ATIVIDADE ANTIFÚNGICA E ANTIBIOFILME DE ÓLEOS ESSENCIAIS FRENTE À ESPÉCIES DE Candida spp.  
1ANDRESSA DA SILVA, 2AMANDA PARRA SANTELLO, 3FLAVIA KAROLLYNE SAVOLDI ZAGO, 4CRISTIANE MENGUE FENIMAN, 5DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO
1Acadêmico do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Docente da Universidade Estadual de Maringá do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade
5Docente da UNIPAR
Introdução: As espécies do gênero Candida integram a microbiota humana, principalmente, em mucosas e pele. Apesar de comensais, podem tornar-se oportunistas diante de alterações imunológicas ou fisiológicas, desencadeando infecções de relevância clínica. Sua capacidade de aderência e formação de biofilmes confere resistência aumentada, dificultando a eficácia dos antifúngicos usuais (Ribeiro, 2016). O tratamento enfrenta limitações tanto pela escassez de drogas antifúngicas quanto pelo aumento de cepas resistentes. Nesse cenário, óleos essenciais (OEs), metabólitos secundários de plantas com atividades biológicas variadas, têm despertado interesse como potenciais agentes antimicrobianos (Rodrigues et al., 2025).
Objetivo: Revisar a literatura do Scielo e Google Acadêmico, sobre a atividade antifúngica e antibiofilme de OEs frente a espécies de Candida, destacando propriedades, mecanismos de ação e perspectivas biotecnológicas.
Desenvolvimento: O biofilme pode ser definido como uma comunidade microbiana organizada, envolvida por matriz extracelular polimérica, que atua como barreira física e funcional, reduzindo a ação de antifúngicos e a resposta imune do hospedeiro. Sua formação segue etapas sucessivas: adesão, colonização, maturação e dispersão, sendo estas determinantes para a persistência das infecções (Carneiro et al., 2024). Essa característica confere às espécies de Candida maior capacidade de adaptação e sobrevivência em ambientes hostis, representando desafio clínico significativo. A eficácia reduzida dos azólicos decorre não só da inibição do ergosterol, mas também da queda de sua síntese durante a maturação do biofilme e da proteção oferecida pela matriz extracelular (Rodrigues et al., 2025). Além disso, cepas resistentes emergem com maior frequência em ambientes hospitalares, sobretudo em pacientes imunocomprometidos, nos quais a falha terapêutica é recorrente. Estudos apontam que biofilmes de C. albicans podem apresentar até 1.000 vezes mais resistência à antifúngicos do que células planctônicas (Rodrigues et al., 2025). Nesse cenário, os  OE destacam-se por sua natureza lipofílica, que permite interação com membranas fúngicas, causando desestabilização estrutural e comprometimento metabólico (Silva, 2023). Ensaios in vitro evidenciaram que o OE de Origanum vulgare reduziu em 72% a biomassa de biofilmes de C. albicans após 48h de exposição (Rodrigues et al., 2025). De forma semelhante, compostos de Citrus sinensis apresentaram redução de até 80% da viabilidade celular fúngica, reforçando seu potencial terapêutico. O óleo de melaleuca (Melaleuca alternifolia) demonstrou efeito relevante frente à C. albicans e espécies não-albicans, cuja participação em infecções hospitalares é crescente. Estudos mostraram redução de 70% na formação de biofilme de C. tropicalis em ensaios laboratoriais (Carneiro et al., 2024). Já investigações com Vitex gardneriana (Ribeiro, 2016) revelaram redução de 65% da biomassa biofílmica e inibição significativa do crescimento planctônico de C. albicans e C. tropicalis, ampliando o leque de alternativas naturais. Além disso, pesquisas recentes mostram que o OE de alecrim (Rosmarinus officinalis) inibiu em 60% o crescimento de biofilmes de Candida parapsilosis, enquanto o óleo de cravo (Syzygium aromaticum), rico em eugenol, apresentou atividade fungicida com 90% de destruição de hifas em culturas de C. albicans (Souza et al., 2021). Esses resultados demonstram que o espectro antifúngico dos óleos vai além da C. albicans, abrangendo espécies emergentes em ambientes hospitalares. Estratégias de encapsulamento em nanopartículas de quitosana demonstraram ganhos expressivos: formulações de OEs nanoencapsulados apresentaram até 90% de redução da biomassa biofílmica em comparação às formas livres, além de maior tempo de ação antimicrobiana e proteção contra degradação (Silva, 2023). A nanotecnologia, portanto, surge como aliada fundamental para otimizar a entrega desses compostos, aumentando sua eficácia clínica. Outro ponto de destaque são os estudos que avaliam o uso combinado de OEs e antifúngicos convencionais. Pesquisas apontam que a associação de fluconazol com óleo de melaleuca reduziu em até quatro vezes a concentração mínima inibitória (CMI) necessária para inibir biofilmes de C. albicans (Ribeiro, 2016). Esse efeito sinérgico permite reduzir doses, minimizar efeitos adversos e retardar resistência. Além disso, alguns OEs exibem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, contribuindo para a melhora clínica. O eugenol, por exemplo, além da ação antifúngica, exerce efeito antioxidante, protegendo células do estresse oxidativo induzido por infecções (Souza et al., 2021).
Conclusão: Os OEs se destacam como alternativas promissoras frente às infecções por Candida, especialmente pela ação sobre biofilmes e cepas resistentes. Resultados in vitro e in vivo indicam amplo potencial terapêutico, mas ainda carecem de ensaios clínicos robustos que avaliem biodisponibilidade, toxicidade seletiva e padronização de doses. A integração entre biotecnologia e fitoterapia pode oferecer estratégias eficazes e sustentáveis para o enfrentamento das infecções fúngicas resistentes.
Referências:
CARNEIRO, J. S. dos S. A., et al. Atividade antifúngica e antibiofilme do óleo essencial de melaleuca frente a espécie de Candida. Caderno Pedagógico, v. 21, n. 11, p. e 9261, 2024. Disponível em: . Acesso em: 26 ago.2025.GOES, Vivian Fernandes Furletti. Ação de extratos, óleos essenciais e frações isoladas de plantas medicinais sobre a formação do biofilme em Candida ssp. 2009. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.
RIBEIRO, L. H. de F. Potencial biotecnológico do óleo essencial de Vitex gardneriana na prevenção e controle de biofilmes de espécies de Candida de importância clínica. 2016. Tese (Doutorado)– Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2016. Disponível em:. Acesso em: 26 ago. 2025.
RODRIGUES, D. M. S., et al. Os óleos essenciais de Origanum vulgare e Citrus sinensis inibem o crescimento e a formação de biofilme in vitro de espécies de Candida. 2025.  24 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Biomedicina) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. Disponível em:. Acesso em: 26 ago. 2025.
SILVA, M. I. de S. Efeito dos óleos essenciais de capim-limão e gerânio encapsulados em nanopartículas de quitosana de baixo peso molecular contra células planctônicas e biofilme das espécies do complexo Cryptococcus neoformans / Cryptococcus gattii. 2023. 45 f. Trabalho de Conclusão de Curso(Bacharelado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2023. Disponível em:. Acesso em: 26 ago. 2025.