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| MÉTODOS DE ESTERILIZAÇÃO DE EXPLANTES VEGETAIS EM CULTURA DE TECIDOS | |
| 1KEDMA JAQUELINE BAZANA MICHELANI, 2ROSA MARIA VILAS BOAS LINS, 3DANIELA ALVES DOS SANTOS, 4THIAGO ALBERTO ORTIZ | |
| 1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR) 2Discente de Agronomia, Bolsista PIBIC, Universidade Paranaense (UNIPAR) 3Doutoranda em Biotecnologia aplicada à agricultura, Universidade Paranaense (UNIPAR) 4Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR) |
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| Introdução: A micropropagação é uma técnica de cultivo in vitro que utiliza células, tecidos ou órgãos vegetais, denominados explantes, cultivados em meio nutritivo sob condições assépticas e controladas, permitindo a obtenção de indivíduos geneticamente idênticos em curto intervalo de tempo (Almeida, Dias e Caetano, 2025). Um dos principais desafios desse processo é a contaminação por microrganismos — como fungos e bactérias — que elevam os custos de produção e comprometem a eficiência do cultivo (Abdalla et al., 2022). Esses contaminantes prejudicam os explantes ao competir pelos nutrientes do meio de cultura, podendo levar à morte dos tecidos vegetais. Diversos agentes químicos têm sido empregados para reduzir esse problema, incluindo hipoclorito de sódio, hipoclorito de cálcio, etanol, cloreto de mercúrio, peróxido de hidrogênio, nitrato de prata e detergentes tensoativos. Esses compostos atuam eliminando ou inibindo microrganismos, oxidando contaminantes ou auxiliando na remoção de impurezas superficiais dos explantes (Mežaka et al., 2023). A escolha do método de esterilização e do produto químico varia conforme a espécie, sendo que, em plantas ornamentais, o etanol e o hipoclorito de sódio figuram entre os mais utilizados (Timilsina et al., 2025). Assim, torna-se evidente a relevância do desenvolvimento e aperfeiçoamento de protocolos eficazes de esterilização, capazes de reduzir custos, aumentar a taxa de sobrevivência dos explantes e proporcionar maior reprodutibilidade aos experimentos, garantindo resultados mais consistentes e confiáveis. Objetivo: Analisar e sintetizar os avanços recentes em métodos de esterilização de explantes vegetais em cultura de tecidos, destacando produtos, formas de aplicação e espécies alvo. Desenvolvimento: Diversos estudos têm buscado protocolos de esterilização mais eficientes para diferentes espécies vegetais. Em Musa spp. ʻPink Nonoʼ, Siregar et al. (2025) aplicaram sequencialmente sulfato de estreptomicina, benomil, álcool 70%, hipoclorito de sódio e cloreto de mercúrio, obtendo elevada taxa de explantes livres de contaminação e estabelecimento bem-sucedido em meio MS (Murashige & Skoog). Por outro lado, Makarov et al. (2024) desenvolveram pela primeira vez elementos da tecnologia de micropropagação clonal para as variedades de rosa ʻDream Come Trueʼ e ʻFull Sailʼ. Os autores verificaram que a maior viabilidade foi alcançada em explantes oriundos de gemas laterais esterilizados com nitrato de prata a 0,2% e Lysoformin 3000 a 5% por 15 minutos, resultando em taxas de sobrevivência entre 82% e 95%. O papel central da etapa de desinfestação também foi destacado por Turdiyev et al. (2024), que ressaltam sua importância para a criação de bancos de germoplasma in vitro. Os protocolos mais eficazes incluíram: para framboeseira — cloreto de mercúrio (HgCl₂) a 0,1% por 6 minutos, seguido de peróxido de hidrogênio a 3% por 15 minutos; para morangueiro — hipoclorito de sódio comercial (Domestos®, 1:5) por 8 minutos, seguido de HgCl₂ a 0,1% por 7 minutos e permanganato de potássio a 0,20 mg L⁻¹ por 30 minutos; e para groselheira-preta — HgCl₂ a 0,1% por 5 minutos, seguido do mesmo tratamento com permanganato de potássio. Outros estudos também confirmam a eficácia de diferentes agentes. Alves et al. (2025) observaram que a imersão de sementes de Drosera schwackei em hipoclorito de sódio a 2% de cloro ativo por 10 minutos foi eficiente e não comprometeu a germinação. Em segmentos nodais de Ocotea odorifera, Luz et al. (2024) registraram