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| REMOÇÃO CIRÚRGICA DE PROJÉTIL BALÍSTICO EM EQUINO QUARTO DE MILHA: RELATO DE CASO | |
| 1RAFAELA GARCIA INOCÊNCIO, 2MARIA LUIZA VIEIRA MARTINEZ, 3MURILO SOUZA GONÇALVES, 4ALANIS CAROLINA ARIAS, 5MARIA LUIZA VIEIRA MARTINEZ, 6VICTOR FERREIRA RIBEIRO MANSUR | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná 2Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná 3Residente em Clínica Médica e Cirúrgica de Grandes Animais no Hospital Veterinário da Universidade Estadual do Norte do Paraná 4Residente em Anestesiologia no Hospital Veterinário da Universidade Estadual do Norte do Paraná 5Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná 6Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná |
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| Introdução: De acordo com Mendes (2025), feridas por armas de fogo são classificadas como pérfuro-contusas, sendo que o fluxo de energia de um projétil depende da sua velocidade, sendo que trajetórias de maior energia produzem ondas de pressão mais intensas, capazes de romper tecidos e formar túneis no trajeto. Em geral, quanto maior a velocidade do projétil, maior o dano tecidual, resultando em orifícios de saída irregulares e de maior diâmetro devido à resistência dos planos anatômicos (Calzavara, 2008). Embora incomuns em equinos, tais lesões demandam aprofundamento científico para subsidiar condutas terapêuticas adequadas quando o médico-veterinário se deparar com esses casos (Vatistas et al., 1995). Relato de Caso: Paciente equino macho, Quarto de Milha, 1 ano e 7 meses, 310 kg, utilizado para lazer, foi atendido no Hospital Veterinário da UENP (Bandeirantes-PR) apresentando uma ferida pérfuro-contusa fistulada na região cranial à escápula esquerda, causada por projétil. O tutor relatou que havia realizado uma limpeza e exploração da ferida e fez uso de uma pomada cicatrizante, mas não obteve sucesso. Na admissão, foram feitos exame físico, anamnese, tricotomia ampla e limpeza da fístula com iodo PVPI tópico, degermante e água. Além disso, foi realizado exame radiográfico que confirmou o diagnóstico da presença de um corpo estranho. Clinicamente, apresentava secreção nasal serosa unilateral à direita e trajeto fistuloso de 22 cm, mensurado com sonda gástrica. O paciente foi submetido ao procedimento cirúrgico para remoção de corpo estranho e o protocolo de medicação pré-anestésica consistiu em Detomidina 1% (0,02mg/kg, IV), Butorfanol 1% (0,01mg/kg, IV), Cetoprofeno 10% (3mg/kg, IM) e Cetamina 10% (3mg/kg, IV), foi mantido em plano anestésico por anestesia multimodal com Isofluorano (1mg/ml, via inalatória) e Tripple drip (1ml/kg/h, IV) em decúbito lateral direito. Após a ampliação da tricotomia e antissepsia da região cervical caudal, na transição entre o terço médio do pescoço e a escápula, procedeu-se à realização de uma incisão cutânea elíptica sobre o trajeto fistuloso previamente identificado. Em seguida, realizou-se a divulsão do tecido subcutâneo com tesoura de ponta romba, seguindo o trajeto fistuloso e promovendo hemostasia, o que possibilitou a identificação de um corpo estranho metálico (3 x 2 cm) que estava envolto por tecido fibroso. O projétil foi removido, a cavidade foi inspecionada para descartar fragmentos residuais e suturada em três planos: musculatura em simples contínuo com fio ácido poliglicólico nº 0, subcutâneo em Cushing com fio ácido poliglicólico nº 0 e pele em Wolf captonado com fio nylon nº 2. Foi colocado dreno de Penrose por 48 h. No pós-operatório, o paciente recebeu curativos diários, limpeza da ferida, spray repelente e penicilina (30.000 UI/kg, IM, SID por 6 dias). Administrou-se também cetoprofeno (3 mg/kg, IV, SID) no dia da cirurgia e no seguinte. No 6º dia, houve drenagem de seroma sanguinolento (10 ml) e manutenção dos curativos, aplicando-se pomada NGF-5 no 7º dia. A partir daí a penicilina passou a ser utilizada na dose de 20.000 UI/kg (IM) por 2 dias adicionais. Os pontos foram retirados no 9º dia e, após 15 dias de internação, o animal recebeu alta. Discussão: Segundo Vasconcelos, Archer e Pina (2022), tecidos elásticos e coesivos, como músculos e vasos sanguíneos, apresentam alta capacidade de recuperação após ferimentos por projéteis. No caso descrito, a lesão evoluiu para fístula, condição que, conforme Raiser (1995), pode ocorrer devido à penetração de bactérias em ferimentos cutâneos. Já em outro estudo, Vasconcelos, Archer e Pina (2022), destacam que a avaliação dos danos depende de fatores como massa, velocidade e deformação do projétil, mecanismos que, segundo Lopes (2011), envolvem esmagamento e estiramento tecidual. No presente caso, o projétil a bala foi retirado íntegro, levemente deformado e sem fragmentos residuais. Quanto ao tratamento, Vatistas et al. (1995) relataram 22 casos de equinos feridos por projéteis, nos quais os tratamentos incluíram debridamento, lavagem com iodo-povidona, uso de antimicrobianos (como trimetoprima + sulfametoxazol) e, em poucos casos, cirurgia; todos receberam fenilbutazona ou flunixin meglumina. De forma semelhante ao presente relato, animais que receberam antimicrobianos, debridamento e drenagem contínua da lesão, sem evolução para septicemia, apresentaram recuperação favorável. Tanto Vasconcelos, Archer e Pina (2022), quanto Vatistas et al. (1995) destacam ainda a importância dos exames complementares para avaliar o comprometimento tecidual e identificar possíveis lesões ósseas, etapa fundamental para um diagnóstico preciso, da mesma forma que foi realizado nesse caso. Conclusão: O relato destaca a importância do diagnóstico preciso, exames complementares e abordagem cirúrgica adequada em feridas pérfuro-contusas por projéteis em equinos. A retirada íntegra do corpo estranho, aliada ao tratamento antimicrobiano, anti- inflamatório e cuidados pós-operatórios, resultou em recuperação satisfatória, reforçando a relevância do conhecimento sobre a patogenia das lesões e do tratamento individualizado. |
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| Referências: CALZAVARA, C.; STAINKI, D. R. Princípios de Cirurgia Veterinária. Belém: Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia – PUCRS Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA, 2008. 122 p. Disponível em: LOPES, S. A. S. Tratamento de feridas em equinos (Equus caballus) – levantamento de casos no Hospital Veterinário do CSTR/UFCG/Campus de Patos – PB. Monografia (Curso de Medicina Veterinária), Centro de Saúde e Tecnologia Rural, Campus de Patos, Universidade Federal de Campina Grande, Patos, 2011. MENDES S. D. A. et al. Lesões produzidas por projéteis de arma de fogo de energia: um relato de caso da apresentação necroscópica de lesão pérfuro- contusa por IMBEL IA2 556. Persp Med Legal Pericia Med. v. 10, 2025; 250305. RAISER, A. G. Patologia Cirúrgica Veterinária: Regeneração Tecidual. 1. ed. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 1995. VASCONCELOS, C. O. G.; ARCHER, J. A.; PINA, E. P. S. Trauma ocasionado por projétil em região vestíbulo nasal de potra: relato de caso. Revista de Ciência & Tecnologia 2022, Nova Iguaçu, RJ, Brasil, v. 22, n. 2, p. 45-48, 2022. Disponível em: VATISTAS, N. J. et al. Gunshot injuries in horses: 22 cases (1971-1993). J Am Vet Med Assoc. 1995, United States, v. 207, n. 9, p. 1198-1200, 9 nov. 1995. Disponível em: |
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