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| USO DE DESFIBRILAÇÃO EXTERNA SEQUENCIAL DUPLA EM FIBRILAÇÃO VENTRICULAR REFRATÁRIA A CHOQUE | |
| 1THAYNA MONTEIRO TAVARES, 2KIRK SILVEIRA LOPES, 3ANA KAROLINE NEGRE FREGOLENTE, 4BEATRIZ NABAS VICENTE, 5RAFAELA BOTEON GEBARA, 6REINALDO HIGASHI YOSHII | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR e extensionista da PEX-LAUE 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR e extensionista da PEX-LAUE 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR e extensionista da PEX-LAUE 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR e extensionista da PEX-LAUE 5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR e extensionista da PEX-LAUE 6Docente do curso de Medicina da UNIPAR e Preceptor da PEX-LAUE |
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| Introdução: A fibrilação ventricular (FV) é um dos ritmos iniciais mais comuns em pacientes que sofrem parada cardiorrespiratória (PCR) fora do ambiente hospitalar, com potencial de reversão imediata pela desfibrilação. Apesar disso, uma parcela significativa evolui com fibrilação ventricular refratária, associada a baixa taxa de retorno da circulação espontânea (ROSC) e sobrevida (SUOMINEN et al., 1997; ALHENAKI et al., 2024). Esse cenário reforça a necessidade de atualização das estratégias de desfibrilação. Objetivo: Investigar a evidência científica disponível sobre o uso da desfibrilação externa sequencial dupla (DSED) em casos de fibrilação ventricular refratária. Desenvolvimento: A desfibrilação externa sequencial dupla tem se consolidado como uma estratégia promissora no manejo de pacientes com fibrilação ventricular refratária durante a PCR. Essa técnica consiste na aplicação quase simultânea de dois choques elétricos, utilizando dois desfibriladores com vetores diferentes, com o objetivo de aumentar a eficácia na reversão da arritmia letal. O estudo multicêntrico DOSE-VF (2022), publicado no New England Journal of Medicine, foi o primeiro ensaio clínico randomizado a comparar diretamente a DSED, a mudança de vetor e a desfibrilação padrão em pacientes com FV refratária fora do ambiente hospitalar. Os resultados demonstraram que a DSED aumentou significativamente a sobrevida até a alta hospitalar (30,4%), em comparação com a desfibrilação padrão (13,3%), além de melhores desfechos neurológicos (CHESKES et al., 2022). Dados observacionais anteriores já sugeriam essa tendência. Em um estudo canadense publicado no Canadian Journal of Emergency Medicine (2019), observou-se que a DSED resultou em maior taxa de término da FV (63,9% vs. 18%) e em maior retorno da circulação espontânea (ROSC) (33,3% vs. 13%) quando comparada à abordagem convencional. Uma meta-análise conduzida por Li et al. (2022), que reuniu dez estudos com um total de 1.347 pacientes, demonstrou uma tendência favorável à DSED em relação ao ROSC e à sobrevida, embora sem significância estatística robusta nos desfechos primários. Ademais, um estudo retrospectivo de Gilmore et al. (2023) avaliou o impacto do intervalo entre os dois choques na DSED. Os autores concluíram que intervalos inferiores a 75 milissegundos estavam associados a maior probabilidade de término da FV e de obtenção do ROSC. Embora os mecanismos fisiológicos exatos da DSED ainda estejam sendo investigados, hipóteses apontam para a atuação conjunta de múltiplos vetores elétricos, maior carga energética acumulada e possível efeito de "condicionamento elétrico" do miocárdio como fatores que contribuem para sua eficácia superior (COMEAU, 2024). Conclusão: A DSED configura-se como uma estratégia promissora no manejo da FV refratária, e mostra resultados superiores em comparação à desfibrilação convencional nos estudos disponíveis. Apesar dos achados encorajadores, novos ensaios clínicos são necessários para confirmar sua eficácia e viabilidade em larga escala. |
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| Referências: ALHENAKI, A. et al. Temporal trends in the incidence and outcomes of shock‑refractory ventricular fibrillation out‑of‑hospital cardiac arrest. Resusc Plus, 2024;18:100597. AMERICAN JOURNAL OF EMERGENCY MEDICINE. LO07: Double sequential external defibrillation improves termination of ventricular fibrillation and return of spontaneous circulation in shock-refractory out-of-hospital cardiac arrest. Canadian Journal of Emergency Medicine, v. 21, supl. S1, p. S9, maio 2019. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/canadian-journal-of-emergency-medicine/article/lo07-double-sequential-external-defibrillation-improves-termination-of-ventricular-fibrillation-and-return-of-spontaneous-circulation-in-shockrefractory-outof-hospital-cardiac-arrest/C8F8D53C795292379010784426CC12E8. Acesso em: 25 jul. 2025. CHESKES, M. et al. Defibrillation strategies for refractory ventricular fibrillation. New England Journal of Medicine, v. 387, n. 21, p. 1931–1940, 2022. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2207304. COMEAU, J.-F. Double Sequential External Defibrillation: A new frontier in the treatment of refractory ventricular fibrillation? COM-BOS, 2024. Disponível em: https://com-bos.ca/en/double-sequential-external-defibrillation-a-new-frontier-in-the-treatment-of-refractory-ventricular-fibrillation. Acesso em: 25 jul. 2025. GILMORE, S. et al. The impact of double sequential shock timing on outcomes during refractory out-of-hospital cardiac arrest. BMC Emergency Medicine, 2023. DOI: https://doi.org/10.1186/s12873-023-00771-4. LI, H. et al. Double sequential external defibrillation versus standard defibrillation in refractory ventricular fibrillation: a systematic review and meta-analysis. BMC Emergency Medicine, v. 22, 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s12873-023-00771-4. SUOMINEN, et al. Incidence, duration and survival of ventricular fibrillation in out‑of‑hospital cardiac arrest patients in Sweden. European Heart Journal, 1997. |
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