INFLUÊNCIA DO USO EXCESSIVO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS SOBRE A SAÚDE MENTAL DE ADOLESCENTES
1JOSIANE SILVERIO DE CASTRO, 2NICOLY DE OLIVEIRA DA SILVA, 3KATIA BIAGIO FONTES
1Discente do Curso de Enfermagem da PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: As tecnologias digitais firmaram-se como elemento essencial no dia a dia, especialmente nos âmbitos da comunicação, da aprendizagem e das relações sociais. Atualmente, grande parte das atividades humanas, como estudar, praticar exercícios, socializar, divertir-se, comunicar-se, entre outras, envolve o uso de dispositivos eletrônicos. Essa intensa presença tecnológica fez com que a sociedade se tornasse altamente dependente desses recursos, o que contribui significativamente para os efeitos decorrentes do uso excessivo de telas, sobretudo entre crianças e adolescentes (Vieira, 2025). Apesar de inúmeros benefícios associados ao seu uso, observa-se que a exposição excessiva a dispositivos digitais tem ocasionado repercussões negativas especialmente em adolescentes (Fiocruz, 2025). Assim, torna-se fundamental refletir sobre o impacto do uso excessivo de tecnologias digitais na saúde mental de adolescentes.  
Objetivo: Analisar a influência do uso excessivo de tecnologias digitais sobre a saúde mental de adolescentes.  
Desenvolvimento: Dados da Organização Mundial de Saúde para a Europa apontam para um crescimento significativo do uso problemático das mídias sociais entre adolescentes, cuja prevalência aumentou de 7% em 2018 para 11% em 2022. Cerca de 12% dos jovens já apresentam risco de desenvolver problemas relacionados ao uso de jogos digitais (OMS, 2024). Pesquisadores e entidades de diversas áreas apontam a relação entre o uso de tecnologias digitais com o aumento da violência nas escolas e danos à saúde de crianças e adolescentes (Fiocruz, 2025).  A exposição a situações vexatórias online como, hostilidade, cyberbullying, assédio e comparações negativas quando associada a fatores contextuais externos ao ambiente digital, pode intensificar a vulnerabilidade ao desenvolvimento de comportamentos autolesivos e suicidas. Adolescentes que apresentam condições previas de adoecimento mental configuram um grupo de maior suscetibilidade a esses riscos no ambiente online (Brasil, 2025). Estudo multicêntrico realizado com 190.089 adolescentes em 42 países com o objetivo de avaliar a relação entre a intensidade do uso de mídias sociais, uso problemático de mídias sociais e sensação de bem-estar mental e social, revelou que 78% da amostra foram classificados como usuários ativos ou intensos de mídias sociais, 7% como uso problemático de mídias sociais e os 15% restantes pertenciam aos usuários não ativos. Analise de regressão revelou que usuários problemáticos de mídia social apresentaram menor nível de bem-estar mental e social e maior nível de uso de substâncias psicoativas quando comparados a usuários intensos de mídia social não problemáticos (Boniel-Nissim et al., 2022). Além disso o uso problemático de mídias sociais tem sido associado a menos horas de sono e horários mais tardios para dormir, impactando potencialmente a saúde geral e o desempenho acadêmico dos adolescentes, esses dados demostram a urgência de atenção para os efeitos da tecnologia na vida dos adolescentes, especialmente no que se refere à saúde mental e ao equilíbrio do bem-estar (OMS, 2024).
Conclusão: Através desta revisão de literatura pode–se concluir que o excesso do uso de tecnologias digitais pode expor o adolescente ao aumento da violência, o desenvolvimento de comportamentos autolesivos e suicidas, menor bem-estar mental e social, maior uso de substancias psicoativas, menos horas de sono e horários mais tardios para dormir, situações vexatórias online como, hostilidade, cyberbullying, assédio e comparações negativas. Esses dados revelam o impacto negativo do uso de tecnologias digitais sobre a saúde mental de adolescentes e destacam a necessidade de alternativas que promovam o uso mais equilibrado das tecnologias digitais, destacando a importância do autocuidado digital, a definição de limites para o tempo de conexão, o fortalecimento das interações no ambiente offline e a inserção urgente do tema como pauta para elaboração de políticas públicas educacionais e digitais.
Referências:
BONIEL-NISSIM, M. et al., International perspectives on social media use among adolescents: Implications for mental and social well-being and substance use. Computers in Human Behavior, v. 129, 2022, 107144. Disponivel em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0747563221004672 Acesso em: 04 set. 2025.
BRASIL. Secretaria de Comunicação Social. Conhecendo os riscos. Disponível em: https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/capitulos/conhecendo-os-riscos#:~:text=A%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20Mundial%20da%20Sa%C3%BAde% 20destaca%20que,p%C3%BAblico%20que%20est%C3%A1%20em%20franco%20desenvolvimento%20biopsicossocial. Acesso em: 03 de set. 2025.
FIOCRUZ. Noticias. Câmara aprova projeto que regula uso das redes por crianças e adolescentes. FIOCRUZ: 25 ag. 2025. Disponível em: https://fiocruz.br/noticia/2025/08/camara-aprova-projeto-que-regula-uso-das-redes-por-criancas-e-adolescentes Acesso em: 03 de set. 2025.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAUDE. Adolescentes, telas e saúde mental: Novo relatório da OMS indica necessidade de hábitos online mais saudáveis ​​entre adolescentes. OMS: 25 set. 2024. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/25-09-2024-teens--screens-and-mental-health Acesso em: 03 de set. 2025.
VIEIRA, D. A. O impacto do uso de telas na saúde mental das crianças e adolescentes nos últimos 10 anos. 2025 Trabalho de Conclusão de Curso, Residência Médica do Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, Trabalho de Conclusão de Curso (Residência Médica em psiquiatria).  Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, São Paulo, 2025. Disponível em: https://share.google/Pjwd71sdtTWqlpbAd Acesso em: 04 set. 2025.