MODELIZAÇÃO DIDÁTICA DO DNA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO A DOCÊNCIA (PIBID) NO ENSINO MÉDIO  
1DAVI SANTOS ROCHA, 2LUCAS BELICE SANTANA, 3MYLLENA FERREIRA DOS SANTOS, 4GABRIEL SILVA AMARAL, 5JAQUELINE FERNANDES MEIER DE ALMEIDA, 6FERNANDA APARECIDA PIRES FAZION
1Acadêmico de Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
2Acadêmico de Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
3Acadêmica de Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
4Acadêmico de Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
5Mestranda em Sustentabilidade pelo Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama/Docente do Colégio Estadual Cívico Militar Monteiro Lobato
6Docente EBTT do Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama
Introdução: O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID) é um programa que faz parte da Política Nacional de Formação de Professores, e constitui-se, no contexto dos cursos de licenciatura, como uma rica experiência que articula os conhecimentos adquiridos ao longo do curso com a capacidade de transmiti-los aos estudantes nas escolas campo, bem como de vivenciar a rotina e as práticas inerentes a educação básica, permitindo uma aproximação com a educação superior (Capes, 2014). Dentre os benefícios do PIBID, podemos citar, englobando as teorias educacionais, a oportunidade de desenvolver e exercitar nos futuros docentes, o chamado Conhecimento Pedagógico do Conteúdo (PCK, em inglês), um tipo de conhecimento próprio aos professores, o que permite diferenciar a profissão docente das demais áreas técnicas, perpassando por distintas estratégias para que o conteúdo seja divulgado de forma entendível a todos, visto que o desenvolvimento necessita de prática e treinamento sendo o PIBID o espaço perfeito para sua construção (Dunker; Bedin, 2021). 
O presente trabalho, portanto, constitui um relato de experiências sobre uma atividade de modelização realizada com a turma do 2.º ano do Novo Ensino Médio (Eixo de Exatas), no Colégio Estadual Cívico Militar Monteiro Lobato; em Umuarama/PR, uma das escola campo do subprojeto de Biologia, do Instituto Federal do Paraná - Campus Umuarama, no PIBID edição 2024/2026.
Relato de Caso: O experimento foi realizado de forma colaborativa, em grupos. Sendo assim, a turma foi dividida em quatro equipes, onde cada uma ficou responsável por elaborar seu próprio modelo de DNA. Para isso, foi apresentado aos estudantes um método de confeccionar um modelo tridimensional (3D) de DNA, no qual os materiais utilizados foram: jujubas coloridas, balas em formato de tubo, palitos de dente e pratos. As jujubas representavam as bases nitrogenadas, as balas em formato de tubo caracterizavam a  pentose e o grupo fosfato, os palitos retratavam as ligações de hidrogênio entre as bases nitrogenadas e os pratos foram utilizados para separar as cores de jujubas. Ao término da montagem, os estudantes compartilharam entre si os aprendizados valorados ao longo da aula e seus conhecimentos, bem como revisaram, junto à docente, os principais tópicos do conteúdo, o que proporcionou uma compreensão ampla do conteúdo, além de explorar a criatividade desses discentes. A escolha por modelos lúdicos e 3D, pode se mostrar vantajosa para outros conteúdos que apresentam formas moleculares, proporcionando, assim, um ensino prático e com uma metodologia ativa. 
Discussão: No ensino de Biologia, podemos observar, entre outros, os seguintes desafios: a complexidade do conteúdo para o educando, a vasta quantia de nomenclaturas inerentes à área das Ciências Biológicas, a falta de materiais e estruturas adequadas ao ensino e a tendência do docente de se posicionar como o único detentor do conhecimento. Todos esses fatores alertam para a necessidade de emprego e utilização dos mais distintos recursos e materiais, permitindo, assim, que todos os discentes se tornem mais participativos no processo de ensino e aprendizagem, construindo, assim, o conhecimento conjuntamente (Nicola; Paniz, 2017).
