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| HEMOGRAMA COMO FERRAMENTA AUXILIAR NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DO LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO | |
| 1IZA MAELCA TEIXEIRA FREITAS, 2ANA CLARA LEPRE, 3CHAYENE YANOMAMI BISPO SANTANA, 4VITÓRIA RICHTER PURPER, 5ELIZABETI DE MATOS MASSAMBANI | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente de Pós-Graduação/Farmacêutica-Bioquímica |
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| Introdução: Segundo o Ministério da Saúde (2022), o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos, formação e deposição de imunocomplexos, com consequente inflamação em diversos órgãos, que pode resultar em dano tecidual e disfunção de órgãos. Através do hemograma, torna-se importante correlacionar as alterações hematológicas à fisiopatologia da doença e aos sinais clínicos, de modo a integrar seu uso na prática clínica. Objetivo: Evidenciar a relevância do hemograma como ferramenta auxiliar para o diagnóstico precoce do LES. Desenvolvimento: O LES é multifatorial, com influência de fatores genéticos e ambientais na perda da tolerância imunológica. Alterações na imunidade inata, como falha na depuração celular e produção excessiva de interferon tipo I, e na imunidade adaptativa, com hiperativação de linfócitos T e B, resultam na formação de autoanticorpos e complexos imunes circulantes. Estes, posteriormente se depositarão em diferentes órgãos e tecidos, ativando o sistema complemento e desencadeando inflamação crônica, havendo manifestações clínicas variadas (Gordon, 2022). Os sintomas incluem fadiga, febre, mialgias e perda de peso, com acometimento articular em mais de 90% dos pacientes. A lesão clássica da asa de borboleta é caracterizada por eritema malar e no dorso do nariz, preservando o sulco naso labial. Úlceras nasais e labiais são observadas em um terço dos pacientes (Ministério da Saúde, 2022). As alterações hematológicas verificadas no hemograma são anemia (por inflamação crônica, hemólise autoimune ou insuficiência renal), leucopenia e linfopenia (devido a atividade imunológica exacerbada) e trombocitopenia (em decorrência de autoanticorpos antiplaquetários) (PisetskyI; Lipsky, 2020). Em um estudo transversal realizado por Pontes et al. (2024), a linfopenia se mostrou um indicador clássico e confiável. Também foi possível verificar que a razão neutrófilo/linfócito e a razão plaqueta/linfócito estavam significativamente aumentadas em pacientes com a doença ativa. Além disso, alterações no RDW se relacionaram com uma maior atividade inflamatória (Mercader-Salvans et al., 2024). Não existe um exame diagnóstico, sendo utilizados critérios de classificação EULAR/ACR 2019, segundo os quais é obrigatório que o anticorpo antinuclear (ANA) seja positivo e a pontuação total seja maior ou igual a 10, com domínio hematológico, como leucopenia (3), trombocitopenia (4) e anemia hemolítica (4), e outros domínios, como articular, renal, neurológico, entre outros (Aringer et al., 2019). No relato de caso analisado, uma paciente de 26 anos com diagnóstico inicial de Lúpus Eritematoso Cutâneo (CLE), evoluiu para SLE. A paciente relatou dor nas articulações, lesões eritematosas na face há 3 meses, úlceras orais, perda de peso e de cabelo. O hemograma revelou anemia e leucopenia. O teste ANA deu positivo. Aplicando os critérios EULAR/ACR 2019, sua pontuação seria de 34 pontos, com LES confirmada (Kelvin; Rianto, Wijayadi, 2025). Conclusão: O hemograma é um exame simples e de fácil acesso, porém de grande valor clínico, possuindo papel central como ferramenta auxiliar para o diagnóstico precoce da LES. |
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| Referências: ARINGER, M. et al. 2019 European League Against Rheumatism/American College of Rheumatology classification criteria for systemic lupus erythematosus. Arthritis & Rheumatology, v. 71, n. 9, p. 1400-1412, 2019. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31385462/. Acesso em: 4 set. 2025. GORDON, C. Systemic lupus erythematosus. In: ISENBERG, D. A. et al. Oxford textbook of rheumatology. 5. ed. Oxford: Oxford University Press, 2022. cap. 13, p. 923-950. KELVIN; RIANTO, L.; WIJAYADI, L. J.. From CLE to SLE: A case report from local hospital. Dunia Kedokteran, v. 52, n. 6, p. 395-396, 2025. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/394056829_From_CLE_to_SLE_A_Case_Report_from_Local_Hospit al_Case_Report. Acesso em: 4 set. 2025. MERCADER-SALVANS, J. et al. Red blood cell distribution width as a surrogate biomarker of damage and disease activity in patients with systemic lupus erythematosus. Clinical and Experimental Rheumatology, v. 42, p. 1773-1780, 2024. Disponível em: https://www.clinexprheumatol.org/article.asp?a=20529. Acesso em: 9 set. 2025. MINISTÉRIO DA SAÚDE – BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Lúpus Eritematoso Sistêmico. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/ptbr/midias/protocolos/20221109_pcdt_lupus.pdf. Acesso em: 4 set. 2025. PISETSKY, D.; LIPSKY, P. New insights into the role of antinuclear antibodies in systemic lupus erythematosus. Nature Reviews Rheumatology, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32884126/. Acesso em: 4 set. 2025. PONTES, F. R. et al. Associação entre índices hematológicos e atividade da doença em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico. Revista de Medicina da USP, 2024. Disponível em: https://revistas.usp.br/rmrp/article/view/200940. Acesso em: 4 set. 2025. |
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