ÓLEOS ESSENCIAIS NA CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS – REVISÃO DE LITERATURA
1RENATA FIGUEIREDO CAMPAGNOLE DE OLIVEIRA, 2GILSON ROBERTO MACAGNAN, 3ANA CLARA PEREIRA CAMPOS, 4ARLINDO BINDA NETO, 5BRUNA DE FATIMA ANTUNES LAGINESTRA , 6RANULFO PIAU JUNIOR
1Mestranda – Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Universidade Paranaense (UNIPAR).
2Acadêmico do Curso de Mestrado em Ciência Animal com Enfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
3Acadêmica de Medicina Veterinária - PIC
4Acadêmica de Medicina Veterinária - PIC
5Doutoranda – Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: O uso de conservantes químicos em alimentos tem gerado preocupações sobre segurança e saúde, por isso, cresce o interesse por alternativas naturais (Martins et al., 2024). Os óleos essenciais (OE) são substâncias aromáticas voláteis produzidas pelas plantas aromáticas durante o seu processo de metabolismo secundário, podendo ser obtidos de diferentes partes da planta (Burt, 2004). Os OEs exercem variados papéis nas plantas. Em determinadas situações, são utilizados como atrativos para a polinização, enquanto em outras funcionam como mecanismo de defesa, atuando como repelentes ou irritantes. Além disso, possuem propriedades antioxidantes, antifúngicas e antibacterianas, protegendo a planta contra possíveis ataques patogênicos (Rios, 2016; Tariq et al., 2019). Os óleos essenciais (OEs), extraídos de plantas, são uma alternativa na conservação de alimentos, eles possuem compostos com ação antimicrobiana e antioxidante, capazes de proteger os alimentos contra deterioração e aumentar sua durabilidade (Martins et al., 2024).
Objetivo: Apresentar de forma resumida as principais evidências sobre o uso de óleos essenciais na conservação de alimentos, destacando como atuam, em quais produtos já foram aplicados e quais são os benefícios e limitações dessa prática.
Desenvolvimento: Pesquisas demostram que os óleos essenciais podem inibir bactérias e fungos que causam doenças e degradam os alimentos. O Óleo essencial de tomilho foi capaz de reduzir o crescimento de Clostridium perfringens, uma bactéria importante em alimentos (Radaelli et al.,2016). Em queijos, o uso de óleos e extratos vegetais ajudou a controlar microrganismos como Listeria spp e Staphylococcus spp (Gouvêa et al., 2017). Em frutas e hortaliças, revestimentos com óleos essenciais retardaram o escurecimento e o aparecimento de fungos, prolongando a vida útil (Kahramanoğlu; Akkurt; Çavuşoğlu, 2022; Santos et al., 2018). Além disso, novas técnicas de extração, como ultrassom e micro-ondas, permitem obter óleos de melhor qualidade (Almeida-couto et al., 2022). Uma forma promissora de aplicação é a incorporação dos óleos em filmes e embalagens biodegradáveis, que liberam lentamente os compostos e reduzem mudanças de sabor (Cesca et al., 2024; Eça; Marcetti; Vizzotto, 2014). Apesar do potencial, ainda existem desafios, como a variação na composição dos óleos, o impacto sensorial em altas doses e a necessidade de mais estudos para garantir eficácia e segurança no uso em escala industrial (Martins et al., 2024).
Conclusão: Os óleos essenciais têm um grande potencial para substituir ou diminuir o uso de conservantes químicos, pois ajudam a conservar os alimentos por mais tempo e ser mais seguros para a saúde, sendo necessário mais estudos. O uso de OEs podem melhorar a qualidade dos alimentos e trazer mais segurança ao consumidor.
Referências:
ALMEIDA-COUTO, J. M. F. de et al. Current extraction methods and potential use of essential oils in food products. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 94, n. 2, e20191270, 2022.
BURT, S. Essential oils: their antibacterial properties and potential applications in foods—a review. International jurnal Journal of Food Microbiology, v. 94, n. 3, p. 223-253, 2004.
CESCA, R. S. et al. Advances and perspectives on the application of essential oils in edible films and coatings. Bragantia, v. 83, 2024.
EÇA, K. S.; MARCETTI, A. P.; VIZZOTTO, M. Films and edible coatings containing antioxidants – a review. Brazilian Journal of Food Technology, v. 17, n. 2, p. 87-96, 2014.
GOUVÊA, F. S. et al. Plant extracts and essential oils as antimicrobials in cheese. Ciência Rural, v. 47, n. 3, e20160745, 2017.
KAHRAMANOĞLU, İ.; AKKURT, R.; ÇAVUŞOĞLU, Ş. Impacts of edible coatings enriched with laurel essential oil on quality of fresh-cut apples. Bragantia, v. 81, n. 4, 2022.
MARTINS, E. Z. et al. Antifungal activity of essential oils of tea tree, oregano, thyme, and cinnamon, and their components. Brazilian Journal of Food Technology, v. 27, 2024.
RADAELLI, M. et al. Antimicrobial activities of six essential oils commonly used as condiments in Brazil against Clostridium perfringens. Brazilian Journal of Microbiology, v. 47, n. 2, p. 424-430, 2016.
RÍOS, J. L. Essential oils: What they are and how the terms are used and defined. In: Essential oils in food preservation, flavor and safety. Academic Press, 2016. p. 3-10.
SANTOS, S. M. et al. Edible active coatings incorporated with Cinnamomum cassia and Myristica fragrans essential oils to improve shelf-life of minimally processed apples. Ciência Rural, v. 48, n. 7, 2018.
TARIQ, S. et al. A comprehensive review of the antibacterial, antifungal and antiviral potential of essential oils and their chemical constituents against drug-resistant microbial pathogens. Microbial Pathogenesis, Londres, v. 134, n. 103580, p. 1-20, 2019.