TRATAMENTO DE SEMENTES DE SORGO COM BIOINOCULANTE E FERTILIZANTE MINERAL NA GERMINAÇÃO, NO VIGOR E NO CRESCIMENTO DE PLÂNTULAS  
1WADRIAN SIVIERO PARIS, 2THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: O plantio de híbridos de sorgo para pastejo constitui uma alternativa eficiente para a produção de forragem (Santos et al., 2024). Estudos indicam que o sorgo apresenta maior potencial forrageiro em comparação ao milheto, sendo recomendado como cultura estival para pastejo (Bragança et al., 2024). Além disso, o tratamento de sementes tem sido apontado como estratégia capaz de favorecer melhor estande e aumentar a produção de massa fresca e seca, sendo uma prática recomendada para essa cultura (Severo et al., 2024). Conforme Costa et al. (2024), os tratamentos de sementes promovem maior vigor e produtividade das plantas, potencializando a expressão genética e hormonal, e diversos produtos disponíveis no mercado, como bioestimulantes, têm demonstrado potencial para acelerar a emergência e melhorar o crescimento inicial das plântulas (Silva et al., 2024).
Objetivo: Avaliar o efeito do tratamento de sementes de sorgo (Nugrass 900F) com inoculante (LALRISE AZOSSC) e fertilizante (Plenan® Arenito) sobre germinação, vigor e crescimento de plântulas.
Material e Métodos: O experimento foi conduzido na Universidade Paranaense (UNIPAR), Campus I – Sede, utilizando sementes de sorgo pastejo (cultivar Nugrass 900F – Sementes Nuseed®), submetidas a quatro tratamentos: ST – sementes sem tratamento (controle); AB – sementes tratadas com 144,7 mL kg⁻¹ do inoculante LALRISE AZOSSC (ingrediente ativo: Azospirillum brasilense, cepa Az39, 5 × 10⁸ UFC mL⁻¹); PA – sementes tratadas com 144,7 mL kg⁻¹ do fertilizante mineral complexo Plenan® Arenito; e AB+PA – sementes tratadas com a combinação dos dois produtos nas mesmas proporções. As doses foram definidas com base nas recomendações dos fabricantes (500 mL ha⁻¹), considerando uma população de 155.000 plantas ha⁻¹. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições por tratamento. As avaliações compreenderam: teste de germinação, incluindo primeira contagem de germinação (PCG, %) e germinação final (GF, %) (Brasil, 2009); teste de comprimento de plântulas, avaliando comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da raiz (CR), massa seca da parte aérea (MSPA) e massa seca da raiz (MSR) (Nakagawa, 1999), além de volume radicular (VR, mm³), área superficial (AS, mm²) e diâmetro médio das raízes (DM, mm), determinados pelo software SAFIRA. O teste de emergência em areia incluiu porcentagem de emergência (EMERG, %), índice de velocidade de emergência (IVE) (Maguire, 1962) e tempo médio de emergência (TME, dias) (Lima et al., 2006). Nesse mesmo teste, foram determinados os parâmetros fisiológicos, incluindo índices de balanço de nitrogênio (NBI), de clorofilas (CHL), de flavonoides (FLAV) e de antocianinas (ANTH), bem como variáveis relacionadas à eficiência fotoquímica: rendimento quântico efetivo do fotossistema II (Y), rendimento quântico máximo do fotossistema II (Fv/Fm), potencial fotoquímico (Fv/Fo), coeficiente de extinção fotoquímica (qP), coeficiente de extinção não fotoquímica (qN), parâmetro de extinção não fotoquímica (NPQ) e rendimento quântico de energia não dissipada (Y[NO]). Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade (p < 0,05), utilizando-se o software Sisvar, versão 5.6.
Resultados: As variáveis CR, MSR, EMERG, IVE, TME, NBI, Y e qN apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos. O tratamento AB apresentou menor CR, enquanto MSR, EMERG e IVE foram reduzidas na presença dos tratamentos. O TME aumentou quando os tratamentos foram combinados, atrasando a emergência das plântulas, sem diferenças significativas entre ST, AB e PA. Em termos morfofisiológicos, o tratamento PA elevou o NBI, enquanto tanto PA quanto AB reduziram o rendimento quântico efetivo do fotossistema II; a combinação dos tratamentos resultou em menor qN, indicando maior direcionamento da energia absorvida à fotossíntese, condição desejável para eficiência fotossintética. Apesar do efeito sobre a fotossíntese, nenhum tratamento superou a testemunha em termos de qualidade fisiológica das sementes. Assim, os resultados sugerem que os tratamentos avaliados, isolados ou combinados, não proporcionaram vantagem no crescimento inicial das plântulas de sorgo pastejo (cultivar Nugrass 900F).
Discussão: Soares da Cunha et al. (2015) observaram que o tratamento de sementes de sorgo com fertilizante à base de zinco e molibdênio melhorou a qualidade fisiológica das sementes. De forma complementar, Jardim e Cedro (2024) avaliaram a inoculação com diferentes volumes de bactérias do gênero Bradyrhizobium e verificaram que a dose de 15 mL reduziu significativamente a germinação (26%) em relação ao controle (53%), enquanto doses de 5 e 10 mL não aumentaram a taxa (40%). Esses resultados reforçam a necessidade de ajustes na dosagem, na forma de aplicação e na época de uso dos bioinsumos para otimizar seu efeito em sementes de sorgo.
Conclusão: O tratamento das sementes de sorgo para pastejo (cultivar Nugrass 900F) com o inoculante LALRISE AZOSSC e o fertilizante mineral complexo Plenan® Arenito não apresentou efeitos vantajosos sobre a germinação, o vigor e o crescimento de plântulas.
Referências:
Bragança, L. F. et al. Potencial forrageiro de milheto e sorgo na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 22, n. 7, e5651, 2024.
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: MAPA, 2009.
Costa, M. P. S. da et al. Germinação e vigor na cultura do milho sob tratamento com bioestimulante para sementes. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 7, n. 3, e71857, 2024.
Jardim, L. E. C.; Cedro, D. A. B. de. Diferentes doses de Bradyrhizobium na germinação do sorgo. Revista Eletrônica Interdisciplinar, v. 16, n. 2, 2024.
Lima, J. D. et al. Efeito da temperatura e do substrato na germinação de sementes de Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. (Leguminosae, Caesalpinoideae). Revista Árvore, v. 30, n. 4, p. 513-518, 2006.
Maguire, J. D. Speed of germination—Aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, v. 2, n. 2, p. 176-177, 1962.
Santos, T. M. dos et al. Morfogênese de híbridos de sorgo para pastejo em função do espaçamento entre linhas. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, v. 19, n. 2, p. 80-85, 2024.
Severo, I. K. et al. Tratamento de sementes e o desenvolvimento inicial de plantas de sorgo (Sorghum bicolor) para silagens. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 22, n. 7, e5648, 2024.
Silva, T. C. et al. Desempenho agronômico da soja em resposta ao tratamento da semente com bioestimulantes. Trends in Agricultural and Environmental Sciences, v. 2, 2024.
Soares da Cunha, S. G. et al. Qualidade fisiológica de sementes de sorgo em resposta ao tratamento com fertilizante à base de zinco e molibdênio. Agrarian, v. 8, n. 30, p. 351-357, 2015.