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| ÍNDICE DE RESISTÊNCIA MÚLTIPLA AOS ANTIMICROBIANOS DE CEPAS DE Escherichia coli ISOLADAS DE SACOS AÉREOS DE FRANGOS DE CORTE | |
| 1LARISSA DE MARQUI MANTOVAN, 2CAMILA DE CUFFA MATUSAIKI, 3DÉRICK DE ALMEIDA MARCHI, 4ROGER LEÃO DE MACEDO SILVA, 5GABRIELLE AYUMI FUJIWARA, 6LUCIANA KAZUE OTUTUMI | |
| 1Discente do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR, Bolsista PIBIC/UNIPAR 2Mestre em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da UNIPAR 3Mestrando em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da UNIPAR, taxista PROSUP/CAPES 4Discente do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR, PIC/UNIPAR 5 Discente do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR, PIC/UNIPAR 6Docente do Curso de Medicina Veterinária e da Pós-graduação em Ciência Animal, UNIPAR |
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| Introdução: O Brasil ocupa posição de destaque no cenário mundial da avicultura, sendo o maior exportador e o terceiro maior produtor de carne de frango, presente em mais de 170 mercados internacionais (Brasil, 2024). Diversas patologias podem prejudicar a avicultura comercial, dentre elas, a colibacilose aviária, causada por Escherichia coli patogênica aviária. É uma das principais enfermidades respiratórias em frangos de corte, frequentemente associada à aerossaculite e à consequente condenação de carcaças em abatedouros (Lúcio, 2025). O tratamento da doença, quando viável, baseia-se principalmente no uso de antimicrobianos. Contudo, no campo, sua eficácia acaba sendo comprometida devido às falhas de administração, à escolha inadequada da molécula e, sobretudo, ao uso incorreto ou indiscriminado (Lúcio, 2025). Essa prática inadequada acaba favorecendo a seleção de isolados multirresistentes, o que reduz as opções terapêuticas e contribui para o risco de disseminação de genes de resistência (Leclerq, 2024; Santos, 2024). Desse modo, é fundamental avaliar e monitorar a aquisição de resistência por meio de testes como o antibiograma e avaliação do Índice de Resistência Múltipla aos Antimicrobianos - IRMA. Objetivo: Avaliar o Índice de Resistência Múltipla aos Antimicrobianos de cepas de E. coli isoladas de sacos aéreos de frangos de corte com diferentes graus de aerossaculite. Material e Métodos: O projeto foi avaliado e aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Paranaense (CEUA/UNIPAR), protocolo nº 41396/2024. Foram colhidas 150 amostras de swabs de sacos aéreos de frangos de corte oriundos de uma integradora localizada no noroeste do estado do Paraná, formando 30 amostras compostas de cinco aves cada. Após colheita, as amostras foram submetidas ao isolamento e posterior identificação por meio de análise morfológica e provas bioquímicas (LIA-Lysine Iron Agar; MIO-Motilidade, Indol e Ornitina; TSI-Triple Sugar Iron; Citrato de Simmons; Ureia). Após a identificação dos isolados de E. coli, os mesmos foram submetidos ao teste de suscetibilidade antimicrobiana pelo método de disco-difusão em ágar, conforme as recomendações do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, 2015). A interpretação dos resultados foi realizada segundo os critérios estabelecidos pelo Comitê Brasileiro de Testes de Suscetibilidade Antimicrobiana (BrCAST, 2023), no qual foram testados 12 antimicrobianos. O IRMA foi calculado em função da razão entre o número de antimicrobianos aos quais o isolado apresentou resistência e o número total de antimicrobianos testados, conforme metodologia descrita por Krumperman (1983). Resultados: Os isolados de E. coli oriundos de sacos aéreos de frangos de corte com diferentes graus de aerossaculite apresentaram IRMA variando entre 0,0 e 0,82, com média de 0,24. Discussão: O índice médio de resistência múltipla aos antimicrobianos (IRMA = 0,24) indica que a maioria dos isolados apresentou perfil de multirresistência aos antimicrobianos, no entanto, verificaram-se isolados com índice igual a zero. Contudo, o registro de isolados com valores elevados de IRMA (0,82) é preocupante, uma vez que indica resistência ampla e redução das opções de tratamento disponíveis (Krumperman, 1983). Isso mostra como o uso intenso e muitas vezes inadequado de antimicrobianos pode favorecer a seleção de bactérias multirresistentes (Leclerq, 2024). Além dos prejuízos diretos para a produção, como condenação de carcaças, a presença de bactérias multirresistentes também representa risco para a saúde pública. Isso porque esses microrganismos e seus genes de resistência, podem se espalhar para outros animais, para o ambiente e ser humano, o que reforça a importância da abordagem de Saúde Única no controle da resistência antimicrobiana (Santos, 2024). Conclusão: Foram identificados elevados valores no índice de multirresistência, o que evidencia risco à eficácia terapêutica e à saúde pública. Esses resultados reforçam a necessidade de monitoramento constante, uso criterioso de antimicrobianos e incentivo a estratégias alternativas de prevenção e controle, como boas práticas de manejo e biosseguridade. |
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| Referências: BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Mapa destaca vocação brasileira na exportação de carne de frango. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/mapa-destaca-vocacao-brasileira-na-exportacao-de-carne-de-frango. Acesso em: 5 ago. 2025. BrCAST – Comitê Brasileiro de Testes de Suscetibilidade Antimicrobiana. Tabelas de pontos de corte para interpretação de CIMs e diâmetros de halos. 2023. Disponível em: https://brcast.org.br/ . Acesso em: 7 ago. 2025. CLSI – Clinical and Laboratory Standards Institute. Methods for dilution antimicrobial susceptibility tests for bacteria that grow aerobically. 7th ed. Approved standard M7-A10. Wayne: CLSI, 2015. Disponível em: https://clsi.org/standards/products/microbiology/documents/m07/ . Acesso em: 8 ago. 2025. KRUMPERMAN, P. H. Multiple antibiotic resistance indexing of Escherichia coli to identify high-risk sources of fecal contamination of foods. Applied and Environmental Microbiology, v. 46, n. 1, p. 165–170, 1983. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6351743/ . Acesso em: 9 ago. 2025. LECLERCQ, S. O. et al. Persistence of commensal multidrug-resistant Escherichia coli in the broiler production pyramid is best explained by strain recirculation from the rearing environment. Frontiers in Microbiology, v. 15, art. 1406854, 2024. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/microbiology/articles/10.3389/fmicb.2024.1406854/full. Acesso em: 9 ago. 2025. LÚCIO, I. M. et al. Virulence and antimicrobial resistance of avian pathogenic Escherichia coli isolates from poultry in Brazil. Avian Microbiology, v. 4, n. 1, p. 10, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2674-1164/4/1/10. Acesso em: 8 ago. 2025. SANTOS, T. et al. Bacteriophage-associated antimicrobial resistance genes in avian pathogenic Escherichia coli isolated from Brazilian poultry. Access Microbiology, v. 6, n. 2, p. 45-56, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37515172/. Acesso em: 9 ago. 2025. |
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