A UTILIZAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO COMO VÁLVULA DE ESCAPE POR ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS  
1JAQUELINE FREIRE MEIRINHO, 2LUCAS VASCONCELOS VITO, 3GABRIELLA GABARRÃO SILVA, 4YASMIN ROMANINI PIRES DE LIRAS, 5LUCIANO SERAPHIM GASQUES
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmico do PIC/UNIPAR
3Acadêmica do PIC/UNIPAR
4Acadêmica do PIC/UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A mudança de rotina vivenciada por estudantes ao ingressarem no ensino superior, especialmente no curso de Medicina, tem sido constantemente relacionada ao sobrepeso destes indivíduos. Hábitos e rotinas muito voláteis, somados ainda com o estresse e a pressão provenientes do curso, formam uma “tempestade de emoções” na vida do estudante.
Objetivo: Compreender, por meio de uma revisão bibliográfica, como o estresse vivenciado durante a graduação é capaz de impactar a saúde física e mental dos estudantes.
Desenvolvimento: A transição do ambiente escolar para o universitário exige um elevado esforço físico e mental, resultando em uma carga significativa de estresse que pode afetar o equilíbrio psicológico e a alimentação, comprometendo o bem-estar biopsicossocial do estudante (Souza, Peixoto et al., 2021). Somado a isto, está o fato de que os estudantes universitários costumam apresentar alterações no ciclo sono-vigília, haja vista que acabam por sacrificar horas de sono na tentativa de suprir e exceder as demandas acadêmicas. Os estressores do dia a dia causam um desequilíbrio hormonal, principalmente em relação ao cortisol, um glicocorticoide sintetizado pelo córtex da glândula adrenal que desempenha papel central na regulação do metabolismo energético, resposta ao estresse e modulação de processos inflamatórios. Sua liberação segue um ritmo circadiano, mas pode ser significativamente alterada por fatores externos, incluindo a prática de atividade física. Para Fusco (2020), a privação de sono impacta na regulação hormonal, aumenta a fome, reduz a tolerância à glicose e confere maior propensão à compulsão alimentar, estabelecendo uma relação entre sono de má qualidade, ansiedade e comportamento alimentar. A anorexia nervosa, a bulimia e a compulsão alimentar são transtornos que demonstram forte conexão com alterações nos ritmos biológicos, principalmente em função da desregulação de hormônios como leptina, grelina, melatonina e cortisol, os quais são sensíveis às variações do ciclo circadiano (Menezes et al., 2024). O ciclo em questão é regulado principalmente pela exposição à luz, desempenhando papel fundamental na manutenção e equilíbrio do sono, da secreção hormonal e do controle do apetite. Alterações nesse mecanismo podem comprometer o metabolismo energético e predispor a comportamentos alimentares compulsivos, favorecendo o desenvolvimento de condições como a compulsão alimentar noturna. As excessivas cobranças e expectativas associadas às renúncias experienciadas durante a graduação acabam por provocar a adoção de hábitos compensatórios, dentre eles está a ingestão exacerbada de alimentos ocasionada pelo controle inapropriado do apetite (Melo et al., 2024). Em decorrência da rotina conturbada e estressante durante o curso, os estudantes tendem a optar por refeições práticas e rápidas, as quais, geralmente, possuem alto teor calórico e poucos nutrientes, fatores que contribuem para o sobrepeso desta parcela da população. 
Considerações finais: Conclui-se que níveis elevados de estresse, associados às exigências acadêmicas do ensino superior, estão diretamente relacionados à má qualidade do sono e à adoção de hábitos alimentares disfuncionais. Esse cenário favorece o desenvolvimento de compulsão alimentar, na qual a ingestão de alimentos passa a desempenhar função de regulação emocional. Assim, destaca-se a necessidade de intervenções voltadas à promoção da saúde mental, do equilíbrio do ciclo sono-vigília e da educação nutricional, a fim de minimizar os impactos negativos sobre a saúde biopsicossocial dos estudantes universitários.
Referências:
FUSCO, S. B.; et al. Ansiedade, qualidade do sono e compulsão alimentar em adultos com sobrepeso ou obesidade. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 54, e03656, 2020. 
MELO, N. T. S; et al. Estresse acadêmico e transtorno de compulsão alimentar em estudantes de medicina durante a pandemia do coronavírus. Revista de Medicina, São Paulo, v. 103, n. 6, 2024.
MENEZES, D. A.; et al. Ciclo circadiano: sua influência no sono e desenvolvimento de distúrbios alimentares. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 5, p. 33847–33860, 2024.
ORANGE, L.G; MELO, R.G; RIBEIRO, V.E.F; ALMEIDA, E.F; LIMA, C.R; DOMINGOS JUNIOR, I.R. Qualidade do sono e cronotipo nas escolhas alimentares de universitários: subsídios para ações em uma universidade promotora da saúde. Saúde e Pesquisa, v. 18, p. e12975-e12975, 2025.
SOUZA, A.A; PEIXOTO, M.G.B; SILVA, F.R; VASCONCELOS, C.M.C.S; PINTO, F.J.M. Influência do estresse nos hábitos alimentares de estudantes do primeiro ano do curso de Medicina de uma universidade pública. Research, Society and Development, v. 10, n. 11, e223101119609, 2021.
SOUZA, F. N; SANTOS, I.J.L; MORAES, S.R; SILVA, C. M.S; ELLINGER, V.C.M. Associação entre qualidade do sono e excesso de peso entre estudantes de medicina da Universidade Severino Sombra, Vassouras – RJ. Almanaque Multidisciplinar de Pesquisa, v. 4, n. 2, 2017.