ligados ao desenvolvimento do câncer de pâncreas, como o tabagismo, hereditariedade, obesidade, diabetes mellitus, alimentação gordurosa, alcoolismo, entre outros, são fatores que acabam desencadeando o surgimento desta neoplasia (Neto et al., 2022., Chielle et al., 2018).
Objetivo: O presente estudo visa quantificar e analisar os óbitos e taxa de mortalidade por câncer de pâncreas em municípios de 8ª Regional de Saúde do Paraná; Identificar o perfil dos pacientes que vieram à óbito por câncer de pâncreas com base em faixa etária, sexo, raça/cor e escolaridade.
Material e métodos: A coleta de dados ocorreu por meio de análise das informações relacionadas aos casos de óbito por câncer de pâncreas feitas à 8ª Regional de Saúde e disponíveis on-line no site TabNet da Secretaria Estadual da Saúde do Paraná (Sesa).
Resultados: Observa-se que a maior representatividade dos óbitos ocorreu entre as pessoas com idade superior a 65 anos, representando 70,9% do total dos casos. As faixas etárias de 55 à 64 anos e 45 à 54 anos também apresentam destaque, com 21,8% e 6,8% respectivamente. Ademais, segue indivíduos de 35 à 44 anos com 0,4%.
Os dados mostram que pessoas do sexo masculino representaram 55,1% dos óbitos por câncer de pâncreas. Enquanto as pessoas do sexo feminino representam 44,9% do total de óbitos.  A divisão dos óbitos segundo raça/cor revela que o grupo da raça Branca foi o mais afetado, concentrando 86,2% dos casos. Em seguida, os grupos de raça Parda e Preta apresentaram 12,1% e 1,7% dos casos, respectivamente. Além disso, foram registrados 2 óbitos de raça/cor não informados.
Os dados coletados indicam que indivíduos com 1 à 3 anos de escolaridade representam 43,9% dos casos de óbitos por câncer de pâncreas entre 2019 e 2024. Na sequência da análise, verificou-se que 25,7% dos indivíduos apresentavam entre 4 à 7 anos de escolaridade; 13,1% possuíam entre 8 à 11 anos de estudo; 12,6% não tinham nenhum nível de escolaridade formal; e apenas 4,7% apresentavam escolaridade superior a 12 anos. Cabe ressaltar que 4 óbitos não constavam dados sobre a escolaridade.
Discussão: Referente à faixa etária, observa-se que o número de óbitos relacionado ao câncer de pâncreas foi mais prevalente nas pessoas com idade superior a 65 anos, representando 70,9% do total dos casos. Este resultado vai ao encontro das conclusões de Pinheiro et al (2025), o qual afirma que os pacientes com 60 a 69 anos foram os mais acometidos por essa neoplasia com 31,57% do total de casos, esse fator pode estar relacionado ao aumento da expectativa de vida na atual população.
Em relação ao sexo, é possível observar maior prevalência no sexo masculino. Dessa maneira, o presente estudo sustenta a afirmação de Coelho et al (2024) no qual indica que o sexo masculino se sobressaiu em relação às maiores incidências de mortalidade. Isso ocorre devido ao fato de homens não terem a prática de buscarem atendimento médico de modo preventivo, além do menor cuidado com hábitos de vida.
Assim como evidenciado na pesquisa, o autor Toro et al (2025) também identificou uma alta porcentagem de óbitos relacionados ao câncer de pâncreas em pacientes pertencentes à raça branca. Um grande contribuinte para esse fator é a diversidade genética e molecular analisada entre as raças.
No que diz respeito ao nível escolar, a presente pesquisa verificou que indivíduos que estudaram de 1 a 3 anos, representam o grupo com maior taxa de mortalidade devido a neoplasia pancreática. Tais evidências estão em consonância com o estudo de Mariano et al (2023), o qual demonstrou que o estado com maior índice de internações registra 12,7% de pacientes sem escolaridade, o que denota limitações no nível educacional dessa população.
Conclusão: O presente estudo permitiu identificar o perfil epidemiológico dos pacientes que evoluíram a óbito por câncer de pâncreas nos municípios da 8ª Regional de Saúde do Paraná, considerando variáveis como faixa etária, sexo, raça/cor e escolaridade. Os resultados confirmam a alta letalidade dessa neoplasia, frequentemente diagnosticada em estágios avançados, o que limita as possibilidades de tratamento e contribui para a elevada mortalidade. Evidenciou-se ainda que desigualdades sociais e educacionais podem impactar diretamente no acesso a informações de saúde e na compreensão da importância do diagnóstico precoce, reforçando a necessidade de um olhar ampliado para os determinantes sociais que influenciam o processo saúde-doença.
Referências:
CHIELLE, E. O.; KUIAVA, V. A. Epidemiologia do câncer de pâncreas na região Sul do Brasil: estudo da base de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Revista de Atenção à Saúde, v. 16, n. 56, p. 32-39, 2018. Disponível em: https://seer.uscs.edu.br/index.php/revista_ciencias_saude/article/view/4944.  Acesso em: 09 de abril de 2024.
COELHO, N. C. et al. Estudo da mortalidade por neoplasia maligna do pâncreas no Brasil entre 2018 e 2022. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 6, p. 3843-3851, 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/14606. Acesso em: 19 de agosto de 2025.
MARIANO, M. E. T. et al. Perfil epidemiológico da neoplasia maligna de pâncreas em adultos no Brasil entre 2017 a 2022. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 5, n. 5, p. 6444-6453, 2023. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/1159. Acesso em: 19 de agosto de 2025.
NETO, S. C. P.; FERRAZ, A. R. Análise Epidemiológica Do Câncer De Pâncreas Na População Acima De 20 Anos Do Sudeste Nos Últimos 5 Anos. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 9, p. 284-293, 2022. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/6725. Acesso em: 09 de abril de 2024.
PINHEIRO, G. B. et al. Perfil Epidemiológico da Neoplasia Maligna de Pâncreas no Brasil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 2072-2089, 2025. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/5537. Acesso em: 29 de julho de 2025.
TORO, G. B. S. et al. Estudo epidemiológico sobre neoplasias de pâncreas realizado no período de 2023-2024 no Paraná. Revista Contemporânea, v. 5, n. 8, p. e8824-e8824, 2025. Disponível em: https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/8824. Acesso em: 19 de agosto de 2025.