USO TERAPÊUTICO DO CANABIDIOL EM IDOSOS  
1SHEYLA FERREIRA DOS SANTOS COSTA, 2JANINE MICKELE SILVA POLETTO, 3MYKAELLA MAYARA DE SOUZA VILGINO, 4ANA BEATRIZ BENICIO DUARTE, 5LIBERATO BRUM JUNIOR
1Acadêmica do curso de psicologia da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A Cannabis é utilizada desde a época antiga por diferentes culturas, principalmente por seus efeitos medicinais. Na Idade Média, a Cannabis sativa era recomendada para algumas coisas, como: náuseas e vômitos, epilepsia e dor; na medicina ocidental, foi usada como analgesico, e na tradição chinesa, como trabamento da malária, sintomas menstruais, gota e constipação (Manganelli et al., 2024).O canabidiol (CBD) produz seus efeitos terapêuticos sem atividade intrínseca, seu uso para aliviar sintomas e tratar doenças é comum, embora sejam geralmente bem tolerados, com efeitos adversos leves a moderados (Viana et al., 2022).
É notável que nos Estados Unidos da América, o uso de cannabis medicinal entre idosos tem crescido. Em 2016, 9% dos adultos de 50 a 64 anos e 2,9% dos com 65 anos ou mais relataram utilizar cannabis para fins médicos ou recreativos.  Evidências recentes sugerem que os canabinóides podem ser usados em cuidados paliativos como alternativa às terapias convencionais (Manganelli et al., 2024). Embora os canabinóides demonstrem potencial terapêutico, faltam evidências clínicas robustas. O THC puro mostra eficácia para apetite, náuseas e espasticidade na Esclerose Múltipla. Obstáculos regulatórios e falta de incentivo farmacêutico limitam a pesquisa, os ensaios com extratos de Cannabis (como nabiximols) podem demonstrar o potencial geral das plantas (Leinen et al., 2023).
Objetivo: Nesse contexto, este estudo objetiva avaliar o uso de canabinóides por idosos para tratamento principalmente de distúrbios neurológicos. 
Desenvolvimento: O canabidiol (CBD) exerce seus efeitos farmacológicos sem atividade intrínseca significativa, com propriedades terapêuticas antiepilépticas, ansiolíticas, antipsicóticas, anti-inflamatórias e neuroprotetoras, o que o torna promissor para diversas aplicações (Viana et al., 2022).
Pesquisas recentes demonstram um aumento no uso de cannabis entre adultos mais velhos e pessoas com distúrbios cerebrais degenerativos ou inflamatórios crônicos. Condições como esclerose lateral amiotrófica (ELA), esclerose múltipla (EM), doença de Alzheimer (DA), doença de Parkinson (DP), transtorno bipolar e esquizofrenia têm visto essa tendência. Esses distúrbios, que afetam a função motora, a cognição e o comportamento, podem causar debilidade e baixa qualidade de vida. As abordagens terapêuticas convencionais oferecem alívio limitado e podem causar efeitos colaterais significativos. Junto a isso houve um crescimento na prescrição de medicamentos à base de THC sintético, como nabiximol, dronabinol e nabilona, para o manejo de distúrbios neurológicos, incluindo Alzheimer e Parkinson,  (Leinen et al., 2023; Singh et al., 2022). 
Os canabinóides (fitocanabinoides, endocanabinóides e sintéticos) atuam no cérebro via receptores CB1 e CB2. O CB1, abundante no sistema nervoso central, modula a liberação de citocinas, reduzindo inflamação e morte celular. O CB2, presente em microglia ativada, tem seus níveis elevados em resposta a lesões e inflamações, podendo induzir citotoxicidade e morte celular (Leinen et al., 2023).
Em pacientes com a doença de Parkinson com sintomas motores estáveis, nabilona pode ser eficaz no manejo de sintomas não motores, principalmente ansiedade e distúrbios do sono . Acrescenta-se que, em ensaio clínico, a administração aguda de CBD (300 mg) reduziu a ansiedade e a amplitude do tremor em situações de estresse (Manganelli et al., 2024). Pacientes com EM apresentaram alterações na expressão dos receptores CB1 e CB2, o que sugere um papel para esses receptores no potencial terapêutico de produtos derivados da cannabis para essa condição . O receptor CB2 demonstrou regulação positiva em exames post-mortem de pacientes com ELA, especialmente na medula espinhal e córtex motor. Combinado com as propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras dos canabinóides, isso os posiciona como uma terapia promissora para a ELA (Legare; Raup-Konsavage; Vrana, 2022). Ademais, as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes do CBD podem apresentar efeitos neuroprotetores, que retardam a progressão de distúrbios neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer (Singh et al., 2022). O canabidiol vem mostrando resultados promissores em diversas frentes relacionadas ao envelhecimento e às doenças que o acompanham. Apesar das evidências crescentes , ainda não compreendemos completamente os mecanismos exatos pelos quais o CBD atua na senescência neuronal. Contudo, o potencial para aprimorar a saúde e a longevidade dos neurônios é notável (Manganelli et al., 2024).
Conclusão: O canabidiol (CBD) tem demonstrado seu potencial terapêutico, com ações antiepilépticas, ansiolíticas, antipsicóticas, anti-inflamatórias e neuroprotetora. Seu uso tem crescido, especialmente entre idosos e pacientes com distúrbios neurológicos crônicos . A ação dos canabinóides via receptores CB1 e CB2, junto às propriedades anti-inflamatórias e neuroprotetoras do CBD, posiciona esses compostos como terapias promissoras. Apesar de ainda estarmos descobrindo os detalhes de como o CBD age na senescência neuronal, já é notável o seu potencial para melhorar a saúde e a longevidade dos neurônios.
Referências:
LEGARE, Christopher A.  ; RAUP-KONSAVAGE, Wesley M.  ; VRANA, Kent E.  Therapeutic Potential of Cannabis, Cannabidiol, and Cannabinoid-Based Pharmaceuticals. Pharmacology, [s. l.], v. 107, n. 3-4, p. 1–19, 2022. Disponível em : https://karger.com/pha/article/107/3-4/131/821186/Therapeutic-Potential-of-Cannabis-Cannabidiol-and . Acesso em : 04 set. 2025
LEINEN,  Zach J.et al. Therapeutic Potential of Cannabis: A Comprehensive Review of Current and Future Applications. Biomedicines. 2023;11(10):2630. Published 2023 Sep 25. doi:10.3390/biomedicines11102630. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10604755/ . Acesso em: 05 set. 2025
MANGANELLI, Luciane Aparecida Gonçalves et al. Uso de canabinoides no tratamento de distúrbios neurológicos em idosos. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 12, p. e18084, 19 dez. 2024. Disponível em : https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/18084 . Acesso em: 05 set. 2025
SINGH, K. et al. Emerging Therapeutic Potential of Cannabidiol (CBD) in Neurological Disorders: A Comprehensive Review. Behavioural Neurology, v. 2023, p. 1–17, 12 out. 2023. Disponível em : https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/2023/8825358 . Acesso em : 04 set. 2025
VIANA , Felipe Gomes Almeida et al. Cannabis medicinal como conduta terapêutica: uma revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Médico, v. 5, p. e10059, 8 abr. 2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/10059 . Acesso em : 05 set. 2025