As chamadas metodologias ativas, que colocam o estudante como protagonista, representam abordagens inovadoras que contrastam com o ensino convencional, destacando-se por meio de táticas e estratégias que estimulam o envolvimento direto do aluno na sua própria jornada de aprendizado (Piffero; Soares; Copetti, 2020). No contexto da formação de professores, essa abordagem metodológica desempenha um papel importante no aprimoramento do PCK, capacitando os educadores a transmitir o saber de maneira eficaz aos estudantes. Segundo Diesel, Baldez e Martins (2017), as metodologias ativas proporcionam e desenvolvem a autonomia do estudante ao promover um ambiente que valoriza o pensamento crítico preparando o mesmo para a sociedade que está inserida.
Nesse contexto, a utilização de modelos para melhor visualização e compreensão espacial para os alunos agregam a teoria. A compreensão da estrutura do DNA é fundamental para o estudo da Genética, permitindo a análise dos mecanismos que regem a transmissão da informação hereditária. Conforme destacam Della Justina e Ferla (2006), o uso dos modelos didáticos no ensino de Biologia funciona como uma forma concreta de lidar com temas complexos, extraindo o conhecimento além do plano do quadro.
Conclusão: O uso de doces, e outros materiais do cotidiano, para a modelização do DNA representa uma abordagem criativa que alia ludicidade e aprendizagem científica, respondendo diretamente aos desafios identificados no ensino de Biologia. Essa estratégia não apenas torna o conhecimento mais acessível, mas também resultou em uma maior compreensão deste pelos estudantes, evidenciando o sucesso da abordagem, além de permitir ao futuro docente exercitar seu PCK, transformando conceitos complexos da Biologia Molecular em experiências concretas e compreensíveis, alinhando-se com os princípios das metodologias ativas e promovendo o protagonismo estudantil na construção colaborativa do conhecimento.
Referências:
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Pibid - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. 2014. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/educacao-basica/pibid/pibid. Acesso em: 25 jul. 2025.
DELLA JUSTINA, Lourdes Aparecida; FERLA, Marcio Ricardo. A utilização de modelos didáticos no ensino de genética - Exemplo de representação de compactação do DNA eucarioto. Arquivos da Apadec, Maringá, p. 35-40, 31 ago. 2006. Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ArqMudi/article/view/19993. Acesso em: 20 ago. 2025.
DIESEL, Aline; BALDEZ, Alda; MARTINS, Silvana. Os princípios das metodologias ativas de ensino: uma abordagem teórica. Revista Thema, [S.L.], v. 14, n. 1, p. 268-288, 23 fev. 2017. Instituto Federal de Educacao, Ciencia e Tecnologia Sul-Rio-Grandense. Disponível em: http://dx.doi.org/10.15536/thema.14.2017.268-288.404. Acesso em: 20 ago. 2025.
DUNKER, Eduardo Bello; BEDIN, Everton. A mobilização do Conhecimento Pedagógico do Conteúdo por meio da metodologia Dicumba: possíveis aproximações. Educação Química En Punto De Vista, v. 5, n. 2, p. 85-99, Dez. 2021. Disponível em: https://revistas.unila.edu.br/eqpv/article/view/2914. Acesso em: 28 jul. 2025.
NICOLA, Jéssica Anese.; PANIZ, Catiane Mazzoco. A importância da utilização de diferentes recursos didáticos no Ensino de Ciências e Biologia. InFor, v. 2, n. 1, p. 355–381, 2017. Disponível em: https://ojs.ead.unesp.br/index.php/cdep3/article/view/InFor2120167. Acesso em: 25 jul. 2025.
PIFFERO, Eliane; SOARES, Renata; COELHO, Caroline; ROEHRS, Rafael. Metodologias Ativas e o ensino de Biologia: desafios e possibilidades no novo ensino médio. Revista Ensino & Pesquisa, [S.L.], v. 18, n. 2, p. 48-63, 20 ago. 2020. Disponível em: https://periodicos.unespar.edu.br/ensinoepesquisa/article/view/3568V. Acesso em: 20 ago. 2025.