Morinda citrifolia L.: SABERES TRADICIONAIS, APLICAÇÕES ATUAIS E DIREÇÕES FUTURAS  
1JAQUELINE DE BORTOLI SHIRABAYASHI, 2ROBERTA FERNANDA ROGONNI FERRARI, 3EDILSON RODRIGUES ALBUQUERQUE, 4VIVIAN CAMPOS PEREIRA, 5MARYEL CRISTIN SEDOVSKI, 6FRANCISLAINE APARECIDA DOS REIS LÍVERO
1Doutoranda no Programa de Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos - Taxista Prosup/CAPES UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos - Turma VII da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente do Programa de Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos – UNIPAR
Introdução: As terapias com plantas medicinais exercem papel fundamental na atenção primária à saúde, ao integrarem saberes tradicionais e evidências científicas (PATRÍCIO et al., 2022). Entre essas plantas, destaca-se Morinda citrifolia L., da família Rubiaceae, nativa da Indonésia e amplamente difundida em regiões tropicais e litorâneas devido à sua adaptabilidade (RODRIGUES et al., 2012). Popularmente conhecida como noni ou amora-indiana, essa espécie contém diversos compostos bioativos e é utilizada em diferentes contextos culturais e geográficos. Suas partes — frutos, folhas, raízes, caule, flores e cascas — são empregadas em preparações orais e tópicas no tratamento de múltiplas condições de saúde, como diabetes, distúrbios hepáticos, hemorroidas, tosse, úlceras gástricas, hipertensão, febre, náuseas, cólicas, queimaduras, aterosclerose, gota, esplenomegalia e sintomas de amigdalite (SINA et al., 2021).
Objetivo: Descrever, por meio de revisão bibliográfica, o uso popular e os efeitos farmacológicos da Morinda citrifolia L., bem como discutir suas perspectivas de aplicação futura.
Desenvolvimento: A M. citrifolia tem sido associada a diversas propriedades terapêuticas, incluindo atividades hepatoprotetora, antioxidante, antifúngica, antimicrobiana, antiangiogênica, hipolipemiante, hipoglicemiante e imunomoduladora. Seu uso ocorre tanto de forma isolada quanto em associação a fármacos convencionais, sendo comum sua incorporação como suplemento nutricional (FIRMO et al., 2011; MATTOS et al., 2018; PATRÍCIO et al., 2022). Evidências etnomédicas relatam o uso das folhas no tratamento de inflamações, dores abdominais, diarreia, infecções bacterianas e, em alguns contextos, como agente abortivo. Frutos verdes são tradicionalmente utilizados no manejo de halitose, dores dentárias, lesões orais, úlceras gástricas, distúrbios digestivos, infecções microbianas, cólicas menstruais e artrite (HOU et al., 2025). Já os frutos maduros são empregados contra parasitoses, infecções bacterianas e como agente emenagogo. A planta também é utilizada no tratamento de tuberculose, malária, helmintíases, infecções urinárias, distúrbios menstruais e doenças cardiovasculares (DIXON; HEATHER; NINA, 1999). Na forma de cataplasma, é amplamente empregada no alívio de diversas condições citadas anteriormente (SINA et al., 2021). No Brasil, a M. citrifolia é largamente incorporada à medicina popular, principalmente como recurso fitoterápico complementar em terapias oncológicas. Estudos recentes evidenciam sua ação sobre diferentes sistemas fisiológicos, o que justifica sua ampla utilização tanto na fitoterapia quanto no consumo direto pela população (LEMES; AMAIS; MOURA, 2020). Quanto aos efeitos farmacológicos, a planta apresenta destacada atividade antioxidante, especialmente nos frutos em diferentes estágios de maturação, associada à presença de compostos fenólicos como flavonoides, incluindo catequinas, com potencial para prevenir doenças relacionadas ao estresse oxidativo (ZIN et al., 2007). Além disso, investigações apontam seu potencial anti-inflamatório, sobretudo por meio da redução da produção de óxido nítrico, com destaque para o extrato aquoso das folhas, que demonstrou resultados promissores em modelos experimentais (SARAPHANCHOTIWITTHAYAA; SRIPALAKITB, 2015). Em estudo conduzido por Hong et al. (2019), foi utilizado extrato aquoso do fruto para avaliação da atividade imunomoduladora, utilizando abordagens in vitro, ex vivo e in vivo. Os resultados evidenciaram ativação de macrófagos, reforçando o potencial da espécie como agente imunoestimulante.
Conclusão: Morinda citrifolia destaca-se como planta medicinal acessível, com amplo espectro de aplicações terapêuticas, especialmente no manejo de doenças crônicas e inflamatórias. Seus efeitos farmacológicos, como atividades antioxidante, anti-inflamatória e imunomoduladora, sustentam seu uso recorrente em diversas práticas terapêuticas. No entanto, é fundamental cautela quanto à associação com medicamentos convencionais, dada a escassez de estudos sobre interações medicamentosas. Assim, faz-se necessária a realização de pesquisas mais aprofundadas que consolidem seu uso seguro e eficaz na prática clínica.
Referências:
DIXON, A. R.; HEATHER, M.; NINA, L. K. Ferment this: the transformation of Noni, a traditional Polynesian medicine (Morinda citrifolia, Rubiaceae). Ecol Bot. v.53, n.1, p.51-58, 1999.
FIRMO, W. C. A.; et al. Contexto histórico, uso popular e concepção científica sobre plantas medicinais. Cad Pesq. V.18, p.90-95, 2011.
HONG, Y. H.; et al. Morinda citrifolia noni water extract enhances innate and adaptive immune responses in healthy mice, ex vivo, and in vitro. Phytother Res., v. 33, n.3, p.676-689, 2019.
HOU, S.; et al. Morinda citrifolia L.: A comprehensive review on hpytochemistry, pharmacological effects, and antioxidant potential. Antioxidants, v.14, n.3, 2025.
LEMES, I. A.; AMAIS, L. B.; MOURA, F. J. D. Updating the evidence of Morinda citrifolia (NONI) in clinical practice. Braz. J. Hea. Rev., v.3, n.4, p.9991-10003, 2020.
MATTOS, G.; et al. Medicinal plants and herbal medicines in primary health care: the perception of the professionals. Ciência & Saúde Coletiva, v.23, n.11, p.3735-3744, 2018.
PATRÍCIOI, K. P.; et al. Medicinal plant use in primary health care: an integrative review. Ciência & Saúde Coletiva, v.27, n.2, p.677-686, 2022.
RODRIGUES, S. L.; et al. Characterization of Morinda citrifolia L. (noni) fruit. Rev Cubana Plantas Med., v.17, n.1, p.93-100,  2012.
SARAPHANCHOTIWITTHAYAA, A.; SRIPALAKITB, P. Anti-inflammatory effect of Morinda citrifolia leaf extract on macrophage RAW 264.7 cells. ScienceAsia, v.41, p.5-11, 2015.
SINA, H.; et al. Phytochemical composition and in vitro biological activities of Morinda citrifolia fruit juice. Saudi J Biol Sci., v.28, n.2, 2021.
ZIN, Z. M.; et al. Isolation and identification of antioxidative compound from fruit of mengkudu (Morinda citrifolia L.). Int J Food Prop., v.10, n.2, p.363-373, 2007