Candida spp. E ESTOMATITE PROTÉTICA: REVISÃO SOBRE FISIOPATOLOGIA E CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS  
1DIEGO SANTA CRUZ GOMES, 2LIDIANE NUNES BARBOSA
1¹Discente do curso de Odontologia e do Programa de Iniciação Científica (PIC) da Universidade Paranaense- UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A Estomatite protética (EP) é uma das lesões mais comuns em pacientes que utilizam próteses totais. Trata-se de uma condição crônica caracterizada por inflamação localizada ou difusa da mucosa bucal. Esta doença apresenta um tratamento complexo, pois sua causa é multifatorial, envolvendo diversos fatores que dificultam a resolução (Sesma; Morimoto 2017). A infecção por Candida é considerada o principal fator etiológico, visto que pode iniciar, manter e exacerbar tal alteração (Scalercio et al., 2007). O uso excessivo de antimicrobianos no tratamento tem aumentado, nas últimas décadas, levando a maior resistência das leveduras aos antifúngicos usados nos tratamentos. Dessa forma, é fundamental buscar métodos alternativos para o controle eficaz desses microrganismos (Zardo; Mezzari 2004).
Objetivos: Realizar um levantamento bibliográfico que discuta a fisiopatologia e as consequências da estomatite protética em usuários de próteses totais.
Desenvolvimento: O principal fator etiológico da estomatite protética é a infecção por Candida, especialmente a espécie albicans. A Candida albicans é um microrganismo do tipo comensal, presente na cavidade bucal de grande parte das pessoas consideradas saudáveis (Coleman; Nelson 1996; Sonis et al., 1996; Regezi; Sciubba, 2000; Tommasi, 2000). No entanto, a condição bucal é alterada pelas próteses, que diminuem o pH e o fluxo salivar, diminuem o contato da língua com os tecidos, e fatores como higiene inadequada e uso constante da prótese durante a noite também favorecem o aparecimento de alterações bucais (Lyon et al., 2006). Dessa forma, a higienização oral e a desinfecção diárias de próteses dentárias removíveis são necessárias para promover a saúde e a conservação dos tecidos orais. A manutenção da mucosa saudável está relacionada ao grau de limpeza das próteses em contato com a superfície tecidual. No estudo de Bianchi et al. (2016) os pacientes que utilizaram próteses dentárias removíveis foram 6,9 vezes mais propensos a desenvolver candidíase oral do que idosos não portadores. Este fato pode ser explicado pelas condições precárias das próteses dentárias (má adaptação e fabricação) ou alta porosidade devido ao uso prolongado. A inadequada higienização da prótese realizada pela maioria dos pacientes que utilizam próteses dentárias removíveis é um fator relacionado ao aumento do número de Candida spp. O agente etiológico mais comum isolado na pesquisa desses autores foi a C. albicans. Os autores concluem que a utilização de próteses e pobre higiene oral em pacientes idosos são fatores predisponentes ao desenvolvimento da candidíase oral.
Conclusão: A partir das informações obtidas com a pesquisa bibliográfica foi possível observar a importância da prevenção e tratamento precoce da estomatite protética, pois além de atingir um número elevado de usuários de próteses dentárias, é de difícil tratamento e causa desconforto aos pacientes.
Referências:
BIANCHI,  C. M. P. C.  et  al. Factors  related  to  oral  candidiasis  in  elderly  users  and non - users of removable dental prostheses. Revista do  Instituto de  Medicina Tropical de São Paulo, v. 58, p. 17, 2016.
COLEMAN,  G. C.; NELSON,  J. F. Princípios  de Diagnóstico Bucal. 1.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. p.195-8; 212 e 213.
LYON, J. P. et al. Predisposing conditions for Candida spp. carriage in the oral cavity of denture wearers and individuals with natural teeth. Canadian Journal of Microbiology, v. 52, n. 5, p. 462-467, 2006.         
REGEZI, J. A.; SCIUBBA,  J. J. Patologia Bucal-Correlações Clinicopatológicas. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. p.0-25; 0-35; 76-80; 101.
SCALERCIO, M. et al. Estomatite protética versus candidíase: diagnóstico e tratamento. RGO (Porto Alegre), p. 395-398, 2007.
SESMA, N.; MORIMOTO, S. Estomatite protética: etiologia, tratamento e aspectos clínicos. Journal of Biodentistry and Biomaterials, v. 2, 2017.
SONIS, S. T.; FAZIO, R. C.; FANG, L. Princípios e Prática de Medicina Oral. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. p.440.
TOMMASI,  A. F. Diagnóstico  em  Patologia  Bucal. 3.ed. São Paulo: Pancast Editora, 2000. p.219-21; 506 e 507.
ZARDO, V.; MEZZARI, A. Os antifúngicos nas infecções por Candida sp. NewsLab, v. 63, p. 136-46, 2004.