ABORDAGENS DIAGNÓSTICAS E TERAPIAS ABLATIVAS GUIADAS POR IMAGEM NO CÂNCER DE PÂNCREAS: UMA ANÁLISE INTEGRADA DA DETECÇÃO AO MANEJO CLÍNICO  
1MARIANA SILVA MARTIMIANO, 2TAYNARA DE OLIVEIRA ROCHA, 3LAUREN CRISTINE ALVES SCULTETUS, 4PAULO HENRIQUE KINOSHITA CANDIDO, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do Curso de Medicina da UNIPAR, participante do PEX
2Discente do Curso de Medicina da UNIPAR, participante do PIBIC e PEX
3Discente do Curso de Medicina da UNIPAR, participante do PEX
4Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente do Curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: O câncer de pâncreas (CP), majoritariamente representado pelo adenocarcinoma ductal pancreático (ADP), é uma das neoplasias malignas mais comuns, caracterizando-se por rápida progressão, alta agressividade e diagnóstico frequentemente tardio (Dallavalle et al., 2024). A gravidade do quadro é potencializada pelo aumento da incidência da doença, relacionado ao envelhecimento populacional e ao aprimoramento dos métodos diagnósticos, especialmente em países desenvolvidos, uma vez que se trata de uma enfermidade rara antes dos 40 anos (Klein, 2021). Nesse contexto, a maior capacidade de detecção tem impulsionado a formulação de diretrizes que visam equilibrar a identificação precoce do câncer com a redução de cirurgias desnecessárias, além de minimizar custos e riscos aos pacientes (Schubach; Kothari; Kothari, 2023). 
Objetivo: Realizar uma revisão de literatura sobre os principais aspectos fisiopatológicos do CP, correlacionando-os com os critérios de rastreamento, os achados radiológicos e o uso de terapias ablativas guiadas por imagem, especialmente em estágios avançados da doença.
Desenvolvimento: O CP é altamente letal, principalmente devido ao seu diagnóstico tardio, uma vez que, na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a detecção precoce e contribui significativamente para a alta taxa de mortalidade (Schubach; Kothari; Kothari, 2023; Granata et al., 2023).  Nesse sentido, a triagem de grupos de alto risco tem se mostrado eficaz ao aumentar a taxa de detecção do ADP, reduzindo a ocorrência de resultados falso-positivos (Pereira et al., 2021). Por sua vez, embora o rastreamento populacional não seja recomendado, ele pode ser indicado para indivíduos com histórico familiar relevante, mutações genéticas de alto risco ou presença de cistos pancreáticos, nesses casos, recomenda-se que a triagem ocorra em centros especializados ou dentro de protocolos clínicos, preferencialmente com ultrassonografia endoscópica ou ressonância magnética, métodos com maior sensibilidade diagnóstica em comparação à tomografia (Klein, 2021). Com base nos critérios atuais, três grupos são considerados de alto risco para o desenvolvimento do ADP: (1) indivíduos com histórico familiar de múltiplos casos da doença, sugerindo predisposição genética mesmo sem mutações conhecidas; (2) portadores de lesões císticas pancreáticas, como as neoplasias mucinosas papilares intraductais e císticas mucinosas, comuns em idosos; e (3) pacientes com diabetes tipo 2 recente, especialmente os diagnosticados há menos de um ano, que apresentam risco significativamente aumentado para o CP (Pereira et al., 2021). Apesar dessas estratégias de detecção, a taxa de sobrevida permanece baixa, refletindo as limitações no diagnóstico precoce, pois apenas cerca de 20% dos casos são detectados em estágio inicial e considerados ressecáveis, e mesmo entre os pacientes operados, a taxa de sobrevida em cinco anos varia entre 15% e 25%, apesar de que em estágios muito precoces, essa taxa possa ultrapassar 80% (Klein, 2021). Já, nos casos localmente avançados de adenocarcinoma pancreático, a cirurgia geralmente é contraindicada devido ao envolvimento de estruturas vasculares adjacentes, o que torna o tumor irressecável (Bibok et al., 2021). Para esses pacientes, mesmo após terapia neoadjuvante, técnicas ablativas locorregionais surgem como alternativa, sendo que as principais incluem: ablação por radiofrequência (RFA), que destrói o tumor via coagulação térmica gerada por corrente elétrica; eletroporação irreversível (IRE), método não térmico que altera a permeabilidade celular por pulsos elétricos; e ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), que promove necrose tecidual por efeitos térmicos e mecânicos, auxiliando no controle da dor e na redução da progressão tumoral (Dallavalle et al., 2024). Assim, a ablação por radiofrequência (RFA), método ablativo térmico mais utilizado atualmente para o tratamento do câncer pancreático, tem sua eficácia limitada pela formação de uma barreira isolante decorrente da desidratação do tecido aquecido, mas ainda assim representa uma estratégia promissora, especialmente para pacientes irressecáveis, por meio de terapias guiadas por imagem realizadas por via percutânea ou intraoperatória (BIBOK et al., 2021).
Conclusão:  Diante da elevada letalidade do câncer pancreático, principalmente em decorrência do diagnóstico tardio, torna-se fundamental investir no rastreamento de grupos de risco e na utilização de métodos de imagem com alta sensibilidade diagnóstica. Paralelamente, nos casos avançados e irressecáveis, as terapias ablativas guiadas por imagem configuram-se como estratégias promissoras para o controle locorregional da doença, contribuindo para a melhora do prognóstico e da qualidade de vida dos pacientes.
Referências:
BIBOK, ANDRAS et al. Minimally invasive image-guided therapy of primary and metastatic pancreatic cancer. World journal of gastroenterology vol. 27,27. p. 4322-4341.  Jul. 2021.
DALLAVALLE, SOFIA et al. New Frontiers in Pancreatic Cancer Management: Current Treatment Options and the Emerging Role of Neoadjuvant Therapy. Medicina (Kaunas, Lithuania) v. 60,7. p. 1070. Jun. 2024.
GRANATA, VINCENZA et al. Risk Assessment and Pancreatic Cancer: Diagnostic Management and Artificial Intelligence. Cancers v. 15,2. p. 351. Jan. 2023. 
KLEIN, ALISON P. Pancreatic cancer epidemiology: understanding the role of lifestyle and inherited risk factors. Nature reviews. Gastroenterology & hepatology v. 18,7. p. 493-502. Jul. 2021. 
PEREIRA, STEPHEN P. et al. Early detection of pancreatic cancer. The lancet. Gastroenterology & hepatology v. 5,7. p.698-710. Jul. 2021. 
SCHUBACH A., KOTHARI S., KOTHARI T. Pancreatic Cystic Neoplasms: Diagnosis and  Management. Diagnostics (Basel, Switzerland) v. 13,2. p. 207. Jan. 2023.