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| CORRELAÇÃO ENTRE MUCOSITE ORAL E RISCO DE INFECÇÃO EM PACIENTES IMUNOSUPRIMIDOS | |
| 1RENAN IZIDORO DE OLIVEIRA, 2ANNA LUIZA ROGERIO ALMEIDA, 3MAIARA ALVES DA SILVA, 4AMANDA TOLOTTO VALOTO, 5FABIOLA ADRIANA GARCIA MELLO DYNA, 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 5Docente da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A mucosite oral (MO) é uma inflamação da mucosa induzida por quimioterapia e radioterapia, altamente prevalente em pacientes oncológicos. Além da dor e do impacto nutricional, indivíduos portadores de MO apresentam risco elevado de infecções sistêmicas, especialmente durante a neutropenia, devido à comprometimento da barreira mucosa, que facilita a translocação de microrganismos para a corrente sanguínea (De Jonge et al., 2024). Objetivo: Revisar a literatura sobre a relação entre mucosite oral com o risco de infecções sistêmicas em pacientes imunodeprimidos. Foram selecionados artigos disponíveis em bases de dados do Google Acadêmico, PubMed e Scielo, utilizando os descritores “Mucosite Oral”, “Quimioterapia e radioterapia na Mucosite Oral”, “Bacteremia”, “Infecções sistêmicas”. Desenvolvimento: Estudos recentes demonstram que a gravidade da mucosite oral está diretamente relacionada ao risco de bacteremia. De Jonge et al (2024) observaram que pacientes oncológicos em neutropenia apresentaram maior incidência de infecções de corrente sanguínea quando a MO se encontrava em estágio avançado. De forma semelhante, Eichhorn (2025) identificou a lesão da mucosa como fator de risco mais relevante para a bacteremia do que a própria neutropenia ou a presença de cateter venoso central, tradicionalmente considerados determinantes. A ulceração da mucosa oral cria um ambiente propício para disbiose local, favorecendo o crescimento de patógenos oportunistas e sua posterior translocação (Elad, 2020). Os principais microrganismos identificados nesses quadros incluem Viridans streptococci, cocos Gram-positivos, bacilos Gram-negativos e fungos como Candida spp., frequentemente associados a fungemias (Lalla, 2010; Tunkel & Sepkowitz, 2022). Além disso, há evidências de maior suscetibilidade à reativação viral, como a do herpes simples tipo 1 (HSV-1) em pacientes com MO grave (Eichhorn, 2025). O impacto clínico é significativo: infecções associadas à MO resultam em maior tempo de hospitalização, necessidade de antibioticoterapia de amplo espectro, aumento da morbimortalidade e elevação dos custos hospitalares. Dessa forma, a avaliação sistemática da mucosa oral deve integrar a rotina de monitoramento em pacientes submetidos a terapias mielossupressoras. Estratégias de prevenção e manejo incluem: 1) Profilaxia antimicrobiana seletiva, especialmente em pacientes de alto risco (Elad, 2020); 2) Uso de agentes tópicos protetores da mucosa (ex. laserterapia de baixa intensidade e crioterapia), que demonstraram reduzir a incidência e a gravidade da MO em ensaios clínicos; 3) Controle rigoroso da higiene oral, diminuindo a carga microbiana local; 4) Abordagem multidisciplinar, envolvendo oncologistas, hematologistas, infectologistas e cirurgiões-dentistas especializados em oncologia. Conclusão: A MO deve ser considerada não apenas como um efeito adverso doloroso das terapias antineoplásicas, mas também como um fator independente de risco para infecções sistêmicas graves em pacientes imunossuprimidos. A sua presença, especialmente em associação com neutropenia, eleva substancialmente a vulnerabilidade a bacteremias, fungemias e reativações virais. A implementação de protocolos preventivos, aliados ao monitoramento precoce e à profilaxia antimicrobiana, é essencial para reduzir a morbimortalidade associada. Nesse contexto, o avanço em terapias de suporte, aliado ao manejo interdisciplinar, representa caminho promissor para mitigar os impactos clínicos da mucosite em pacientes oncológicos. |
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| Referências: EICHHORN, S. et al. Elevated Likelihood of Infectious Complications Related to Oral Mucositis After Hematopoietic Stem Cell Transplantation: A Systematic Review and Meta-Analysis of Outcomes and Risk Factors. MDPI Journals, Basileia, v. 17, n. 16, ago./2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2072-6694/17/16/2657. Acesso em: 22 ago. 2025. ELAD, S. et al. MASCC/ISOO clinical practice guidelines for the management of mucositis secondary to cancer therapy. Journal of the American Cancer Society, Atlanta, v. 126, n. 19, p. 4423-4431, out./2020. Disponível em: https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/cncr.33100. Acesso em: 20 ago. 2025. JONGE, N. A. D. et al. Mucositis-associated bloodstream infections in adult haematology patients with fever during neutropenia: risk factors and the impact of mucositis severity. Amsterdam UMC , Amsterdan, v. 32, n. 579, ago./2024. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00520-024-08776-w. Acesso em: 20 ago. 2025. LALLA, R. et al. A systematic review of oral fungal infections in patients receiving cancer therapy. Multinational Association Of Supportive Care in Cancer, Atlanta, v. 18, n. 1, p. 985-992, mai./2010. TUNKEL, Allan R.; SEPKOWITZ, Kent A.. Infections Caused by Viridans Streptococci in Patients with Neutropenia. Clinical Infectious Diseases, Londres, v. 34, n. 11, p. 1524-1529, jun./2022. Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article-abstract/34/11/1524/369433?redirectedFrom=fulltext. Acesso em: 21 ago. 2025. |
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