AFECÇÕES PÓS-PARTO EM ÉGUAS - REVISÃO DE LITERATURA  
1VITÓRIA OLINGER DE SOUSA, 2LETÍCIA OLIVEIRA SOMEIRA, 3THAIS SECUNDINI DACANAL, 4GUSTAVO ROMERO GONCALVES, 5ANTONIO HUGO BEZERRA COLOMBO, 6DENIS VINICIUS BONATO
1Discente do Curso de Medicina Veterinária na Universidade Paranaense - UNIPAR, PIC/UNIPAR
2Discente do curso de medicina veterinária da Universidade Paranaense – UNIPAR
3Médica Veterinária, Aprimoranda em Clínica Médica Círurgica e Reprodução de Grandes Animais - UNIPAR
4Discente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da Universidade Paranaense.
5Discente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da Universidade Paranaense.
6Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos da Universidade Paranaense.
Introdução: A gestação equina dura em média 340 dias, apesar da maioria dos partos serem eutócicos, 10% dos partos possuem complicações, sendo necessária intervenção veterinária com emergência (GORE et al. 2008). Segundo Arnold et al. (2008), de 2 a 3% das lesões pós-parto em éguas são rupturas das artérias uterinas, tendo inclusive uma alta taxa de mortalidade. Além disso, distocias, prolapso vaginal, lacerações retais e retenção de placenta são algumas das outras principais emergências obstétricas pós-parto nas éguas (PRESTES, SOUSA; 2019).
Objetivo: Discorrer sobre afecções pós-parto em éguas, tratamento e seu prognóstico reprodutivo.
Desenvolvimento: Segundo SILVA E OLIVEIRA (2015), o parto eutócico nas éguas apresenta três fases distintas: a inicial, caracterizada por contrações uterinas preparatórias; a segunda, correspondente à liberação do fluido alantoideano e à expulsão do feto; e a terceira, referente à eliminação da placenta, que normalmente ocorre entre 15 minutos e três horas após o parto. Quando há disfunção em um desses processos, como a expulsão da placenta, ou prolapso vaginal, podem surgir diversas complicações, em que pode ser citado principalmente hemorragias, bem como endometrites, laminites, sepse e até óbito (LEBLANC, 2010). Um dos fatores predisponentes à hemorragias no peri-parto é a multiparidade, podendo ter ligação com lesões na vascularização uterina devido à movimentação brusca do potro durante a hora do parto (FRAZER, 2003). A distocia, raça e o ambiente em que vive, são outros fatores agravantes citados por LEBLANC (2008). A sintomatologia das éguas com hemorragia pós-parto inclui taquicardia, mucosas hipocoradas, sinais de cólica, sudorese, apatia e vocalização (BRITT, 2003). Sobre a retenção placentária, MCCUE (2020) relatou que é comum que aconteça após casos de partos distócicos. A placenta das éguas é do tipo difusa, caracterizando-se pela presença de microcotilédones distribuídos uniformemente por toda a superfície coriônica (TONIOLLO et al. 2003). De acordo com PRESTES E SOUSA (2019), a placenta equina normalmente se desprende do endométrio e é expelida entre 15 minutos a 3 horas após a ruptura das membranas fetais. No entanto, situações como partos distócicos, traumas uterinos, disfunções endócrinas ou falhas na resposta do miométrio à ocitocina podem levar à retenção placentária (BRINSKO et al., 2011). Assim, a avaliação da placenta após o parto é fundamental para o diagnóstico precoce de complicações que comprometem a saúde materna e neonatal (POZOR, 2015).
Conclusão: As afecções pós-parto nas éguas, como retenção placentária, hemorragias e distocias, representam importantes riscos à saúde materna e neonatal. A identificação precoce e o manejo adequado dessas condições são fundamentais para reduzir complicações e melhorar o prognóstico reprodutivo. Portanto, a atenção médica veterinária imediata e a avaliação da placenta e do útero no pós-parto são essenciais na prática clínica equina.
Referências:
ARNOLD, C. E.; PAYNE, M.; THOMPSON, J. A.; SLOVIS, N. M.; BAIN, F. T. Periparturient hemorrhage in mares: 73 cases (1998-2005). Journal of American Veterinary Medical Association, v. 232, p. 1345-1351, 2008.
BRINSKO, S. P. et al. Manual of equine reproduction. 3. ed. Maryland Heights: Mosby, 2011.
BRITT, B. L. Postpartum hemorrhage. In: ROBINSON, N. E. (ed.). Current therapy in equine medicine. 5. ed. St. Louis: W. B. Saunders, 2003. p. 327-330.
FRAZER, G. S. Uterine torsion. In: ROBINSON, N. E. (ed.). Current therapy in equine medicine. 5. ed. St. Louis: W. B. Saunders, 2003. p. 311-315.
GORE, T.; GORE, P.; GRIFFIN, J. M. Horse ownerʻs veterinary handbook. 3. ed. New Jersey: Howell Book House, 2008.
LEBLANC, M. M. Common peripartum problems in the mare. Journal of Equine Veterinary Science, v. 28, n. 11, p. 709-715, 2008.
LEBLANC, M. M. Ascending placentitis in the mare: An update. Reproduction in Domestic Animals, Lexington, v. 45, p. 28-34, 2010.
McCUE, P. Management of dystocia in the mare. Clinical Theriogenology, v. 12, n. 3, p. 346-353, set. 2020.
POZOR, M. Equine placenta – a clinicianʻs perspective. Part 1: Normal placenta – physiology and evaluation. Equine Veterinary Education, v. 28, n. 6, p. 327-334, out. 2015.
PRESTES, N. C.; SOUSA, F. E. M. R. de. Emergências obstétricas em éguas. Revista Brasileira de Reprodução Animal, p. 111-116, 2019.
SILVA, A. B.; OLIVEIRA, R. A. Como prever o parto na espécie equina? Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 39, n. 4, p. 387-393, out./dez. 2015. 
TONIOLLO, G. H.; VICENTE, W. R. R. Manual de obstetrícia veterinária. São Paulo: Varela, 2003.