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| RARO CASO DE COLOBOMA DE ÍRIS COMPLETO E RESQUÍCIO DE MEMBRANA PUPILAR EM FELINO | |
| 1HEITOR HERINGER FREITAS, 2NATÁLIA FACHETTI BONGIOVANI, 3LAURA MONTEIRO DE CASTRO CONTI, 4TALITA MARIANA MORATA RAPOSO FERREIRA, 5DANIELA CAMPAGNOL, 6CRISTIANE DOS SANTOS HONSHO | |
| 1Médico Veterinário - Clínica Veterinária Aumigo, Vila Velha/ES. 2Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade Vila Velha (PPGCA/UVV), Vila Velha/ES 3DOCENTE UVV 4DOCENTE UVV 5DOCENTE UVV 6DOCENTE UVV |
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| Introdução: Coloboma refere-se amplamente a qualquer defeito tecidual congênito. Os de íris caracterizam-se por defeitos pupilares, mais comuns em cães do que em gatos (Cook, 2021). A persistência da membrana pupilar (PMP) é uma falha no adelgaçamento da membrana pupilar (MP), uma estrutura embriológica formada pelo mesoderma, que até a completa regressão, forma uma lâmina sólida de tecido que liga o espaço pupilar ao colarete da íris (Glaze et al., 2021). Relato de caso: Um gato macho, SRD, pesando 2,4 kg, escore corporal 4/9, e com idade aproximada de 8 meses, o qual foi resgatado, há cerca de 30 dias, passou por colega para avaliação clínica geral, não sendo observadas alterações no exame físico, exceto pela midríase paralítica da pupila esquerda. Foram realizados hemograma completo, bioquímicos para avaliação renal e hepática, e teste rápido para FIV e FeLV (Teste SNAP FIV/FeLV Combo Idexx), o qual foi positivo pra FIV, FeLV, os demais exames estavam livres de alterações. O paciente foi encaminhado para oftalmologista veterinário, com a suspeita de déficit visual em olho esquerdo. Ao exame oftálmico, constatou-se ausência do reflexo pupilar à luz (RPL) em olho esquerdo (OE), e presença no olho direito (OD), e presença do consensual em OE e ausência em OD. No reflexo de ofuscamento, a resposta observada em OE foi a discreta projeção da terceira pálpebra, enquanto OD o reflexo foi normal. O reflexo de ameaça foi positivo em ambos os olhos. O teste lacrimal de Schirmer (TLS-1) foi 12 mm/s em OE, e 14 mm/s em OD. A pressão intraocular, aferida com o tonômetro de rebote (iCare TonoVet Plus), registrou valores de 19 mmHg e 22 mmHg em OD e OE, respectivamente. Com auxílio de biomicroscópio, observou-se em OE ausência completa da íris no segmento entre 12h e 18h, na analogia com um relógio. Foi possível observar processos ciliares e ligamentos pectinatos entre 14h e 17h, bem como, um filamento de íris em região de 15h. No olho direito, observou-se resquício de membrana pupilar em região do colarete da íris, às 15h. À fundoscopia indireta não se observaram alterações dignas de nota. Discussão: A hipoplasia de espessura parcial, ou coloboma de íris incompleto, é o defeito de uma ou mais, mas não de todas, camadas da íris. O paciente em questão apresentava hipoplasia de espessura total, ou seja, coloboma completo da íris, o que é raro em felinos (Michael and Bernays, 2009). Nesses casos, os processos do corpo ciliar, as zônulas e o equador do cristalino podem ser visualizados, assim como fora verificado no paciente deste relato. Ainda, pequenos filamentos, remanescentes do músculo dilatador podem ser vistos preenchendo o espaço formado pelo defeito (Glaze et al., 2021). No paciente em questão foi identificado um único filamento, em região de 15h, o qual estava aderido à cápsula anterior do cristalino, o qual se presumiu ser o músculo dilatador da pupila. Colobomas que não se localizam na face ventral da íris são denominados de atípicos e são causados por anormalidades primárias na camada externa do cálice óptico (Cook, 2021), provavelmente o que ocorreu no caso deste felino. Além disso, podem estar associados a outros defeitos colobomatosos da pálpebra, coroide/esclera e disco óptico (Boot and Chahory, 2022), o que não fora identificado, macroscopicamente, neste paciente. Ainda, a ausência de constrição pupilar durante o RPL neste paciente foi justificada devido à ausência total do segmento lateral da íris, o que poderia ser interpretado erroneamente como ausência de RPL, entretanto, houve projeção da terceira pálpebra a fim de atenuar a entrada de estímulo luminoso. A PMP parece fios fibrosos de tecido semelhantes à íris que se estendem do colarete da íris a outras regiões do colarete, ou da íris para a cápsula anterior do cristalino, ou para superfície posterior da córnea, sendo incomum em gatos. Neste paciente, em OD, região de 15h, observou-se um único filamento de tecido semelhante ao da íris, provavelmente, decorrente da incompleta regressão dessa membrana ao nascimento (Hendrix, 2021). Segundo a literatura, a maioria dos casos de PMP coexistem em gatos domésticos com outras anomalias oculares, como lenticonus, hiperplasia persistente da túnica vascular do cristalino/vítreo primário e vários colobomas oculares, incluindo agenesia (Glaze et al., 2021), corroborando o observado neste relato. Conclusão: Má formações congênitas podem interferir na funcionalidade de estruturas oculares, e não necessariamente na visão. Assim, a avaliação da visão por oftalmologista veterinário é imprescindível. |
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| Referências: BOTT, M. M.; CHAHORY, S. Epidemiology and clinical presentation of feline presumed hereditary or breed-related ocular diseases in France: retrospective study of 129 cats. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 24, n. 12, p. 1274-1282, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10812340/. Acesso em: 16 set. 2025. COOK, C. S. Ocular embryology and congenital malformations. In: GELATT, K. N. (ed.). Veterinary ophthalmology. 6. ed. Hoboken: Wiley & Sons, 2021. p. 3-40. GLAZE, M. B.; MAGGS, D. J.; PLUMMER, C. E. Feline ophthalmology. In: GELATT, K. N. (ed.). Veterinary ophthalmology. 6. ed. Hoboken: Wiley & Sons, 2021. p. 1665-1840. HENDRIX, D. V. H. Diseases and surgery of the canine anterior uvea. In: GELATT, K. N. (ed.). Veterinary ophthalmology. 6. ed. Hoboken: Wiley & Sons, 2021. p. 1259-1316. MICHAEL, E.; BERNAYS, M. E. The cat with abnormal iris appearance. In: GUNN-MOORE, D. A. (ed.). Problem-based feline medicine. St. Louis: Saunders Elsevier, 2009. p. 1292-1306. |
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