CIGARROS ELETRÔNICOS E SUAS IMPLICAÇÕES NA HISTOLOGIA DO TECIDO PULMONAR
 
 
1VALENTINA FERREIRA CICARELLI DE ALMEIDA, 2MATEUS ALBUQUERQUE CALDEIRA DA SILVA, 3EMILY FREITAS TREVISAN, 4ROSILEY BERTON PACHECO, 5FÁBIO RONQUI DE SOUZA JUNIOR, 6ELENIZA DE VICTOR ADAMOWSKI
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente Dra. do curso de medicina da UNICESUMAR
Introdução: A lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos ou vaping do produto, é uma doença respiratória aguda ou subaguda que pode ser grave e apresentar risco de vida, e deve ser suspeitada em pacientes que tenham histórico de vaping e tenham síndrome semelhante a pneumonia, dispneia progressiva e/ou piora da hipoxemia (Bernardo; Kathuria, 2025). Estudos teciduais em diferentes colorações histológicas evidenciaram: exposição à infiltração de células inflamatórias, agregação de macrófagos, inflamação granulomatosa e hiperplasia significativa de células mucosas, entre outras alterações histopatológicas no sistema respiratório (Moraes et al., 2024; Li et al., 2024). 
Objetivo: Foi realizada uma revisão de literatura de cinco artigos encontrados nas bases de dados Pubmed e Google Acadêmico com a palavra “e-cigarette”, a fim de elucidar os efeitos do uso do cigarro eletrônico sobre o tecido pulmonar. 
Desenvolvimento: Os cigarros eletrônicos surgiram no mercado em 2003 na China e nos Estados Unidos e Europa em 2006, se caracterizam como dispositivos operados por bateria que administram nicotina através de aerossóis inaláveis,  têm sido amplamente comercializados como uma alternativa menos nociva aos cigarros convencionais. No entanto, seu uso crescente, especialmente entre adultos jovens, emergiu como uma preocupação significativa de saúde pública em escala global (Ibrahim et al., 2025). A análise do fluido de lavagem broncoalveolar revelou a presença de tetrahidrocanabinol (THC) em 94% das amostras, sugerindo associação com o uso de cannabis (Suber et al., 2024). Os achados histopatológicos foram compatíveis com lesão pulmonar aguda evidenciando dano alveolar, além disso, o acetato de vitamina E, utilizado como agente espessante em óleos para vaping, foi identificado como o principal composto tóxico presente nas amostras de fluido broncoalveolar desses pacientes (Suber et al., 2024). Outros componentes presentes nesses produtos também podem contribuir para a patogênese das lesões pulmonares, sendo que os efeitos a longo prazo da exposição a essas substâncias ainda permanecem pouco compreendidos. Um exemplo dessa classe de compostos são os fosfolipídios oxidados, que se formam no microambiente tecidual em resposta ao estresse oxidativo, e podem desencadear morte celular, ademais, atuam como sinais pró-inflamatórios por meio da ativação do receptor TLR4, contribuindo para a indução de lesão pulmonar e ferroptose de células epiteliais. A exposição crônica aos cigarros eletrônicos, aumenta os níveis de fosfolipídios insaturados nos macrófagos alveolares (Suber et al., 2024). Pesquisas também já revelaram a presença de macrófagos espumosos e a vacuolização de pneumócitos como principais achados da EVALI. Na fase inicial, o único achado histológico visível é o edema e o discreto aumento no tamanho dos pneumócitos. Em seguida, na fase exsudativa, ocorre a formação de membranas hialinas e a deposição de fibrina, esse processo resulta da destruição do epitélio alveolar, levando à deposição desses materiais no interior dos alvéolos. Já na fase proliferativa, há infiltração de células inflamatórias na área lesionada, acompanhada da formação de pólipos de tecido fibroelástico imaturo em processo de organização. Nessa fase, os alvéolos são preenchidos por colágeno, células inflamatórias e fibroblastos, o que leva à formação de lesões irreversíveis. Esse preenchimento também é observado em alguns casos de pneumonia (Moraes et al., 2024).  
Conclusão: Em suma, os achados histopatológicos relacionados ao uso de cigarros eletrônicos evidenciam um padrão de lesão pulmonar caracterizado por edema alveolar, formação de membranas hialinas, vacuolização de pneumócitos e infiltração inflamatória, com potencial para evolução a lesões irreversíveis.
Referências:
BERNARDO, J.; KATHURIA, H. E-cigarette, or vaping, product use-associated lung injury: a review. Pneumonia (Nathan), v. 12, p. 12, 2020.
IBRAHIM, F. M. et al. Uso de cigarros eletrônicos e saúde mental entre estudantes de graduação em medicina e ciências da saúde. Scientific Reports, v. 15, p. 13169, 2025. 
LI, L. et al. A ventilação e as características do ambiente pulmonar alteram dinamicamente a exposição ao aerossol intrapulmonar modelado a partir de cigarros eletrônicos inalados. Scientific Reports, v. 14, p. 31683, 2024. 
MORAES, B. et al. Alterações histopatológicas no sistema respiratório em decorrência do uso de cigarro eletrônico. BioSCIENCE, v. 82, p. e023, 2024.
SUBER, T. L. et al. Fosfolipídio oxidado e assinaturas transcriptômicas de lesão pulmonar associada à vaping relacionada ao THC. Scientific Reports, v. 14, p. 31622, 2024.