APLICAÇÃO DE BIOESTIMULANTE VEGETAL A BASE DE AMINOÁCIDOS NA PROMOÇÃO DO CRESCIMENTO DE PLANTAS DE FEIJÃO-COMUM SUBMETIDAS AO DÉFICIT HÍDRICO
1ANDERSON ITALO DALLA SANTA, 2EVANDRO SCHRIPPE WEBER, 3GUILHERME AUGUSTO BOES SACKSER, 4ANDRE SILAS LIMA SILVA, 5FERNANDO MATEUS GERLING, 6VANDEIR FRANCISCO GUIMARÃES
1Docente no Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
2Egresso do curso Agronomia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
3Discente no Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
4Discente no Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
5Discente no Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
6Docente no Programa de Pós-Graduação em Agronomia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste).
Introdução: O feijão-comum é cultivado em todo o território brasileiro, podendo atravessar diversas situações de estresses ambientais ao longo do seu ciclo, sendo o déficit hídrico um dos principais responsáveis pela redução do rendimento da cultura (NEMESKÉRI et al., 2018). Uma das formas de mitigar os efeitos negativos gerados pelo déficit hídrico é por meio da aplicação de bioestimulantes vegetais a base de aminoácidos, que auxiliam o sistema de defesa da planta a superar esses estresses abióticos (GALVÃO et al., 2019). Dentre os efeitos do uso de aminoácidos em períodos de estresse, pode-se citar o ajuste osmótico e função sinalizadora para o sistema antioxidante da planta, promovendo a redução da desidratação celular e proteção das membranas (DARYANTO et al., 2015; HAYAT et al., 2012). Este trabalho parte da hipótese que a aplicação de um complexo nutricional de aminoácidos em sua composição mitiga efeitos deletérios decorrentes do déficit hídrico em plantas de feijão comum.  
Objetivo: Avaliar a eficácia da aplicação foliar de produtos à base de aminoácidos na promoção do crescimento da cultura do feijoeiro-comum submetido ao déficit hídrico.
Material e MétodosO experimento foi conduzido em condição de vasos na Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, Campus de Marechal Cândido Rondon – PR. Para a implantação foram utilizados vasos com 8 dm3 e substrato proveniente do horizonte A de um LATOSSOLO VERMELHO eutroférrico. A semeadura sucedeu-se no dia 16/04/2024 utilizando a cultivar IPR Sábia, mantendo 2 plantas por vaso após a emissão das folhas unifoliadas. O ensaio foi instalado em delineamento de blocos ao acaso com cinco tratamentos e cinco repetições. Os tratamentos compostos da aplicação do bioestimulante consistiram em: T1 – Testemunha sem déficit hídrico e sem aplicação (controle irrigado); T2 – Testemunha com déficit hídrico e sem aplicação (controle seco); T3 – Aplicação em estádio V4 (4,0 L ha-1); T4 – Aplicação em estádio V4 (8,0 L ha-1); T5 – Aplicação em estádio V4 e R5 (4,0 L ha-1). O turno de rega foi estabelecido no período da manhã e a lâmina de irrigação foi calculada com base na capacidade de campo e no ponto de murcha permanente do solo. A aplicação dos bioestimulantes foi realizada com auxílio de um pulverizador costal, quando a insolação e temperatura eram adequadas. Quando as plantas alcançaram o estádio fenológico de R6 (40 dias após a semeadura), teve-se a imposição do déficit hídrico. Ao final da reidratação das plantas, mensurou-se as variáveis biométricas a partir da altura de plantas e coleta da parte aérea e raiz. Em seguida, determinou-se a área foliar (AF), massa seca foliar (MSF), massa seca do caule (MSC), massa seca de parte aérea (MSPA) e massa seca da raiz (MSR), expressas em gramas (g planta-1). Os resultados foram submetidos à análise de variância e comparados pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade de erro.  
