ÍNDICE DE BIOMETRIA TESTICULAR EM RATOS: RELAÇÃO ENTRE PESO CORPORAL E VOLUME GONADAL  
1LUCAS FALASCHI MARQUES, 2PEDRO VICTOR GRAEBIN, 3MARIA EDUARDA SOARES, 4MARIA EDUARDA POIATTE TRESSOLDI, 5RICARDO DE MELO GERMANO, 6ANA MARIA QUESSADA
1Acadêmico de Medicina Veterinária - PIBIC/UNIPAR
2Acadêmico de Medicina - PIBIC/UNIPAR
3Acadêmico de Medicina Veterinária - PIBIC/UNIPAR
4Acadêmico de Medicina Veterinária - PIC/UNIPAR
5Docente Titular de Fisoologia e do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da UNIPAR
6Docente do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal UNIPAR
Introdução: O uso de ratos como modelo experimental é fundamental para compreender a fisiologia testicular e validar índices morfométricos, que subsidiam investigações em reprodução (França et al., 2006; Suleimen et al., 2025). A castração química desponta como alternativa menos invasiva à orquiectomia, utilizando substâncias capazes de induzir necrose testicular. Estudos demonstraram que o óleo essencial de cravo (Eugenia caryophyllata) provoca necrose, fibrose e hialinização dos túbulos seminíferos em cães (Abshenas et al., 2013), enquanto o extrato de Azadirachta indica (neem) leva à necrose do parênquima testicular, vacuolização celular e queda significativa de testosterona (Ali et al., 2020). Nesse cenário, avaliar o peso e as dimensões testiculares em ratos constitui etapa inicial indispensável para validar futuros modelos de castração química com óleos essenciais da flora brasileira.
Objetivo: Avaliar parâmetros biométricos testiculares em ratos de diferentes faixas etárias e propor um índice que relacione o peso corporal ao volume médio dos testículos, visando estabelecer critérios objetivos para a análise da proporcionalidade entre crescimento somático e desenvolvimento gonadal em modelos experimentais.
Material e Métodos: Os animais foram distribuídos em três lotes experimentais, de acordo com a faixa etária: lote 1 (50–60 dias), lote 2 (60–70 dias) e lote 3 (70–80 dias), totalizando 24 indivíduos por grupo. Todos os ratos procediam de experimento aprovado pela CEUA, sob protocolo n.º 37004/2020. Após a eutanásia, os ratos foram pesados os testículos foram submetidos à mensuração de suas dimensões com auxílio de paquímetro digital de alta precisão, considerando o maior e o menor eixo, com e sem a pele escrotal. Em seguida, cada testículo foi pesado e então foi seccionado longitudinalmente e imerso em solução de formol neutro a 10%, assegurando a preservação inicial das estruturas para posterior análise. Neste estudo, foi proposto um índice de avaliação que relaciona o peso corporal total dos animais (incluindo testículos) com o volume médio testicular (direito e esquerdo), com o objetivo de identificar possíveis desequilíbrios entre crescimento corporal e desenvolvimento reprodutivo. O índice foi calculado pela razão: Índice = Peso do animal + PMTD + PMTE (Volume testicular médio; Peso médio testicular).
Resultados: No 1º lote (50–60 dias), o peso médio dos animais foi de 264,92 g, com PMTD de 1,37 g e PMTE de 1,40 g. O volume testicular médio foi de 2,81 cm³ (direito) e 2,96 cm³ (esquerdo). No 2º lote (60–70 dias), o peso médio foi de 311,47 g, com PMTD de 1,49 g e PMTE de 1,50 g. Os volumes médios foram 3,03 cm³ (direito) e 3,27 cm³ (esquerdo). No 3º lote (70–80 dias), o peso médio foi de 337,48 g, com PMTD de 1,57 g e PMTE de 1,61 g. Os volumes médios foram 3,54 cm³ (direito) e 3,70 cm³ (esquerdo). Comparando os lotes, observou-se aumento progressivo no peso corporal e no volume testicular. O índice proposto apresentou valores de 92,81 (lote 1), 99,83 (lote 2) e 94,06 (lote 3).
