DESAFIOS E ABORDAGENS NA REABILITAÇÃO DE DISFUNÇÕES SEXUAIS EM INDIVÍDUOS COM LESÃO MEDULAR  
1ANA CLÁUDIA MAFFISONI, 2GABRIELA EL GUEDR MANFREDINI, 3INDIOMARA BARATTO
1Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paranense (UNIPAR), Campus Francisco Beltrão.
2Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Paranense (UNIPAR), Campus Francisco Beltrão.
3Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Paranaense (UNIPAR), Campus Francisco Beltrão.
Introdução:  A disfunção sexual está presente na grande maioria das lesões medulares, é caracterizada por alterações nas fases do ciclo de resposta sexual, podendo haver dor ou não, e alterar significativamente a função motora, sensorial e autonômica, afetando muitas áreas, incluindo o funcionamento sexual (Moura; Costa; Polese, 2019).  Após a lesão, o indivíduo pode exercer sua sexualidade e profissionais da área da saúde tem como responsabilidade incentivar e promover a educação sexual dos indivíduos com lesão medular (Sartori et al., 2018). A fisioterapia é um caminho para a melhora da atividade sexual, podendo reduzir danos através de um tratamento não invasivo, tendo como papel principal a reinserção do paciente na sociedade e proporcionar autonomia através da abordagem individualizada, de acordo com as necessidades de cada paciente, utilizando diferentes técnicas (Queiros et al., 2023).
Objetivo: Realizar revisão de literatura e analisar impactos, abordagem social e atuação do fisioterapeuta na disfunção sexual em homens e mulheres que tiveram algum tipo de lesão medular.
Desenvolvimento: É de extrema necessidade a quebra do paradigma nas questões sobre sexualidade e função sexual para pacientes com essa condição. Em estudo, Silva et al. (2018), menciona que após o acontecimento, vem a readaptação, novas descobertas e o reaprender a conviver com limitações, a sexualidade do indivíduo por muitas vezes, é menosprezada e tratada como função não essencial, porém é um dos meios de comunicação mais importantes para o ser humano. Estudos que exploram as necessidades sexuais em mulheres com lesão medular são escassos, principalmente pela atribuição social da mulher como um ser passivo, vista como sem necessidade de ter prazer e domínio, enquanto o protagonismo se volta apenas para o homem, dessa forma, a falta de informações e orientação sexual para os lesados medulares, acabam levando o paciente a abandonar o ato sexual e assumir o sexo oral, o que pode piorar a função sexual por desuso (Latorre et al., 2020). A Fisioterapia exerce um papel de suma importância, atuando com uma equipe multidisciplinar visando atingir todas as camadas de sequelas decorrentes, levando a chance de um tratamento não invasivo. Conforme cita Barros (2023), as informações precoces para ambos os sexos influenciam na melhor adaptação na vida sexual e o profissional de fisioterapia se insere nesse contexto, desde instruir, auxiliar, mobilizar, posicionar, fortalecer o corpo do paciente e auxiliar na descoberta da sexualidade, se redescobrindo. Os profissionais podem fornecer acesso a brinquedos sexuais adaptativos e podem encaminhar os indivíduos a especialistas que podem facilitar a exploração corporal para orientar esse processo (Ireland et al., 2024). Quanto a vida sexual, por exemplo, os homens apresentam dificuldades na ereção, no orgasmo e na ejaculação enquanto as mulheres mostram diminuição da lubrificação vaginal e dificuldade de alcançar o orgasmo (Barros, 2023). Dessa maneira, como métodos de auxílio, é utilizado anel peniano, bomba a vácuo, prótese peniana, brinquedos eróticos, gel lubrificante, eletrovibração e estimulação transcutânea do nervo tibial, onde essa última é vista na maioria dos estudos da literatura sobre tratamentos para melhoria da função sexual. Além desses, o biofeedback, um equipamento que permite o registro e a visualização do comportamento muscular em repouso e contração, é uma das alternativas mais utilizadas na reabilitação da musculatura do assoalho pélvico, auxiliando no tratamento da disfunção erétil (Queiros et al., 2023). A eletroterapia também pode ser utilizada, pois o estímulo causado pela corrente FES auxilia o aumento de força e resistência dos músculos bulboesponjoso e isquiocavernoso, movimentando impulsos aferentes do pênis levando a entrada de sangue nos corpos cavernosos (Queiros et al., 2023). O treinamento dos músculos do assoalho pélvico trabalha a capacidade de contrair a musculatura e é considerado um tratamento favorável por ser de fácil aplicação, baixo custo e fácil aprendizado, além de proporcionar efeitos duráveis em curto período de tempo. Nesse sentido, os exercícios de kegel se mostraram eficazes no tratamento da disfunção erétil e devem ser utilizados como um dos tratamentos primários, além de que, especialistas recomendam que homens que desejam recuperar suas atividades sexuais devem praticar pelo menos duas vezes ao dia (Franco; Cardoso; Silva, 2021).
Conclusão: Evidenciou-se que a fisioterapia, por meio de diversas técnicas e métodos, pode melhorar a sensibilidade, o controle esfincteriano, a espasticidade e a dor neuropática decorrente da lesão medular, considerando que a lesão afeta de maneira significativa as funções sensoriais, motoras e autonômicas. Ademais, conclui-se que esse tema ainda é pouco abordado por profissionais da saúde, o que resulta em falta de informação, por dúvidas durante o atendimento ou pela minimização das questões sexuais.
Referências:
BARROS, C. C. A fisioterapia em pacientes com disfunções sexuais após lesão raquimedular: revisão de literatura. 2023. Monografia (Graduação em Fisioterapia) – Centro Universitário Dom Bosco, Maranhão, 2023.
FRANCO, A. S. G.; CARDOSO, M. N.; SILVA, K. C. C. DA. A abordagem fisioterapeuta na disfunção erétil. Research, Society and Development, Guaraí, v. 10, n. 13, p. e221101321156, 2021.
IRELAND, B. et al. Sex-positive sexuality post-spinal cord injury: A systematic review and qualitative metasynthesis. Rehabilitation Psychology, Australia, 2024.
LATORRE, G. F. S. et al. Comprometimentos sexuais em homens com lesão medular. Revista de Medicina, São Paulo, v. 99, n. 3, p. 286–290, 2020.
MOURA, A. C.; VIEIRA, H.; POLESE, J. C. Instrumentos de avaliação da sexualidade em homens e mulheres após a lesão medular: uma revisão sistemática. Acta fisiátrica, Minas Gerais, p. 52–58, 2019.
QUEIROS, P.; MORATO, G.; ALVES, E. Fisioterapia pélvica no tratamento de disfunções sexuais de pacientes do sexo masculino portadores de lesão medular: revisão bibliográfica. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 9, n. 10, p. 3294–3310, 2023.
SARTORI, D. V. B. et al. Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais. Femina, Londrina, p. 32–37, 2018.
SILVA, R. DE A. E et al. Atividade sexual na lesão medular: construção e validação de cartilha educativa. Acta Paulista de Enfermagem, Maranhão, v. 31, n. 3, p. 255–264, jun. 2018.