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| RELAÇÃO ENTRE ESTILO DE VIDA E FATORES AMBIENTAIS COM A PROGRESSÃO DAS DII - TABAGISMO, DIETA, ESTRESSE E USO DE ANTIBIÓTICOS | |
| 1RENAN IZIDORO DE OLIVEIRA, 2ALEXIA PAOLA ULIANA, 3IGOR MALAVAZI SERRANO, 4MARIA EDUARDA DE ANDRADE CHINELLATO MORÍLIA, 5PAULO ROBERTO SCARPANTE | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: As doenças inflamatórias intestinais (DII) representadas pela Doença de Crohn e pela retocolite ulcerativa, resultam de uma interação complexa entre predisposição genética, respostas imunes e exposições ambientais responsáveis por modular a microbiota intestinal. Fatores de estilo de vida — tabagismo, padrão dietético, estresse e uso de antibióticos podem influenciar tanto o risco do início dessas patologias, quanto a gravidade e a progressão clínica das DII, agindo por diferentes mecanismos, variando desde alterações da barreira intestinal, do equilíbrio microbiano ou até mesmo da regulação imunológica de seus portadores (YUJI, TOMOHISA., 2025) Objetivo: Sintetizar evidências atuais sobre como tabagismo, dieta, estresse e uso de antibióticos se relacionam com a progressão das DII, descrevendo mecanismos plausíveis e implicações para manejo clínico e prevenção. Desenvolvimento: Tabagismo É evidenciado pela literatura que fumar possui diferentes efeitos nas DII: pode agravar a doença de Crohn — associando-se a maior atividade, recorrência de crises e necessidade de cirurgia — enquanto parece exercer efeito aparentemente protetor na retocolite ulcerativa (redução de atividade/hospitalizações), embora nunca seja indicado como tratamento por riscos sistêmicos (ALZAHRANI et al., 2024). Diversos mecanismos estão envolvidos na relação entre tabaco e DII, sendo os principais: Disfunção da barreira mucosa, alterações imunomodulatórias e promoção de disbiose (NICOLAIDES et al., 2020). Intervenções na redução da carga tabágica, ou até mesmo na cessação do tabagismo produzem melhoras clínicas em pacientes com Doença de Crohn, ao passo que não obtiveram o mesmo resultado nos pacientes com retocolite ulcerativa. (NICOLAIDES et al., 2020). Dieta e padrões alimentares. Padrões alimentares ricos em ultraprocessados, carnes processadas e gorduras saturadas estão associados a maior atividade inflamatória e com um maior risco de progressão da DII. Dietas do tipo mediterrâneo, ou intervenções como nutrição enteral exclusiva, têm mostrado benefícios em biomarcadores e remissão clínica em subgrupos, possivelmente por conta do aumento de fibras fermentáveis, produção de butirato e restauração de diversidade microbiana. Estudos recentes reforçam ainda uma associação protetora dos padrões da dieta dos mediterrâneo com menor risco global de DII. (ZHENG et al., 2024). Estresse psicológico. Evidências e mecanismos experimentais apontam que estresse agudo e crônico podem precipitar exacerbações por vias do eixo cérebro-intestino (HPA), alteração da motilidade intestinal, além de alterar a permeabilidade intestinal e as respostas inflamatórias sistêmicas. Ensaios de intervenções psico-comportamentais (terapias cognitivas, manejo do estresse) demonstram redução de sintomas e melhoria em alguns indicadores, embora provas sobre desfechos mais graves (cirurgia e hospitalizações) ainda sejam limitadas (Oznur et al., 2025). Uso de antibióticos Meta-análises e revisões recentes mostram associação consistente entre exposição a antibióticos e aumento do risco de desenvolvimento de DII e um possível pior curso clínico com relação a dose-resposta observada. O mecanismo provável para esse risco aumentado é a perda de diversidade da microbiota, seleção de patobiontes e quebra da resistência à colonização, favorecendo estados pró-inflamatórios dos pacientes. Essas evidências sustentam políticas de “antibiotic stewardship” (uso de antibióticos de forma otimizada, com a escolha adequada, dose controlada e tempo de uso restrito) em populações suscetíveis. (DUAN et al., 2025). Papel do microbioma. Todos os fatores acima descritos convergem em um ponto comum: A microbiota intestinal. Dietas, antibióticos, tabaco e estresse modificam composição e função microbiana (p. ex. queda de produtores de butirato, expansão de enterobactérias), alterando a regulação T-reg/Th17 e a integridade epitelial — caminhos centrais na fisiopatologia das DII. Avanços em biomarcadores microbianos e testes diagnósticos estão emergindo como ferramentas para estratificação de risco. |
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| Referências: ALZAHRANI, B. et al. The effect of smoking in inflammatory bowel disease outcomes. Frontiers in Gastroenterology, Teerã, v. 3, n. 1, p. 1-8, jun./2024. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/gastroenterology/articles/10.3389/fgstr.2024.1395269/full. Acesso em: 1 set. 2025. DUAN, R. et al. Antibiotic Exposure and Risk of New-Onset Inflammatory Bowel Disease: A Systematic Review and Dose-Response Meta-Analysis. Clinical Gastroenterology and Hepatology, Oxford, v. 23, n. 1, p. 45-58, jan./2025. Disponível em: https://www.cghjournal.org/article/S1542-3565(24)00218-0/fulltext. Acesso em: 1 set. 2025. NAITO, Yuji; TAKAGI, Tomohisa. Role of gut microbiota in inflammatory bowel disease pathogenesis. Journal of Clinical Biochemistry and Nutrition, Tokyo, v. 75, n. 3, p. 175-177, nov./2024. Disponível em: https://www.jstage.jst.go.jp/article/jcbn/75/3/75_24-112/_article. Acesso em: 31 ago. 2025. NICOLAIDES, S. et al. The impact of tobacco smoking on treatment choice and efficacy in inflammatory bowel disease5269/full. Intestinal Research, Seoul, v. 19, n. 2, p. 158-170, out./2020. Disponível em: https://www.irjournal.org/journal/view.php?doi=10.5217/ir.2020.00008. Acesso em: 2 set. 2025. OZNUR, O. et al. Impact of a 10-week multimodal stress management and lifestyle modification program on stress response and immune function in Crohnʼs disease: a mixed-methods approach using the Trier Social Stress Test. Brain, Behavior, & Immunity - Health, Amsterdã, v. 46, n. 1, p. 1, jul./2025. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S266635462500064X. Acesso em: 2 set. 2025. ZHENG, J. et al. Noninvasive, microbiome-based diagnosis of inflammatory bowel disease. Nature, Londres, v. 30, n. 1, p. 3555-3567, out./2024. Disponível em: https://rdcu.be/eFeDw. Acesso em: 2 set. 2025. |
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