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| DAMAGE CONTROL SURGERY: INDICAÇÕES E ABORDAGEM EM ETAPAS | |
| 1MYLENA SOARES DE ANDRADE NICOLAU, 2STEFANY FRANCO TEIXEIRA, 3HELOISA FEUSER FURTUOSO, 4LUIZ ANTONIO FASSINI FONT, 5JANINE MICKELE SILVA POLETTO, 6FLAVIO AUGUSTO PAULATTI FREDERICO | |
| 1Acadêmica do curso de Medicina Unipar 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Pacientes gravemente feridos frequentemente não possuem a reserva fisiológica necessária para tolerar o reparo definitivo. A cirurgia de controle de danos serve para atender a condições que ameaçam a vida imediatamente, enquanto o tratamento definitivo dessas e de outras lesões sem risco de vida é adiado até após a ressuscitação adequada (SARANI; MARTIN, 2025). De acordo com Leonardi et al. (2022), a tétrade letal (“lethal diamond”), composta de hipotermia, acidose metabólica, coagulopatia e hipocalcemia, é a cascata de eventos que a cirurgia de controle de danos tenta interromper e corrigir. A estratégia é baseada na fragmentação da cirurgia tradicional em etapas, resolvendo inicialmente a hemorragia e a contaminação, e deixando para um segundo momento as ressecções e reconstruções, aumentando a chance de sobrevivência do doente (LEONARDI et al., 2022). Objetivo: Descrever as principais indicações para aplicação da cirurgia de controle de danos e suas etapas, destacando sua importância no manejo do trauma. Desenvolvimento: A cirurgia de controle de danos (damage control surgery – DCS) consolidou-se como estratégia essencial no manejo do paciente politraumatizado grave, especialmente naqueles que apresentam instabilidade hemodinâmica e metabólica, sem condições de suportar reparos definitivos imediatos. O princípio fundamental dessa abordagem é a priorização da preservação da vida sobre a restauração anatômica, buscando interromper o ciclo da tétrade letal (hipotermia, acidose metabólica, coagulopatia e hipocalcemia) frequentemente presente em situações de trauma abdominal ou torácico de grande complexidade ( LEONARDI et al., 2022; SARANI; MARTIN, 2025). As indicações clássicas para a DCS incluem choque hemorrágico refratário, coagulopatia grave, instabilidade persistente apesar de medidas de ressuscitação, necessidade de rápido controle de contaminação abdominal e hemorragias maciças. Nessas circunstâncias, a tentativa de reparo definitivo prolongado aumenta substancialmente a mortalidade. Adicionalmente, a literatura descreve a aplicação da DCS em cenários como trauma pancreático grave, lesões vasculares torácicas e retroperitoneais, nas quais a abreviação da cirurgia inicial se mostra essencial para a estabilização fisiológica do paciente (MASSA; MURRAY; SHAPIRO, 2018; UPTODATE, 2025a; UPTODATE, 2025b). O manejo em etapas caracteriza-se por três fases. A primeira envolve o controle imediato da hemorragia e da contaminação, por meio de técnicas abreviadas, como tamponamento hepático, ligaduras vasculares temporárias, derivações intestinais e fechamento abdominal temporário com sistemas de pressão negativa. A segunda etapa ocorre na unidade de terapia intensiva, onde se busca corrigir hipotermia, acidose, distúrbios de coagulação e desequilíbrios eletrolíticos, promovendo a estabilização metabólica. Por fim, a terceira fase corresponde ao retorno ao centro cirúrgico para reconstrução definitiva, quando as condições fisiológicas do paciente permitem, incluindo a realização de anastomoses, reparos vasculares complexos e fechamento formal da cavidade FREITAS et al., 2021; (LEONARDI et al., 2022; RODRIGUES et al., 2023). Estudos apontam que a aplicação criteriosa dessa abordagem está associada à redução da mortalidade em comparação ao reparo imediato em pacientes críticos. Leonardi et al. (2022), em estudo de coorte retrospectivo, identificaram que a sobrevida está intimamente ligada ao controle rápido da hemorragia e à correção precoce da tétrade letal. Além disso, revisões recentes ressaltam que a DCS não se limita ao trauma abdominal, mas pode ser estendida a cenários de trauma torácico e vascular, desde que respeitados os princípios de abreviação cirúrgica e ressuscitação guiada por metas (MASSA; MURRAY; SHAPIRO, 2018; UPTODATE, 2025a; UPTODATE, 2025b). Dessa forma, a DCS deve ser compreendida como uma estratégia cirúrgica avançada, fundamentada em critérios clínicos bem estabelecidos e sustentada por evidências consistentes. Sua adoção exige capacitação das equipes, protocolos institucionais claros e integração com medidas modernas de ressuscitação, representando um dos pilares do manejo atual do trauma grave (FREITAS et al., 2021; RODRIGUES et al., 2023; SARANI; MARTIN, 2025). Conclusão: Portanto, a cirurgia de controle de danos é uma abordagem essencial no manejo do trauma grave, com objetivo de evitar a tétrade letal. Ao focar no controle hemorrágico e de contaminação, e adiar os reparos definitivos para um momento de estabilização, essa abordagem aumenta significativamente as chances de sobrevida do paciente. Sua aplicação, guiada por evidências e protocolos bem estabelecidos, representa um pilar importante no manejo do trauma e permite uma recuperação fisiológica do paciente antes de restaurar sua anatomia. |
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| Referências: FREITAS, R. S. et al. Cirurgia de controle de danos: revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 6, p. 57341–57356, 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/32673/pdf. Acesso em: 30 set. 2025. LEONARDI, L. et al. Fatores prognósticos relacionados à mortalidade em pacientes submetidos à cirurgia de controle de danos por trauma abdominal: estudo de coorte retrospectivo. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 49, e20223373, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rcbc/a/wxgfRc3GVZbCMwxXKkFqc5L. Acesso em: 30 set. 2025. MASSA, E. G.; MURRAY, D.; SHAPIRO, M. B. Damage control surgery. British Journal of Anaesthesia, v. 120, n. 4, p. 779–791, 2018. Disponível em: https://www.bjanaesthesia.org/article/S0007-0912(17)31514-3/fulltext. Acesso em: 30 set. 2025. RODRIGUES, C. A. et al. Abordagem em etapas da cirurgia de controle de danos: revisão narrativa. Revista Acervo Mais, v. 18, n. 3, p. 76–84, 2023. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/cientifico/article/view/13323/7678. Acesso em: 30 set. 2025. SARANI, B.; MARTIN, N. Overview of damage control surgery and resuscitation in patients sustaining severe injury. In: POST, T. W. (ed.). UpToDate. Waltham, MA: Wolters Kluwer, 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-damage-control-surgery-and-resuscitation-in-patients-sustaining-severe-injury. Acesso em: 30 set. 2025. UPTODATE. Management of pancreatic trauma in adults. Waltham, MA: Wolters Kluwer, 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/management-of-pancreatic-trauma-in-adults. Acesso em: 30 set. 2025. UPTODATE. Overview of blunt and penetrating thoracic vascular injury in adults. Waltham, MA: Wolters Kluwer, 2025. Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/overview-of-blunt-and-penetrating-thoracic-vascular-injury-in-adults. Acesso em: 30 set. 2025. |
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