Resultados: Para as variáveis altura de plantas (ALT), área foliar (AF), massa seca total (MST), massa seca foliar (MSF), massa seca do caule (MSC) e massa seca da parte aérea (MSPA) houve efeito significativo dos tratamentos. Por outro lado, a massa seca de raiz (MSR) não apresentou diferença significativa. Todos os tratamentos submetidos ao déficit hídrico apresentaram abscisão foliar. Entretanto, a aplicação do bioestimulante em V4 e R5 (T5) amenizou a redução foliar ocasionada pelo déficit hídrico em relação as plantas sem a aplicação do bioestimulante (Controle Seco). Da mesma maneira, a massa seca do caule (MSC), massa seca de parte aérea (MSPA) e massa seca total (MST) assemelhou-se com a dinâmica observada para a variável de altura de plantas. No entanto, a aplicação do bioestimulante em V4 e R5 (T5) proporcionou maior massa seca foliar em relação a todos os tratamentos, com exceção ao controle irrigado (T1). A variável de massa seca da raiz (MSR) não foi afetada pela restrição hídrica. Os tratamentos com restrição hídrica, apresentaram em média redução de 7,7 gramas (27%) da massa seca total (MST) quando comparadas com o tratamento controle irrigado (T1), reflexo do menor acúmulo de MSPA observada nos tratamentos com a restrição hídrica.  
Discussão: A paralisação do crescimento e abscisão foliar observados nas plantas submetidas ao déficit hídrico podem estar associadas a diminuição da assimilação liquida de CO2 e alteração no balanço hormonal das plantas, com aumento de hormônios relacionados a senescência como etileno e ABA, e diminuição de hormônios como a auxina, responsáveis pelo crescimento (TAIZ et al., 2017). Além disso, outro fator que pode explicar a abscisão foliar durante o estresse é a formação de espécies reativas de oxigênio ao final da cadeia transportadora de elétrons no cloroplasto (BARBOSA, et al., 2014). A aplicação de bioestimulantes compostos de aminoácidos é capaz de promover o crescimento vegetal em condições de disponibilidade ou deficiência hídrica, auxiliando na manutenção de componentes do rendimento como altura de plantas, número de folhas, peso foliar e área foliar (KOCIRA et al., 2020; TAHIRI et al., 2024).   
Conclusão: A aplicação de bioestimulante a base de aminoácidos é capaz de mitigar efeitos decorrentes do déficit hídrico e favorecer a promoção do crescimento das plantas de feijão-comum. 
Referências:
BARBOSA, M.R.; WILLADINO, L.; SILVA, M.M.A.; ULISSES, C.; CAMARA, T.R. Geração e desintoxicação enzimática de espécies reativas de oxigênio em plantas. Ciência Rural, v.44, n.3, 2014.
DARYANTO, S.; WANG, L.; JACINTHE, P.A. Global Synthesis of Drought Effects on Food Legume Production. PLoS One, v.10, n.6, 2015.
GALVÃO, Í. M.; DOS SANTOS, O. F.; DE SOUZA, M. L. C.; DE JESUS GUIMARÃES, J.; KÜHN, I. E.; BROETTO, F. Biostimulants action in common bean crop submitted to water deficit. Agricultural Water Management, v. 225, p. 105762, 2019.
HAYAT, S.; HAYAT, Q.; ALYEMENI, M.N.; WANI, A.S.; PICHTEL, J.; AHMAD, A. Role of proline under changing environments. Plant signaling & behavior, v.7, n.11, p.1456-1466, 2012.
KOCIRA, A., LAMORSKA, J., KORNAS, R., NOWOSAD, N., TOMASZEWSKA, M., LESZCZYŃSKA, D., TABOR, S. Changes in biochemistry and yield in response to biostimulants applied in bean (Phaseolus vulgaris L.). Agronomy, v. 10, n. 2, p. 189, 2020.
NEMESKÉRI, E.; MOLNÁR, K.; PÉK, Z.; HELYES, L. Effect of water supply on the water use-related physiological traits and yield of snap beans in dry seasons. Irrigation Science, v. 36, n. 3, p. 143-158, 2018.
TAHIRI, H., EL AMRAOUI, K., EL OIHABI, M., & KHADMAOUI, A. Effect of biostimulants on growth and production parameters of green beans (Phaseolus vulgaris L.) cultivated under North African climate. Journal of the Saudi Society of Agricultural Sciences, v. 23, n. 5, p. 384-391, 2024.
TAIZ, L.; ZEIGER, E.; MOLLER, I. M.; MURPHY, A. Fisiologia e Desenvolvimento vegetal, 6ª ed, Porto Alegre, RS: Editora Artmed, 2017.