RODOCOCOSE EQUINA: RELATO DE CASO EM POTRO DE 32 DIAS
1JOÃO GABRIEL PICININ PEDROSO, 2MARIA CLARA BRESSAN, 3RAFAEL FURLAN DE OLIVEIRA, 4CECILIA APARECIDA SPADA, 5DENIS VINICIUS BONATO, 6GUSTAVO ROMERO GONÇALVES
1Discente de Medicina Veterinária do Centro Universitário Ingá - Uningá,
2Médica Veterinária autônoma em Maringá e região
3Discente de Medicina Veterinária do Centro Universitário Metropolitano de Maringá Unifamma
4Acadêmica do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos - Turma Vii da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Discente do programa de pós graduação em produtos bioativos a nível de doutorado da Universidade Paranaense Unipar
Introdução: A rodococose equina, causada pela bactéria Rhodococcus equi, apresenta caráter oportunista, compondo a flora microbiana intestinal natural dos equinos. No entanto, pode tornar-se clinicamente relevante em situações de imunossupressão, estresse ou manejo inadequado, manifestando-se como pneumonia piogranulomatosa, enterite e linfadenite em potros (MARTINS, 2003). A contaminação ambiental ocorre principalmente por meio das fezes de equinos, embora haja registros da presença da bactéria em excretas de ovinos, caprinos, bovinos, aves silvestres e suínos. A infecção do trato respiratório ocorre por inalação de aerossóis contaminados, podendo também acometer o trato digestório em função da natureza coprofágica dos potros, além de ocorrer por contaminação transplacentária e umbilical (SANTOS et al., 2020). A gravidade da doença se evidencia pelas significativas perdas econômicas, decorrentes da elevada mortalidade dos animais, bem como dos altos custos, da prolongada duração e da limitada eficácia dos tratamentos disponíveis (MARTINS, 2003). Estudos indicam que a morbidade pode atingir até 20%, enquanto a mortalidade chega a 80% em animais com menos de seis meses de idade (JONES; HUNT; KING, 1997). O objetivo deste trabalho é relatar um caso de rodococose equina em um potro de 32 dias, abordando os sinais clínicos, a evolução e o tratamento realizado.
Relato de caso: O paciente, um potro macho da raça Quarto de Milha, com 32 dias de idade, apresentava queixas clínicas de dificuldade respiratória e tosse persistente. No exame físico, constatou-se hipertermia (40,3 °C) e aumento das frequências cardíaca e respiratória. O animal encontrava-se alerta, com apetite preservado e postura normal. No exame específico do sistema respiratório, observou-se respiração com dispneia predominante do tipo abdominal e presença de corrimento nasal bilateral, em pequena quantidade e de aspecto mucoso. A auscultação revelou crepitações grossas audíveis sem o auxílio do estetoscópio, sugerindo comprometimento pulmonar significativo. Como exame complementar imediato, realizou-se ultrassonografia torácica utilizando o equipamento Sonoscape A1V com transdutor linear retal de 7,5 MHz. A avaliação evidenciou múltiplas estruturas circulares ao longo das paredes torácicas, de contorno bem delimitado, com artefato de reverberação subjacente, conteúdo hipoecogênico e parede ecogênica, compatíveis com abscessos pulmonares, condizentes com rodococose equina. Diante do quadro clínico e dos achados ultrassonográficos, optou-se pelo tratamento específico para rodococose, com administração oral de rifampicina (10 mg/kg, três vezes ao dia) e doxiciclina (10 mg/kg, duas vezes ao dia) durante 20 dias. Ao longo do tratamento, observou-se melhora progressiva da tosse e do desconforto respiratório. Após a conclusão da terapia, o potro apresentou total regressão dos sinais clínicos, confirmando a eficácia do manejo adotado e corroborando o diagnóstico clínico de rodococose equina.
