ESTRATÉGIAS INTEGRADAS PARA O CUIDADO DO AVC: PREVENÇÃO, MANEJO CLÍNICO E REABILITAÇÃO FUNCIONAL  
1MATHEUS HENRIQUE TEN CATEN DAL POZZO, 2GABRIEL SIMEONI, 3DAVIT WILLIAN BAILO, 4STEFANY FRANCO TEIXEIRA, 5MATHEUS PORTELA RODRIGUES, 6DANILO MAGNANI BERNARDI
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: O acidente vascular cerebral (AVC) é definido como a diminuição ou completa interrupção do aporte sanguíneo cerebral (Roxa et al., 2021). Trata-se de uma disfunção neurológica aguda de causa vascular, caracterizada por déficit neurológico de início abrupto, com sinais e sintomas que refletem o comprometimento de regiões do encéfalo, decorrente de uma alteração nos vasos cerebrais que interrompe sua irrigação sanguínea. Essa condição pode ser classificada em dois tipos: isquêmico, caracterizado pelo bloqueio total ou parcial de um vaso causado por coágulo ou embolia, ou hemorrágico, que resulta do rompimento do vaso. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem cerca de seis milhões de mortes por ano relacionadas ao AVC em todo o mundo, sendo essa a segunda principal causa de óbito, com maior prevalência nos países em desenvolvimento. A elevada morbidade e mortalidade associadas à doença geram altos custos com tratamento, reabilitação e previdência social (Lobo et al., 2021). 
Objetivo: Analisar fatores de risco, manejo e reabilitação no AVC, destacando a atuação multiprofissional e o uso de tecnologias, por meio de revisão bibliográfica em SciELO Brasil e PubMed. 
Desenvolvimento: Pesquisas demonstram que o AVC acomete mais frequentemente pessoas  acima de 65 anos, e a incidência se eleva rapidamente com o aumento da idade, sendo que após os 55 anos o risco dobra a cada 10 anos (Neves; Guimarães, 2015). Sendo uma doença com causa multifatorial e com grande influência do estilo de vida, dentre os principais fatores de risco mais prevalentes para o AVC, estão a hipertensão arterial sistêmica, a dislipidemia, o diabetes mellitus e as cardiopatias (Eira et al., 2018). O tabagismo também leva ao aumento do risco para o desenvolvimento do AVC (Hanauer et al., 2018). Fatores que são modificáveis pelo estilo de vida e podem contribuir para a prevenção da doença. Sendo o AVC uma condição cuja abordagem precoce é determinante para o prognóstico, a identificação precoce de sinais sugestivos é essencial para garantir a efetividade do tratamento e minimizar as sequelas neurológicas. Determinados achados sugestivos de um AVC devem servir de alerta para o encaminhamento a um serviço de emergência, tais como a diminuição da sensibilidade, fraqueza súbita na face ou membros superiores/inferiores, principalmente quando de maneira unilateral, confusão mental, dificuldade de fala e compreensão, alterações visuais, perda de equilíbrio e dor de cabeça repentina sem causa aparente (Silva, 2023). Quando não é letal, o AVC causa incapacidade funcional e cognitiva em cerca de 45% dos sobreviventes, passando a ser dependente de cuidados em domicílio após a alta hospitalar (Silva et al., 2018). Nesse sentido, a assistência praticada pela equipe de enfermagem ao paciente acometido por um AVC é essencial para a redução de complicações e   incapacidades.   Cuidados   que   englobam   a   avaliação   fisiológica, administração de medicamentos, apoio psicológico e emocional, assim como a reabilitação funcional estão diretamente relacionados com a assistência de enfermagem  estabelecendo  melhores  condições  de  vida  dos  pacientes (Silva, 2019). Assim, novas tecnologias têm sido desenvolvidas para o cuidado dos pacientes, conforme um estudo realizado por Leandro et al. (2023), avaliou-se a viabilidade de um aplicativo nomeado “Quer no AVC” para monitorar pacientes após alta hospitalar por AVC, por meio de lembretes de medicação e a facilitação do contato com profissionais por chat. O aplicativo demonstrou benefícios ao auxiliar no uso correto da medicação, facilitar a comunicação com profissionais de saúde e automatizar a coleta de dados. A reabilitação após o AVC, segundo Minelli et al. (2022), deve ser iniciada assim que as deficiências forem identificadas, sendo mantida de forma contínua em regime ambulatorial. No entanto, seu início pode ser contraindicado em casos de instabilidade clínica, como deterioração precoce, doenças graves ou alterações significativas nos sinais vitais. A mobilização só deve ocorrer quando o paciente estiver hemodinamicamente estável, sem quedas importantes de pressão ao ficar em pé. Dessa forma, Cabrita et al. (2024) destacam  a  complexidade  da  reabilitação  pós-AVC e a importância de uma abordagem integrada que tenha em consideração as necessidades individuais de cada doente e respetiva família, salientando a importância do autocuidado, do apoio aos cuidadores familiares e da transição para casa como componentes essenciais para uma recuperação bem-sucedida após um AVC. 
Conclusão: Diante do impacto significativo do AVC na mortalidade e morbidade global, é essencial investir em estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e reabilitação integral. A atuação de equipes multidisciplinares, aliada ao uso de tecnologias digitais, pode reduzir complicações, otimizar a recuperação funcional e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Uma abordagem centrada nas necessidades individuais e no suporte aos cuidadores familiares é fundamental para promover a reintegração social e a autonomia após o evento agudo.
Referências:
CABRITA, A. I. S.; LOBO, A. F. R.; VAZ, A. M. Papel do enfermeiro de reabilitação no processo de recuperação e na qualidade dos cuidados prestados à pessoa pós-AVC. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 11, p. 5447–5458, 2024.
EIRA, C. et al. Trombólise intravenosa no acidente vascular cerebral isquêmico agudo depois dos 80 anos. Medicina Interna, Lisboa, v. 25, n. 3, p. 169–178, set. 2018.
HANAUER, L. et al. Comparação da severidade do déficit neurológico de pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo submetidos ou não à terapia trombolítica. Fisioterapia e Pesquisa, v. 25, n. 2, p. 217–223, jun. 2018.
LEANDRO, G. D. S. et al. ʻQuer N0 AVCʻ for monitoring stroke patientsʻ healthcare using a mobile app. Studies in Health Technology and Informatics, v. 302, p. 172–176, 18 maio 2023. 
LOBO, P. G. G. A. et al. Epidemiologia do acidente vascular cerebral isquêmico no Brasil no ano de 2019, uma análise sob a perspectiva da faixa etária. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 1, p. 3498–3505, 2021.
MINELLI, C. et al. Brazilian Academy of Neurology practice guidelines for stroke rehabilitation: part I. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 80, n. 6, p. 634–652, jun. 2022.
NEVES, M. M. F.; GUIMARÃES, L. H. C. T. Qualidade de vida e grau de independência funcional em pacientes com acidente vascular cerebral. Revista Neurociência, Lavras, v. 24, p. 1, 2015.
ROXA, G. N. et al. Perfil epidemiológico dos pacientes acometidos com AVC isquêmico submetidos a terapia trombolítica: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 1, p. 7341–7351, 2021.
SILVA, D. N. et al. Cuidados de enfermagem à vítima de acidente vascular cerebral (AVC): revisão integrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 36, p. e2156, 2019.
SILVA, R. C. S.; CARMO, M. S. Acidente vascular cerebral: fisiopatologia e o papel da atenção primária à saúde. Revista de Estudos Multidisciplinares, São Luís, v. 3, n. 3, Edição Especial I JOMED UNDB, dez. 2023.