A EFICÁCIA DO ÁCIDO KOJICO NO TRATAMENTO DE HIPERCROMIAS CUTÂNEAS
1ISABELA APARECIDA MACHADO STACHESKI, 2MILENA DA SILVA LORENCETE
1Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmetica da Universidade Paranaense Campus Cascavel.
2Docente da UNIPAR
Introdução: O maior órgão do corpo humano é a pele, na qual desempenha um papel vital de barreira de proteção, regulação térmica e percepção sensorial. A pele é dividida em 7 camadas, classificadas em epiderme e derme, apoiadas sobre a hipoderme que é o tecido de sustentação da pele. As alterações desenvolvidas na pele, como as manchas, geram incômodos as pessoas em relação a sua autoestima. As hipercromias ocorrem pelo excesso de melanina produzida pelos melanócitos, resultando na pigmentação da pele com manchas escuras. As principais hipercromias são: Melasma (cloasma), efélides (sardas), lentigos solares, hipercromias pós-inflamatórias e hiperpigmentação periorbital (Baumann, 2004). Seu surgimento não tem uma causa especifica, considerada multifatorial, pois as manchas podem se desenvolver como resposta inflamatória de acnes, queimaduras, procedimentos estéticos agressivos como os peelings, a exposição solar excessiva e sem proteção, fatores hormonais, a gestação, o envelhecimento, alergias e irritações da pele. O ácido kójico é um despigmentante amplamente utilizado na dermatologia estética, com ação inibitória sobre a enzima tirosinase, fundamental na produção da melanina . Conhecido por ser um agente natural e derivado da fermentação do arroz, fungos como Aspergillus e Penicillium, encontrado em cosméticos para clareamento, pois ele age na uniformização do tom da pele e no clareamento de manchas escuras.(MONDAL et al., 2022)
Objetivo: Avaliar, mediante a revisão da literatura científica, a eficácia do ácido kójico no tratamento de hiperpigmentações cutâneas, como Melasma e manchas pós-inflamatórias, analisando seus mecanismos de ação, os possíveis efeitos adversos e perfil de segurança em comparação com outros agentes despigmentastes comumente usados na estética.
Desenvolvimento: O ácido kójico tem ação despigmentante e devido a sua formulação natural, não é irritativo a pele, atuando na inibição da melanogênese, no qual ele vai agir inibindo diretamente a enzima tirosinase bloqueando a síntese ao se ligar aos íons metálicos. Como a tirosinase é uma metalproteina, ela precisa de cobre para terminar o processo de quebra da Tirosina, e para romper a ligação o ácido kójico emprega efeito quelante sobre os íons de cobre, minimizando a produção da melanina. Esse processo contribui para a redução do estresse oxidativo que pode estimular a hiperpigmentação da pele e a diminuição da inflamação local, que reflete sobre as hipercromias pós-inflamatórias, como manchas após acne ou lesões.O ácido kójico e seus derivados demonstram múltiplas atividades biológicas além da ação despigmentante, como antioxidante, antiinflamatória e antimicrobiana, além de bom perfil de segurança nos estudos com humanos, nas concentrações testadas (Zilles, Dos Santos, Kulkamp‑Guerreiro & Contri, 2022). E pode ser usado em todos os tipos de pele inclusive fototipos mais altos.Entretanto, o ácido kójico também pode apresentar efeitos adversos no tratamento, como irritação cutânea em peles mais sensíveis, o risco de dermatite de contato em peles mais sensíveis, ressecamento e descamação, a hipopigmentação localizada, o uso do ácido kójico deve seguir as recomendações dermatológicas de forma individualizada, respondendo o tratamento de acordo com a porcentagem que for ser utilizada e forma de aplicação(PÉREZ et al., 2020). A combinação de ácido kójico com outros ativos, como ácido glicólico, vitamina C e hidroquinona, aumenta sua eficácia clareadora, atuando de forma sinérgica na uniformização do tom da pele. O ácido glicólico pode ser combinado para a renovação celular, a vitamina C para potencializar os efeitos antioxidantes, ou a hidroquinona para resultados mais rápidos de clareamento, entre outros agentes clareadores. A segurança do ácido kójico apresenta um menor risco de toxicidade, até mesmo quando usado por um prazo mais prolongado, em comparação a outros princípios ativos, como a hidroquinona que apesar de ter uma resposta de tratamento mais rápida e eficaz contém mais riscos sistêmicos e dermatológicos (Bandyopadhyay, 2009).
Conclusão: Portanto, o ácido kójico é um ótimo agente despigmentante que por meio da inibição da enzima tirosinase, fornece resultados satisfatórios no tratamento de hipercromias, com efeitos adversos mais suaves comparado com os outros princípios ativos clareadores. A resposta ao tratamento despigmentante depende de uma abordagem individualizada, considerando o tipo de pele, a causa da hiperpigmentação e a associação com outros ativos.
Referências:
BANDYOPADHYAY, D. Topical treatment of melasma. Indian Journal of Dermatology, v. 54, n. 4, p. 303–309, 2009. 
Baumann, L. M. D. (2004). Dermatologia Cosmética Princípios e Práticas. Revinter. 3-4 
Burnett, C. L.; Bergfeld, W. F.; Belsito, D. V. et al. (2010). Final report of the safety assessment of kojic acid as used in cosmetics. International Journal of Toxicology, 29(6 Suppl.), 244S–273S 
MONDAL, D. et al. Skin Depigmentation Mechanism and Review of Natural Products for Skin Lightening. Cosmetics, v. 9, n. 3, p. 64, 2022. 
Owolabi, J. O., et al. (2020). Effects of skin lightening cream agents – Hydroquinone and kojic acid, on the skin of adult female experimental rats. Toxicology Reports, ?, [páginas] 
ZILLES, A. C. D.; DOS SANTOS, D. M.; KULKAMP-GUERREIRO, I. C.; CONTRI, R. V. Biological activities and safety data of kojic acid and its derivatives: A review. Toxicology in Vitro, [S. l.], v. 77, p. 105307, 2022.