Discussão: A idade do potro relatado enquadra-se na faixa etária considerada mais suscetível à infecção no Brasil, compreendida entre 1 e 6 meses (GONÇALVES; SILVA JÚNIOR, 2002). A forma clínica predominante é a pulmonar, caracterizada por tosse persistente, dispnéia e presença de crepitações grossas. Trata-se da manifestação mais comum da enfermidade, podendo, em alguns casos, estar associada a alterações gastrintestinais (ROSSI, 2011, p. 15). A avaliação ultrassonográfica revelou múltiplas formações circulares, de contornos bem definidos, associadas a artefato de reverberação, conteúdo hipoecogênico e paredes ecogênicas, achados característicos de abscessos pulmonares. Tais lesões são descritas como comuns em casos de rodococose equina, podendo apresentar tamanhos variados e localização difusa em diferentes regiões do pulmão. A presença de múltiplos abscessos, como observado no presente caso, reforça o padrão típico da enfermidade, em que a forma pulmonar é a mais prevalente e frequentemente associada a alta morbidade em potros jovens (HUBER, 2016). O tratamento antimicrobiano da rodococose equina baseia-se no uso de fármacos lipofílicos, capazes de atingir altas concentrações intracelulares, local de multiplicação do Rhodococcus equi. A rifampicina é um exemplo clássico desse grupo, frequentemente associada a outros antimicrobianos (GIGUÈRE; PRESCOTT, 1997; BERTONE et al., 2000) como a doxiciclina, que apresenta ação bacteriostática.
Conclusão: O relato evidencia que a rodococose equina, mesmo em potros jovens, pode ser diagnosticada precocemente por meio da avaliação clínica e ultrassonográfica, permitindo intervenção terapêutica eficaz. O tratamento combinado com rifampicina e doxiciclina mostrou-se eficiente na regressão dos sinais clínicos, corroborando a importância do diagnóstico rápido e do manejo adequado para reduzir morbidade e mortalidade em potros suscetíveis.
Referências:

GIGUÈRE, S.; PRESCOTT, J. F. Clinical manifestations, diagnosis, treatment, and prevention of Rhodococcus equi infections in foals. Veterinary Microbiology, v. 56, p. 313–334, 1997.
GONÇALVES, R. C.; SILVA JÚNIOR, F. F. Polissinovite autoimune por Rhodococcus equi em potro, secundária à enterocolite. Revista de Educação Continuada do CRMV-SP, v. 5, n. 2, p. 206–214, 2002.
HUBER, L. Monitoramento de potros por ultrassonografia torácica, cultura bacteriológica e PCR: diagnóstico de infecção subclínica por Rhodococcus equi. 2016. 80 f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária Equina) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Medicina Animal: Equinos, Porto Alegre, 2016.
JONES, T. C.; HUNT, R. D.; KING, N. W. Veterinary pathology. 6. ed. Baltimore: Williams & Wilkins, 1997. p. 486.
MARTINS, C. B. Titulação de anticorpos anti-Rhodococcus equi em éguas prenhas e potros. 2003. 91 f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) — Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Jaboticabal, 2003. Disponível em: http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/89241/martins_cb_me_jabo.pdf?sequence=1. Acesso em: 2 set. 2025
ROSSI, Mariana Silva. Rodococose equina: uma revisão com ênfase na fisiopatogenia e tratamento. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Botucatu, 2011. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/handle/11449/120885. Acesso em: 15 set. 2025.
SANTOS, Andressa Carolina dos; SOARES, Ana Flávia Guimarães; GOMES, Amanda Aparecida; SILVA, Luma Gabriela; FONSECA, Cíntia; PEREIRA, Bruna Fernanda. Infecção por Rhodococcus equi em potros: revisão sistemática. In: ENCONTRO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA – UNICERP, 2020, Patrocínio. Anais.... Patrocínio: UNICERP, 2020. Disponível em: https://doity.com.br/anais/encontro-de-iniciacao-cientifica-unicerp-2020/trabalho/173577. Acesso em: 15 set. 2025.