A PALHAÇARIA COMO PRÁTICA EXTENSIONISTA DE HUMANIZAÇÃO E IMPACTO SOCIAL NO CONTEXTO HOSPITALAR
1RICARDO ENRIQUE GIMENES DA SILVA, 2ISABELLI VITORIA CICHOCKI, 3MARIANA MALVEZZI, 4ANA BEATRIZ COELHO CAVALINI, 5ALEXANDRE CESAR RODRIGUES DA SILVA, 6MARIA ELENA LIMA MARTINS
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A extensão universitária desempenha papel fundamental na formação acadêmica ao aproximar os estudantes das demandas reais da comunidade. Entre as iniciativas voltadas à área da saúde, a palhaçaria hospitalar tem se destacado como recurso de humanização do cuidado, favorecendo momentos de acolhimento e descontração no ambiente hospitalar. Ao integrar arte, escuta e sensibilidade, essa prática contribui para amenizar tensões, fortalecer vínculos e ampliar a compreensão do processo de saúde e doença. 
Objetivo: Analisar a contribuição de um projeto de extensão baseado na palhaçaria hospitalar para a promoção da humanização do cuidado em ambientes de saúde. 
Desenvolvimento: No curso de Medicina, a extensão universitária é parte indissociável da formação acadêmica, conforme previsto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (Brasil, 2014), pois possibilita a integração entre ensino, pesquisa e a realidade social. A humanização, entendida como processo baseado no respeito e na valorização da pessoa, exige a articulação entre competência técnica, ética e relacional, buscando não apenas a recuperação da saúde física, mas também a promoção do respeito, do direito, da generosidade e da expressão subjetiva (Rios, 2009). Nesse cenário, projetos extensionistas que utilizam a palhaçaria hospitalar assumem relevância, pois favorecem a escuta ativa e a criação de espaços de acolhimento, diminuindo a tensão no ambiente hospitalar e possibilitando experiências de alegria e esperança mesmo em situações adversas. O humor, nesse contexto, exerce efeitos reconhecidamente positivos, associados à redução da dor, a benefícios cardiovasculares e imunológicos, à diminuição do estresse e ao fortalecimento das habilidades sociais (Catapan; Oliveira; Rotta, 2019). Além disso, experiências já relatadas indicam que a palhaçaria como prática extensionista não beneficia apenas os pacientes, mas contribui também para a formação cidadã e solidária dos acadêmicos, reforçando o compromisso social da universidade e a função humanizadora da Medicina (Brandolim et al., 2021). É notório que existe um vácuo entre o cuidado em saúde e a promoção institucionalizada do bem-estar, que pode ser preenchido com ações artísticas, culturais e solidárias. Conforme a Lei 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, as Instituições de Ensino Superior (IES) devem proporcionar projetos que possam contribuir para o desenvolvimento de sua comunidade (Brasil, 1996). Tais iniciativas, de caráter multidisciplinar, vão além das visitas, abrangendo também campanhas de arrecadação de doações destinadas aos pacientes e hospitais, evidenciando um impacto social mais amplo. 
Conclusão: Este trabalho demonstra que o riso, o acolhimento e o bom humor são estratégias essenciais para a humanização no ambiente hospitalar. A prática da palhaçaria, ao proporcionar leveza e descontração, contribui diretamente para a saúde física e emocional, ajudando na redução da dor e do estresse, e fortalecendo os vínculos sociais. Além de ser uma prática terapêutica capaz de promover bem-estar, a atuação extensionista neste campo não apenas cumpre a função social da universidade, como também capacita os acadêmicos para a importância da humanização e do exercício da cidadania. Dessa forma, as iniciativas analisadas transformam o ambiente de cuidado em um espaço mais acolhedor, respeitoso e solidário.
Referências:
BRANDOLIM, Maycon Jorge et al. Uniparlhaços: o impacto social do projeto. Anais do Congresso de Extensão da Unipar, Umuarama, 2021. Disponível em: https://sisweb02.unipar.br/eventos/anais/5361/html/26701.html. Acesso em: 8 set. 2025.
BRASIL. LDB n.o 9.394 de 20 de dezembro de 1996. GOV. 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 08 ago. 2022.
BRASIL. Resolução CNE/CES no 3, de 20 de junho de 2014. Brasil, 2014. Disponível em: abre.ai/nufb. Acesso em: 28 jul. 2025.
CATAPAN, S. C; OLIVEIRA, W. F; ROTTA, T. M. Palhaçoterapia em ambiente hospitalar: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, n. 9, p. 3417 - 3429, set. 2019. DOI: 10.1590/1413-81232018249. 22832017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/fRb4SqQcHZ4MzTDNF4SD68z/?lang=pt. Acesso em: 29 ago. 2025.
RIOS, I. C. Humanização: a Essência da Ação Técnica e Ética nas Práticas de Saúde. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 33, n. 2, p 253 - 261, 2009. DOI: 10.1590/S0100-55022009000200013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/LwsQggyXBqqf8tW6nLd9N6v. Acesso em: 29 ago. 2025.