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| CIRURGIA BARIÁTRICA: RISCOS E BENEFÍCIOS NA REDUÇÃO DA OBESIDADE | |
| 1VALENTINA FERREIRA CICARELLI DE ALMEIDA, 2MARIA CLARA OLIVEIRA BALAN, 3TAINAH LETICIA MACHADO, 4GIULIA BASSO SANTOS, 5FERNANDO EDUARDO PAULATTI FREDERICO | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A obesidade é um problema crescente de saúde pública mundial, definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um índice de massa corporal (IMC) superior a 30 kg/m², atingindo aproximadamente 13% da população adulta globalmente (GAMBIOLI et al., 2023). A cirurgia bariátrica tem se consolidado como o tratamento mais eficaz para obesidade severa e mórbida, promovendo perda de peso significativa e duradoura, além de melhorar a qualidade de vida e controlar doenças associadas (WIEBE; TONELLI., 2025). Contudo, a questão é a complexidade que envolve a situação de ser obeso. Por ser a obesidade um fenômeno bastante centrado no aspecto comportamental, a meta de atingir um peso saudável passou a exigir mudanças nos hábitos alimentares, na prática do condicionamento físico e na atenção à saúde psíquica. Essa meta, para o obeso mórbido, é ainda mais difícil, muitas vezes até "impossível", devido à gravidade do seu tipo de obesidade, que exige medidas mais drásticas de tratamento (MARCELINO, PATRÍCIO., 2011). Entretanto, a cirurgia bariátrica também apresenta um risco elevado para alguns efeitos negativos, como trombose venosa, hipoglicemia reativa, nefrolitíase, fraturas, depressão, abuso de álcool e suicídio (WIEBE, TONELLI.,2025). Objetivo: Este texto tem como objetivo apresentar um panorama abrangente sobre os benefícios e malefícios da cirurgia bariátrica, especialmente em pacientes obesos com comorbidades, abordando os resultados clínicos a curto e longo prazo, as percepções de risco dos pacientes e os desafios nutricionais e psicossociais pós-operatórios. Desenvolvimento: De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a cirurgia bariátrica é recomendada para pacientes com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40, ou para aqueles com IMC entre 35 e 40 que apresentem pelo menos duas comorbidades associadas à obesidade (SANCHEZ, 2021). Estudos recentes demonstram que a cirurgia bariátrica reduz a mortalidade e o risco cardiovascular, inclusive em populações específicas, como pacientes obesos com diabetes tipo 1, nos quais se observa redução significativa do risco cardiovascular e mortalidade, apesar do aumento potencial para complicações graves como hiperglicemia, cetoacidose e transtornos psiquiátricos (HÖSKULDSDÓTTIR et al., 2020). Além disso, a cirurgia mostra associação com menor risco de doenças renais, coronarianas, diabetes tipo 2, hipertensão e insuficiência cardíaca crônica após acompanhamento de médio e longo prazo (WIEBE; TONELLI, 2025). Por outro lado, a cirurgia apresenta riscos importantes, que variam desde complicações cirúrgicas precoces — como tromboembolismo pulmonar, sangramentos, formação de fístulas e até risco de morte — até complicações tardias, como estenoses, úlceras, dilatação da bolsa gástrica, cálculos biliares e falha na perda de peso (SANCHEZ, 2021) . Além disso, há uma incidência relevante de efeitos adversos crônicos, incluindo hipoglicemia reativa, trombose venosa, fraturas, depressão, abuso de álcool e até suicídio (WIEBE; TONELLI, 2025). Outro ponto crítico são as deficiências nutricionais. A cirurgia, especialmente nos procedimentos com má absorção, reduz a absorção de micronutrientes como ferro, B12 e folato, podendo causar anemia e outras complicações. Embora os suplementos sejam essenciais no pós-operatório, sua eficácia pode diminuir com o tempo, e a adesão dos pacientes tende a cair após os