NOVAS DIRETRIZES DE RASTREAMENTO DO CÂNCER DO COLO UTERINO: O TESTE DE DNA-HPV COMO MÉTODO PRIMÁRIO  
1NELSON GABRYEL MENEZES TOTH, 2MARCO ANTÔNIO TODERO GALLI, 3PEDRO HENRIQUE MAIA SANTANA, 4RODRIGO JACHIMOWSKI BARBOSA
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: O câncer do colo do útero (CCU) é fortemente associado à infecção persistente por HPV de alto risco, especialmente os tipos 16 e 18, responsáveis por até 70% dos casos de câncer cervical. No Brasil, continua sendo a terceira neoplasia mais incidente entre as mulheres, com taxas de mortalidade significativas. Tradicionalmente, o rastreamento foi realizado por meio da citologia oncótica (Papanicolaou), porém este método apresenta sensibilidade reduzida, estimada em 30–40%. A importância do tema reside na transição de um método de rastreamento consolidado para uma nova tecnologia molecular, com potencial para reduzir significativamente a mortalidade e alinhar o Brasil às metas globais de saúde.
Objetivo: Revisar a literatura recente a respeito da transição do rastreamento citológico para o teste de DNA-HPV como método primário, enfatizando as mudanças ocorridas em 2025 e suas implicações no contexto brasileiro.
Desenvolvimento: Diretrizes internacionais recentes, como as da American Cancer Society (ACS, 2025), recomendam iniciar o rastreamento aos 25 anos com teste primário de HPV a cada 5 anos. A U.S. Preventive Services Task Force (USPSTF, 2024) reforça que o teste molecular deve ser considerado padrão, devido à maior sensibilidade na detecção de lesões precursoras. No Brasil, o rastreamento oportunista limitou a cobertura a cerca de 30% das mulheres, o que reduziu o impacto na mortalidade. A publicação do Manual INCA (2025) representa um marco, orientando gestores do SUS a implementarem o teste de DNA-HPV como rastreio primário, com citologia reflexa nos casos positivos. Evidências nacionais corroboram essa mudança: um estudo de Teixeira et al. (2024) observou que programas organizados com rastreamento molecular duplicaram a cobertura populacional e triplicaram a detecção de lesões de alto grau, quando comparados à citologia. Além disso, a autocoleta, já validada internacionalmente (USPSTF, 2024), foi incorporada ao protocolo brasileiro em 2025, ampliando o acesso de mulheres em áreas de difícil cobertura.
Conclusão: O rastreamento do CCU passa por uma transição histórica. O objetivo do trabalho foi alcançado ao demonstrar que o teste de DNA-HPV se mostra mais sensível e eficaz que a citologia, possibilitando intervalos mais longos entre rastreios e maior impacto na mortalidade. A incorporação pelo SUS e a adoção da autocoleta configuram avanços relevantes para a saúde pública, alinhando o Brasil à meta da OMS de eliminar o câncer cervical como problema de saúde até 2030.
Referências:
AMERICAN CANCER SOCIETY. Cervical Cancer Screening Guidelines. 2025. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
INCA – INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Manual de apoio à implementação do teste de DNA-HPV no SUS. Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
LOPES, V. B. Benefícios e desafios da incorporação de testes moleculares para detecção de HPV no SUS. 2024. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina) – Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Botucatu, 2024. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
MARTINS, T. R. Citologia líquida e teste molecular para HPV de alto risco. 2016. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
MENESES, A. J. S. et al. Diagnóstico do câncer de colo do útero: metodologias e atuação do biomédico. Braz J Implantol Health Sci, v. 7, n. 7, p. 531-551, 2025. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
PAULA, T. O. Avaliação do uso de testes moleculares baseados em HPV como rastreio primário. 2024. Monografia (Especialização em Saúde Pública) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2024. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
TEIXEIRA, J. C. et al. Implementation of population-based HPV screening in Brazil. Scientific Reports, v. 14, 71735, 2024. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.
U.S. PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE. Draft Recommendation Statement: Cervical Cancer Screening. 2024. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2025.