maior sobrevivência (74%) com HgCl₂ a 0,05%, sem o uso do fungicida Cercobin® 875 WG. Embora este tenha reduzido a contaminação fúngica, aumentou a oxidação dos explantes, reforçando a recomendação do uso exclusivo de HgCl₂. Além dos agentes químicos convencionais, alternativas naturais também vêm sendo investigadas. Molinari et al. (2021), por exemplo, relataram que em sementes de Dimorphandra mollis um protocolo composto por escarificação mecânica, lavagens sucessivas, álcool 70%, hipoclorito de sódio 1% (Clarix®) e óleo essencial de Cymbopogon citratus resultou em eficiente desinfestação. Dessa forma, observa-se que, embora existam protocolos eficientes para diferentes espécies, a diversidade de respostas aos agentes desinfetantes reforça a necessidade de pesquisas contínuas. Tais estudos são fundamentais para minimizar danos aos explantes, aumentar as taxas de sobrevivência e consolidar a micropropagação como ferramenta para conservação e produção em larga escala. Conclusão: A esterilização é fundamental para o sucesso da micropropagação de diferentes espécies vegetais, garantindo a viabilidade, a produtividade e a qualidade dos explantes, além de reduzir contaminações. Agentes químicos, como hipoclorito de sódio, cloreto de mercúrio, peróxido de hidrogênio e nitrato de prata, assim como alternativas naturais, como óleos essenciais, demonstram eficácia, embora suas respostas variem conforme a espécie e o tipo de tecido. Protocolos adequadamente ajustados promovem altas taxas de sobrevivência e estabelecimento, destacando a importância da otimização contínua de métodos para micropropagação clonal e conservação de germoplasma. |
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| Referências: Abdalla, N.; El-Ramady, H.; Seliem, M. K.; El-Mahrouk, M. E.; Taha, N.; Bayoumi, Y.; Shalaby, T. A.; Dobránszki, J. An academic and technical overview on plant micropropagation challenges. Horticulturae, v. 8, n. 8, 677, 2022. Almeida, J. C. P. de; Dias, F. V.; Caetano, P. A. dos S. A técnica de micropropagação in vitro como estratégia de inovação tecnológica na produção de mudas. Revista Gestão & Sustentabilidade, v. 7, n. 1, 2025. Alves, K. A.; Costa, D. A.; Titon, M.; Nery, F. C.; Gonella, P. M.; Sousa, T. O.; Nery, M. C. Conservation and propagation of Drosera schwackei: cryopreservation, in vitro germination, and development of an ornamental carnivorous species. Ornamental Horticulture, v. 31, e312831, 2025. Luz, S. C. dos S. da; Pereira, J. R.; Ribas, L. L. F.; Alcantara, G. B. de; Koehler, H. S.; Zuffellato-Ribas, K. C. Diferentes tratamentos de desinfestação in vitro na micropropagação de segmentos nodais de Ocotea odorifera (Vell.) Rohwer (canela-sassafrás). Revista Delos, v.17, n. 54, p. 1-15, 2024. Makarov, S. S.; Kuznetsova, I. B.; Hussien, M.; Chudetsky, A. I.; Sokolkina, A. I. Features of the clonal micropropagation technology of ornamental rose varieties ʻDream Come Trueʼ and ʻFull Sailʼ. Horticultura Ornamental, v. 30, e242732, 2024. Mežaka, I.; Kļaviņa, D.; Kaļāne, L.; Kronberga, A. Large-scale in vitro propagation and ex vitro adaptation of the endangered medicinal plant Eryngium maritimum L. Horticulturae, v. 9, n. 2, 271, 2023. Molinari, L. V.; Martins, K. F.; Nunes, C. F.; Martins, E. R.; Meira, M. R. Óleos essenciais e benzilaminopurina (BAP) para o cultivo in vitro de Dimorphandra mollis. Pesquisa Florestal Brasileira, v. 41, e201901926, p. 1-8, 2021. Siregar, A. S.; Mariani, T. S.; Rachmawati, F.; Rianawati, S.; Winarto, B. In vitro mass propagation protocol for an ornamental banana: explant sterilization to plantlet acclimatization. Ornamental Horticulture, v. 31, e312919, 2025. Timilsina, S.; Poudel, A.; Ghimire, N.; Neupane, S.; Poudel, P. R. Micropropagation of ornamental plants: a review on Nepalese protocols. Cogent Food & Agriculture, v. 11, n. 1, 2025. Turdiyev, T.; Kovalchuk, I.; Mukhitdinova, Z.; Hunger, O.; Frolov, S.; Kabylbekova, B. Micropropagation of berry crops for creation of germplasm cryobanks. Brazilian Journal of Biology, v. 84, e266975, 2024. |
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