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| O PROBLEM BASED LEARNING (PBL)NO ENSINO MÉDICO: UMA REVISÃO SOBRE O IMPACTO DO PBL NA FORMAÇÃO ACADÊMICA | |
| 1DANIEL MALDONADO DANIEL, 2ÁLVARO PICHININI BLANCO, 3LUCIANO SERAPHIM GASQUES, 4ALEXANDRE CESAR RODRIGUES DA SILVA, 5MARIA ELENA LIMA MARTINS | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Docente da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Mestrado Em Direito Processual e Cidadania da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: No curso de Medicina, as metodologias ativas exercem impacto relevante na formação do estudante, tanto no aspecto clínico quanto no desenvolvimento de competências humanísticas. Entre elas, destaca-se o Problem Based Learning (PBL), que contribui para formação de profissionais críticos e capazes de lidar com a complexidade da prática médica, desenvolvendo esta capacidade desde os primeiros anos da graduação. Esse método estimula a autonomia, a participação ativa e o interesse dos discentes nos conteúdos, mas também apresenta desafios. Parte dos estudantes encontra dificuldades de adaptação, já que o PBL exige maturidade, disciplina e capacidade de organização. Além disso, sua aplicação demanda professores preparados e uma estrutura institucional adequada. Objetivo: Analisar os impactos do uso do Problem Based Learning (PBL) como metodologia ativa no curso de Medicina, identificando benefícios e desafios pedagógicos a partir das perspectivas de discentes e docentes. Desenvolvimento: As metodologias ativas, consolidadas nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014 (Resolução CNE/CES nº 3, de 20 de junho de 2014), têm como principal característica a transferência do protagonismo do processo de aprendizagem para o estudante. Diferentemente do modelo tradicional, centrado no professor como transmissor de conhecimento, essas estratégias buscam formar sujeitos críticos, reflexivos e autônomos (Oliveira et al., 2023). Nesse sentido, Freire (1996, p. 13) já destacava que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Entre as metodologias mais utilizadas no ensino médico estão o PBL, o Team-Based Learning (TBL), os estudos de caso, a sala de aula invertida e o júri acadêmico, entre outras (Pereira et al., 2024). No contexto da formação médica, o PBL é estruturado a partir da resolução de problemas reais ou simulados, estimulando o aprendizado ativo por meio da investigação, da discussão em grupo e da construção colaborativa do conhecimento (Pereira et al., 2024). Essa proposta dialoga com a visão de Freinet (2022, p. 42), para quem “não é a observação, a explicação e a demonstração […] mas a experiência tateante […] onde se encontra verdadeiramente a serviço da vida”. A percepção discente em relação ao uso do PBL tem se mostrado majoritariamente positiva. Os estudantes relatam maior engajamento, estímulo ao auto estudo, desenvolvimento do senso de responsabilidade, valorização do trabalho coletivo e integração entre teoria e prática (Oliveira et al., 2023). Resultados semelhantes foram observados em estudo realizado com 374 acadêmicos de Medicina da UNAERP, no qual o PBL aplicado à Atenção Primária à Saúde obteve escore médio de 124,31 no instrumento DREEM, correspondendo a 62,15% do valor máximo, o que reforça uma avaliação globalmente favorável do método (Silva et al., 2023). Apesar dos benefícios relatados, também são apontados desafios na adoção do PBL. Do ponto de vista docente, destacam-se a falta de formação específica para aplicar adequadamente a metodologia e, em alguns casos, a resistência em abandonar o modelo tradicional de ensino. Já entre os discentes, os principais obstáculos envolvem a adaptação à mudança de abordagem, a necessidade de maior autonomia, a insegurança diante do processo de autoaprendizagem e a pressão acadêmica associada (Silva, Lira e Ruela, 2024). Mesmo com essas limitações, as pesquisas apontam que o PBL exerce impacto significativo e positivo na formação médica (Phelan, Barrett e Lennon, 2022). Quando introduzido desde os primeiros anos do curso, o método contribui para preparar o futuro profissional frente aos desafios da prática clínica e às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, favorece uma formação mais integrada e voltada à resolução de problemas reais, estimulando competências essenciais como trabalho em equipe, comunicação efetiva e aplicação prática dos conhecimentos teóricos (Pereira et al., 2024). Conclusão: As metodologias ativas, em especial o PBL, configuram-se como ferramentas pedagógicas eficazes na formação médica. Ao incentivar a autonomia do estudante, integrar teoria e prática e estimular habilidades clínicas e cognitivas, contribuem para preparar profissionais mais aptos a lidar com a complexidade da prática médica. A percepção majoritariamente favorável dos discentes evidencia o potencial transformador dessa abordagem, ainda que persistam desafios como a adaptação dos alunos e a capacitação docente. Nesse sentido, reforça-se a necessidade de ampliar a formação continuada de professores e de investir em pesquisas que avaliem, de forma crítica, a efetividade dessas práticas no contexto da educação médica brasileira. |
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| Referências: BRASIL. Resolução CNE/CES nº 3, de 20 de junho de 2014. Brasil, 2014. Disponível em: abre.ai/nufb. Acesso em: 28 jul. 2025. FREINET, Célestin. Pedagogia do bom senso. 8. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2022. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. OLIVEIRA, Sarah Beatriz Soares de; SANTOS, Sandro Vinícius Sales dos; FLORES, Maria José Batista Pinto. Metodologias ativas na educação médica: percepção de estudantes. Revista Portuguesa de Educação, Braga, v. 36, n. 2, 2023. Disponível em: abre.ai/nufd. Acesso em: 28 jul. 2025. PEREIRA, Marcos Vinicius da Silva; MACIEL, Eliel Muniz; BARROSO, Wermerson Assunção; SERRA, Mariana Barreto. Metodologias ativas na educação médica no Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 24, n. 2. 2024. Disponível em: abre.ai/nufh. Acesso em: 28 jul. 2025. PHELAN, Deirdre; BARRETT, Terry; LENNON, Olive. Does Interprofessional Problem-Based Learning (iPBL) develop health professional studentsʼ interprofessional competences? A systematic review of contexts, mechanisms and outcomes. Interdisciplinary Journal of Problem-Based Learning, v. 16, n. 1, 2022. Disponível em: abre.ai/nufj. Acesso em: 28 jul. 2025. SILVA, Ana Paula Batista da; LIRA, Débora Nathielly Oliveira de; RUELA, Thatiane Figueiredo. Importância das metodologias ativas de ensino-aprendizagem no ensino superior: uma revisão integrativa. ResearchGate, 2024. Disponível em: abre.ai/nufk. Acesso em: 28 jul. 2025. |
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