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| AVALIAÇÃO VOLUMÉTRICA DA CAPACIDADE ESTOMACAL DE CÃES NATIMORTOS | |
| 1DALILA SOARES DE PAULA, 2CRISTIANE FERREIRA DA LUZ BRUN, 3LEONARDO MATHEUS JAGELSKI ROSINA, 4ANA MARIA QUESSADA | |
| 1Acadêmica Taxista Prosup-Capes programa de pós graduaçã nível Doutorado em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, UNIPAR 2Núcleo de Práticas Veterinárias - Curso de Medicina Veterinária - FAEM Faculdade 3Acadêmico do Curso de Doutorado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A avaliação de cães recém-nascidos e a abordagem terapêutica adotada representam desafios significativos para os médicos veterinários. No entanto, existe muita falta de conhecimento nesta área no Brasil (Domingos et al., 2008). A mortalidade neonatal em cães é alta, e os fatores nutricionais são um dos fatores mais importantes envolvidos na mortalidade (Mila et al., 2015). Se o neonato não ganhar peso devido à dificuldade na amamentação ou à diminuição do leite da mãe nas primeiras duas semanas de vida, a alimentação artificial é recomendada (Barreto 2003, Domingos et al., 2008). Estudos morfológicos básicos, como a avaliação da capacidade volumétrica do estômago de neonatos, são necessários para embasar o manejo correto do volume de alimento que deve ser fornecido ao neonato canino. Existem poucos estudos sobre morfometria em neonatos caninos. Em cães, há um estudo sobre a morfometria corporal de neonatos natimortos, mas com uma população de estudo menor (Silva et al., 2015). Objetivo: Diante da escassez de informações morfológicas sobre neonatos caninos, o objetivo deste estudo foi avaliar a capacidade volumétrica do estômago de cães natimortos para estabelecer uma capacidade estomacal média para alimentação artificial. Material e Métodos: O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal da instituição onde ocorreu (protocolo 272/16). Foram examinados 39 filhotes caninos natimortos. Estes cães natimortos nasceram de cadelas atendidas em um hospital veterinário escola. Todos os natimortos foram pesados e classificados em três grupos: Grupo I, cães de porte pequeno (0–199g); Grupo II, cães de porte médio (peso entre 200 e 299g); e Grupo III, cães de porte grande (acima de 300g) (Barreto, 2003). Após a classificação, a cavidade abdominal foi aberta para expor as vísceras abdominais. O estômago foi identificado e excisado. Fora da cavidade abdominal, o estômago foi ligado com fio de algodão em ambas as extremidades (regiões do cárdia e do esfíncter pilórico) (Silva et al., 2015). A capacidade volumétrica do estômago foi avaliada preenchendo-o com leite após a ligadura. Para isso, foi utilizada uma seringa graduada acoplada a uma agulha (25×0,7) cheia com leite natural. Os dados obtidos foram tabulados no Excel 2011. Foi realizada uma análise descritiva das variáveis do estudo para determinar médias e desvios padrão. Resultados e Discussão: Em relação ao sexo dos neonatos, 50,72% eram fêmeas (20/39) e 49,28% eram machos (19/39), refletindo equilíbrio no nascimento de machos e fêmeas na espécie canina (Vassalo et al., 2015). Nos filhotes do Grupo I (n=25), a média geral da massa corporal e o desvio padrão foram de 136,22±39,04 g. Os animais do grupo II (n=10) tiveram uma média geral e desvio padrão de 243,24±32,6 g. Nos filhotes do Grupo III (n=04), a massa corporal média com desvio padrão foi de 333±17,4 g. O peso é uma das características mais importantes de animais muito jovens (Domingos et al., 2008; Gropetti et al., 2015). O baixo peso ao nascer é acompanhado por processos fisiológicos imaturos que podem levar à deficiência adaptativa após o nascimento (Lawler, 2008; Tonnessen et al., 2012), frequentemente associada à produção ou liberação inadequada de surfactante pulmonar (Lawler, 2008), o que pode predispor à mortalidade neonatal (Lawler, 2008; Tonnessen et al., 2012). No entanto, a literatura sobre o peso de cães recém-nascidos é escassa, especialmente no Brasil. Os dados obtidos no presente estudo deve servir de base para profissionais que atuam na área de neonatologia e são semelhantes aos observados na literatura (Martin et al. 2005, Silva et al. 2015). Como os filhotes perdem peso rapidamente, qualquer dificuldade na amamentação pode levar à morte (Barreto 2003). Portanto, o filhote deve receber uma dieta semelhante ao leite canino; no entanto, deve-se ter cuidado com a quantidade de alimento fornecida, uma vez que a alimentação excessiva pode causar risco de sobrecarga da capacidade estomacal, desconforto abdominal, aspiração e diarreia em lactentes (Lawler 2008, Vannuchi e Abreu, 2017). As capacidades estomacais dos 39 natimortos foram as seguintes: grupo I (até 199g), II (199-399g) e III (acima de 399g) tiveram uma capacidade estomacal de 3,52±1,79ml, 6,6±2,88ml e 7±1,91ml, respectivamente. Portanto, os resultados mostraram que o tamanho do animal estava positivamente associado à capacidade volumétrica, conforme relatado em um estudo anterior (Silva et al., 2015). Conclusão: A capacidade volumétrica do estômago de cães recém-nascidos aumenta com o tamanho do animal. Esta informação possibilita aos médicos veterinários avaliar o fornecimento de alimento adequado necessário para neonatos caninos que são incapazes de receber o leite materno. |
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| Referências: BARRETO C.S. Avaliação de filhotes caninos. Monografia de especialização – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – Universidade de São Paulo, 2003. 19p. Disponível em: https://www.geocities.ws/andbt/semi03/Christianne.pdf. DOMINGOS, T.C.S. et al. Cuidados básicos com a gestante e o neonato canino e felino: revisão de literatura. Jornal Brasileiro de Ciência Animal. v. 1, n.2, p.94-120, 2008. GROPPETTI, D. et al. Prognostic potential of amniotic fluid analysis at birth on canine neonatal out comes. Veterinary Journal. v. 206, n. 3, p. 423–425, 2015. LAWLER D.F. Neonatal and pediatric care of the puppy and kitten. Theriogenology. v. 70, n. 3, p. 384–392, 2008. MARTIN, I. et al. Estudo da correlação entre o peso dos neonatos, envoltórios e líquidos fetais com o peso total de cadelas gestantes submetidas à cesariana. ARS Veterinaria. v. 21, n. 2, p. 281-286, 2005. MILA, H. et al. Differential impact of birth weight and early growth on neonatal mortality in puppies. Journal of Animal Science. v.93, n. 9, p. 4436-4442, 2015. SILVA, A.B.S. et al. Morfometria corporal e capacidade volumétrica do estômago de neonatos caninos de pequeno, médio e grande porte. Enciclopédia Biosfera. v. 11, n. 22, p. 3064-3072, 2015. TONNESSEN, R. et al. Canine perinatal mortality: a cohort study of 224 breeds. Theriogenology. v. 77, n. 9, p. 1788-1801, 2012. VANNUCHI, C.I.; ABREU, R.A. Cuidados básicos e intensivos com o neonato canino. Revista Brasileira de Reprodução Animal. v. 41, n. 1, p. 151-156, 2017. VASSALO F.G. et al. Topics in the routine assessment of newborn puppy viability. Topics in companion animal medicine, v. 30, n. 1, p. 16-21, 2015. |
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