![]() | |
|---|---|
![]() | |
| INTERFACES ENTRE A PSICOLOGIA DO ESPORTE E A ATUAÇÃO DO PROFESSOR-TÉCNICO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA INICIAÇÃO ESPORTIVA | |
| 1KELLY CRISTINE LUCINI, 2ALESSANDRA VIEIRA FERNANDES | |
| 1Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 2Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: A iniciação esportiva constitui um processo essencial na formação global de crianças e adolescentes, não apenas em termos motores, mas também cognitivos, emocionais e sociais. O esporte é compreendido como uma importante ferramenta socioeducativa, promovendo o desenvolvimento de habilidades como cooperação, empatia, disciplina e regulação emocional (Weinberg; Gould, 2017). Por sua vez, a iniciação esportiva, quando bem conduzida, torna-se uma oportunidade de formação integral, indo além do rendimento e contribuindo para o desenvolvimento humano, social e emocional de crianças e adolescentes. Neste contexto, o professor tem um compromisso educativo e social, alinhando-se a objetivos pedagógicos amplos, como inclusão, cidadania e desenvolvimento integral (Godoi; Kawashima; Moreira, 2021). Diante disso, esse relato tem como objetivo descrever a experiência de estágio curricular na área da Psicologia do Esporte em um projeto social de futsal, cujo foco foi o suporte ao professor-técnico. Relato de Caso: Inicialmente, a experiência de estágio tinha como objetivo intervir com crianças entre 7 e 10 anos de idade, integrantes de uma equipe de futsal vinculada a um projeto social. Para tanto, foram utilizados métodos qualitativos, como observação participante, conversas informais e entrevistas semiestruturadas, a fim de estabelecer um vínculo inicial e compreender o contexto subjetivo e relacional no qual as crianças estavam inseridas. A partir da coleta de dados realizada durante o acompanhamento dos treinos, identificou-se uma limitação na comunicação entre professor e crianças, evidenciada pela ausência de momentos de reflexão coletiva e pela falta de feedbacks que possibilitasse a análise de erros e acertos, o reconhecimento de destaques e o incentivo ao grupo. Diante desse diagnóstico, considerou-se necessária uma intervenção de apoio ao professor, de modo que ele pudesse articular em sua metodologia espaços de integração e comunicação antes, durante ou após os treinos. Essa sistematização visava ampliar a consciência dos atletas sobre o próprio desempenho, além de potencializar a motivação e o desenvolvimento de competências esportivas e sociais. Com base nisso, semanalmente era planejada uma atividade a ser realizada com as crianças a partir da mediação do professor e da estagiária. A estagiária apresentava a proposta ao professor no início do treino, orientava suas funções e acolhia suas sugestões. As estratégias contemplavam rodas de conversa, técnicas grupais e atividades lúdicas, com o objetivo de integrar aspectos técnicos, cognitivos e socioemocionais ao processo de aprendizagem esportiva. As atividades eram incorporadas ao treino, uma vez por semana, totalizando sete intervenções. Nessas práticas, foram exploradas habilidades técnicas e motoras (como o aperfeiçoamento do passe de bola, da coordenação motora e da movimentação em situações de jogo), capacidades cognitivas (como o estímulo ao raciocínio lógico, à tomada de decisão ágil e ao desenvolvimento de estratégias coletivas), aspectos socioemocionais (promovendo a percepção do outro, o respeito ao tempo do colega, a socialização, o sentimento de pertencimento e a redução da ansiedade) e o trabalho em equipe (fortalecendo vínculos entre os participantes e incentivando a cooperação). Ao final da experiência, foi possível observar maior engajamento e iniciativa do professor nos treinos, tornando sua metodologia mais ativa, participativa e criativa. Discussão: Na iniciação esportiva, o uso de uma metodologia com base em atividades lúdico-dialogadas, pode contribuir significativamente para o desenvolvimento integral das crianças por meio do esporte. Um estudo conduzido por Nicolini et al. (2022) observou os efeitos de uma intervenção motora em aulas de educação física. Os resultados apontaram efeitos positivos na motivação, no engajamento das crianças e na competência percebida, relacionados diretamente ao comportamento do professor e ao contexto da aula. Foi enfatizado que atividades ajustadas ao nível de desenvolvimento, aliadas a demonstrações claras e feedback precisos, são fundamentais para promover o engajamento infantil. Conclusão: A experiência de estágio no projeto social demonstrou-se fundamental para a formação acadêmica em Psicologia, ao integrar teoria e prática no contexto esportivo. A vivência possibilitou compreender como a atuação psicológica pode potencializar processos de ensino-aprendizagem, fortalecer vínculos e favorecer o desenvolvimento integral das crianças. Além disso, contribuiu para ampliar a percepção sobre o papel interdisciplinar do psicólogo no esporte, consolidando aprendizados que transcendem o âmbito técnico. |
|
| Referências: GODOI, M. R.; KAWASHIMA, L. B.; MOREIRA, E. C. Compromisso educacional e social: trajetórias de professores que desenvolvem projetos sociais esportivos. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v. 16, n. 4, p. 2473–2492, 2021. NICOLINI, D. C.; SOUZA, M.; ZANELLA, L.; VALENTINI, N. Intervenção motora na educação física. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 30, n. 3, 2022. WEINBERG, R. S.; GOULD, D. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. |
|