INSERÇÃO POSTEROMEDIAL DO MÚSCULO ESTERNOCLEIDOMASTÓIDEO NA LINHA NUCAL SUPERIOR: RELATO DE CASO
1BEATRIZ WENDY MAYUMI SAKAMA, 2ÁGATA APARECIDA TINTI, 3GIOVANNA BEATRIZ DE LIMA FÁVARO, 4JAZIEL BARROS DOS SANTOS, 5THAIS AYUMI HASHIMOTO, 6MARNA ELIANA SAKALEM
1Acadêmica da Universidade Estadual de Londrina
2Acadêmica da Universidade Estadual de Londrina
3Acadêmica da Universidade Estadual de Londrina
4Acadêmico da Universidade Estadual de Londrina
5Acadêmica da Universidade Estadual de Londrina
6Docente da Universidade Estadual de Londrina
Introdução: O esternocleidomastóideo (ECM), localizado na região esternocleidomastoidea do pescoço (anterolateral), é um músculo superficial palpável, que possui estreita relação com diversas estruturas neurovasculares e órgãos (MOORE et al., 2024). Em geral, o músculo é espesso em seu ventre, e mais estreito nas fixações; inferiormente, suas duas cabeças se fixam uma ao manúbrio do esterno e outra à clavícula, e superiormente, há uma fixação única na cabeça (DUPONT et al., 2018). Na sua inserção no crânio, em geral o tendão único se fixa ao topo do processo mastoide e a metade lateral da linha nucal superior do occipital (MOORE et al., 2024). O ECM é, assim, um importante marco na divisão do pescoço para diversos procedimentos, como cirurgias de cabeça e pescoço, acessos venosos centrais e retalhos miocutâneos em cirurgias plásticas (MANEEIN et al., 2023; DUPONT et al., 2018). Considerando a sua importância clínica, o presente relato busca discutir um caso de inserção do músculo com projeção posteromedial avançando sobre a linha nucal superior do osso occipital, a fim de trazê-lo ao conhecimento de estudantes e profissionais da saúde, em especial estudantes e profissionais da saúde, em especial cirurgiões, evitando complicações em tais casos. 
Relato de caso: Um exemplar cadavérico humano, previamente dissecado, apresenta alteração na fixação superior do ECM, com projeção posteromedial avançando sobre a linha nucal superior, distintamente do que é comumente encontrado - fixação principal no processo mastoide e participação apenas da porção mais lateral da linha nucal superior. Com isso, seu tendão para fixação no crânio é mais largo do que nas demais peças cadavéricas. 
Discussão: Alterações no ECM, como a presença de cabeças supranumerárias e irregularidades na localização de suas fixações, são relatadas em mais de 10% da população e podem ter um grande impacto na execução de procedimentos invasivos (MANEEIN et al., 2023). Variações encontradas na fixação superior do músculo são mais raras e menos documentadas na literatura do que as encontradas em suas fixações esternais e claviculares (ARAGÃO et al., 2022). Contudo, Dupont e colaboradores (2018) descrevem um caso de seis inserções distintas ao longo da linha nucal superior e reforçam a importância desses achados para o desenvolvimento de condições clínicas e para dissecções cirúrgicas na parte posterior da cabeça e pescoço. Como exemplo, os nervos occipitais maior e menor e o auricular magno, relacionados com o ECM, podem ficar emaranhados nos fascículos de um ECM variante. As compressões da bainha carotídea e das artérias tireoideas também podem ocorrer em casos de alargamento do músculo (DUPONT et al., 2018). Outras complicações associadas a variações do ECM são a cefaleia cervicogênica, em casos com o acometimento de estruturas associadas aos nervos cervicais, e a torcicolo em adultos (RANI et al. 2011; DUPONT et al., 2018). Funcionalmente, é possível que haja uma vantagem na flexão cervical e na rotação contralateral da cabeça em indivíduos com esse tipo de variação. O ECM também é usado em cirurgias reconstrutivas, como na reconstrução de língua, assoalho bucal, complexo esofagofaríngeo e bochecha, além de poder ser usado para diminuir o risco de necrose na ressecção de parótida e no reparo cirúrgico do torcicolo muscular congênito (BORDONI et al., 2023); assim, ventres maiores poderiam ser mais facilmente aproveitados para enxertos autólogos. Ademais, reconhecer variações anatômicas como a descrita no presente relato é de grande relevância para o profissional da saúde na interpretação correta de exames e achados clínicos, e no preparo de intervenções invasivas.
Conclusão: O presente relato expõe uma variação pouco documentada do músculo esternocleidomastóideo em sua fixação superior, a qual neste caso foi descrita estendendo-se posteromedialmente ao longo da linha nucal superior. Diante do que foi exposto, conclui-se que é relevante o conhecimento desta e de outras variações anatômicas do músculo ECM, considerando a influência dessas variações na abordagem cirúrgica da cabeça e pescoço.
Referências:
ARAGÃO, J. A. et al. Cabeça clavicular extranumerária do músculo esternocleidomastóideo: relato de caso. In: VARIAÇÕES ANATÔMICAS. Aracaju: Editora Científica Digital, 2022. p. 79-86.DOI: https://doi.org/10.37885/220107532.
​BORDONI, B.; JOZSA, F.; VARACALLO, M. Anatomy, head and neck, sternocleidomastoid muscle. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535402/. Acesso em: 7 set. 2025.
​DUPONT, G. et al. Bilateral sternocleidomastoid variant with six distinct insertions along the superior nuchal line. Anatomy & Cell Biology, v. 51, n. 4, p. 305-308, 2018. DOI: https://doi.org/10.5115/acb.2018.51.4.305.
​MANEENIN, C. et al. Clasificación de Variaciones del Músculo Esternocleidomastoideo y Comparación de su Incidencia entre Poblaciones. International Journal of Morphology, v. 41, n. 1, p. 175-180, 2023. DOI: https://doi.org/10.4067/S0717-95022023000100175.
​MOORE, K. L. Anatomia orientada para a clínica. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2024.
​RANI, A. et al. Third head of sternocleidomastoid muscle. International Journal of Anatomy and Variations (IJAV), v. 4, p. 204-206, 2011. Disponível em: https://www.ijav.org/volume-4-issue-2-2011. Acesso em: 7 set. 2025.