Discussão: Os resultados evidenciaram variações entre os lotes, com maior índice no segundo (99,83), seguido do terceiro (94,06) e do primeiro (92,81). Essa diferença indica que o aumento do peso corporal nem sempre é proporcional ao desenvolvimento testicular. Considerando a escassez de estudos que correlacionem peso corporal e volume testicular em ratos de laboratório, o presente trabalho assume caráter inédito ao propor um modelo sistemático de avaliação reprodutiva nessa espécie. Na ausência de dados específicos em roedores, estudos realizados em outras espécies oferecem subsídios interpretativos. Bhakat et al. (2014), em búfalos da raça Murrah, relataram correlações significativas entre peso corporal, circunferência escrotal e volume testicular, reforçando a interdependência dessas variáveis no desenvolvimento reprodutivo. De modo semelhante, Ahmed et al. (2016) observaram em bovinos Tho Tho que o peso corporal apresentou correlação mais forte com medidas testiculares do que a idade, sendo o peso testicular diretamente associado à circunferência escrotal (r ≈ 0,94). Em pequenos ruminantes, como ovinos e caprinos, essa relação também é evidente: em carneiros da raça West African Dwarf, Olugbenga et al. (2022) verificaram correlações elevadas entre peso corporal e volume testicular (r > 0,83), indicando que o crescimento gonadal acompanha o desenvolvimento somático e impacta diretamente na capacidade espermatogênica.
Conclusão: Nesse contexto, índices mais baixos podem refletir maior eficiência reprodutiva, pois expressam maior volume testicular proporcional ao peso corporal. Por outro lado, valores mais elevados, como os observados no segundo lote, sugerem priorização do ganho ponderal em detrimento do crescimento gonadal proporcional. Assim, ao propor uma métrica simples e reprodutível para ratos de laboratório, este estudo contribui para a padronização futura de protocolos experimentais baseados na biometria testicular, oferecendo subsídios para avaliação da função gonadal em modelos animais.
Referências:
ABSHENAS, J.  et al. Chemical sterilization by intratesticular injection of Eugenia caryophyllata essential oil in dog: a histopathological study. Iranian Journal of Veterinary Surgery, v. 8, p. 9–16, 2013. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.ivsajournals.com/article_4381_011c6d55d467cf03dcf249fda73f3f5b.pdf 
AHMED, S. K. N. et al. Testicular biometrics, scrotal circumference and their correlation with body weight and age in Tho Tho bulls of Nagaland. Veterinary World, v. 9, n. 6, p. 563–568, 2016. DOI: 10.14202/vetworld.2016.563-568. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4897419/. 
ALI, M. et al. Efficacy of Azadirachta indica (Neem) leaf extract and hypertonic saline solution as chemical sterilizing agents in dogs. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 57, n. 4, e171582, 2020. Dsiponível em: https://revistas.usp.br/bjvras/article/view/171582/167753 
BHARAT, B. et al. Relationship between scrotal circumference and testicular parameters with body weight in Murrah buffalo bulls. Journal of Reproduction and Development, v. 59, n. 1, p. 79–83, 2013. DOI: 10.1262/jrd.2012-021. Disponível em: https://www.jstage.jst.go.jp/article/jrd/59/1/59_2012-021/_article. 
FRANÇA, L. R. et al. Testis structure and function in a nongenetic hyperadipose rat model at prepubertal and adult ages. Endocrinology, v. 147, n. 3, p. 1556–1563, 2006. DOI: 10.1210/en.2005-0640. 
OLUGBENGA, O. A.; FAYEMI, O. E.; OLUWASOLA, D. T.. Relationship between body weight, scrotal circumference and testicular morphometry in West African Dwarf rams. International Journal of Veterinary Science and Medicine, v. 10, n. 1, p. 18–24, 2022. DOI: 10.1155/2022/8421334. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1155/2022/8421334. 
SULEIMEN, A. et al. Morphometric Characteristics of Rat Testes Tissue After Exposure to Dust–Salt Aerosols of the Aral Sea. Biology, v. 14, n. 4, p. 380, 2025. DOI: 10.3390/biology14040380.