primeiros anos, elevando o risco de carências nutricionais (GAMBIOLI et al., 2023). Além dos desafios físicos, a cirurgia exige também um acompanhamento psicológico rigoroso, dado que transtornos psiquiátricos, abuso de substâncias e dificuldades emocionais podem comprometer o sucesso do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes (HÖSKULDSDÓTTIR et al., 2020). A percepção de risco pelos pacientes também é um fator importante no pré-operatório, pois expectativas irreais podem dificultar mudanças necessárias no estilo de vida. Muitos pacientes subestimam os riscos da obesidade e superestimam os riscos da cirurgia, o que reforça a importância do esclarecimento adequado durante a preparação cirúrgica (SCHAKAROWSKI et al., 2018). Apesar de o recurso à cirurgia poder reforçar o aspecto patológico e curativo da obesidade, não cabe polarizar o debate entre medidas individuais versus ambientais, mas, sim, compreender a complexidade do problema e dos desafios para seu manejo adequado (ANDRADE et al., 2023). Finalmente, a cirurgia bariátrica, embora efetiva, não deve ser vista como uma solução isolada para a obesidade, mas como uma intervenção complementar a outras estratégias terapêuticas, que incluem mudanças comportamentais e acompanhamento multiprofissional constante para garantir resultados duradouros e seguros (SCHAKAROWSKI et al., 2018). Conclusão: Em suma, a cirurgia bariátrica é uma intervenção eficaz no controle da obesidade severa, mas seus resultados dependem de um cuidado contínuo e bem estruturado. Para garantir segurança e eficácia a longo prazo, é essencial a atuação integrada de uma equipe multiprofissional e o comprometimento ativo do paciente com o tratamento e as mudanças no estilo de vida. |
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| Referências: ANDRADE, R. S. DE .; CESSE, E. Â. P.; FIGUEIRÓ, A. C.. Cirurgia bariátrica: complexidades e caminhos para a atenção da obesidade no SUS. Saúde em Debate, v. 47, n. 138, p. 641–657, jul. 2023. Disponível em: DOI: 10.1590/0103-1104202313820. Acesso em: 11 Jul. 2025. GAMBIOLI, R. et al. Risks and limits of bariatric surgery: old solutions and a new potential option. European Review for Medical & Pharmacological Sciences, v. 27, n. 12, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.26355/eurrev_202306_32822. Acesso em: 22 Jul. 2025. HÖSKULDSDÓTTIR, Gudrun et al. Potential benefits and harms of gastric bypass surgery in obese individuals with type 1 diabetes: a nationwide, matched, observational cohort study. Diabetes care, v. 43, n. 12, p. 3079-3085, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.2337/dc20-0388. Acesso em 22 Jul. 2025. SANCHEZ, Carlos Lupino. Atualidades sobre cirurgia bariátrica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 3, n. 4, p. 07-21, 2021. Disponível em:https://doi.org/10.36557/2674-8169.2021v3n4p07-21. Acesso em: 28 Jul. 2025. SCHAKAROWSKI, Fabiana Brum et al. Percepção de risco da cirurgia bariátrica em pacientes com diferentes comorbidades associadas à obesidade. Trends in Psychology, v. 26, n. 1, p. 339-346, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.9788/TP2018.1-13Pt. Acesso em: 22 Jul. 2025. WIEBE, Natasha; TONELLI, Marcello. Long-term clinical outcomes of bariatric surgery in adults with severe obesity: A population-based retrospective cohort study. Plos one, v. 19, n. 6, p. e0298402, 2024. Disponível em:https://doi.org/10.1371/journal.pone.0298402. Acesso em:22 Jul. 2025. MARCELINO, L. F.; PATRÍCIO, Z. M.. A complexidade da obesidade e o processo de viver após a cirurgia bariátrica: uma questão de saúde coletiva. Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 12, p. 4767–4776, dez. 2011. |
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