AVALIAÇÃO DOS HÁBITOS ALIMENTARES E CONSUMO DE ULTRAPROCESSADOS ENTRE UNIVERSITÁRIOS: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA  
1MAIARA PEREIRA DA SILVA, 2DANIELI EBONE, 3LARISSA SALLA
1Acadêmica do Curso de Nutrição da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Nutrição da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: Nas últimas décadas, o consumo de alimentos ultraprocessados têm aumentado de forma expressiva no Brasil, estando associado ao crescimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como obesidade, diabetes e hipertensão (MARTINS; FARIA, 2018; BRASIL, 2021). Dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2020 indicam que mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso, em grande parte relacionado a esse padrão alimentar (BRASIL,2021). Entre universitários, esse cenário é preocupante, pois a rotina acadêmica intensa, o estresse e as limitações financeiras favorecem o consumo de ultraprocessados, mesmo entre estudantes da área da saúde, que possuem maior acesso a informações sobre nutrição (SINIGAGLIA, 2024; CRUZ et al., 2021). Nesse contexto, a classificação NOVA, utilizada pelo Guia Alimentar para a População Brasileira (BRASIL, 2014), demonstra os impactos da substituição de alimentos in natura por ultraprocessados na qualidade da dieta (LOUZADA, 2021). Diante disso, justifica-se a realização deste estudo a partir da literatura, com o objetivo de reunir evidências científicas sobre os hábitos alimentares de estudantes universitários da área da saúde e destacar a importância de estratégias de promoção da alimentação saudável e prevenção de DCNTs nesse público.
Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica sobre os hábitos alimentares e o consumo de alimentos ultraprocessados entre estudantes universitários da área da saúde. Pretende-se analisar, a partir da literatura científica, a frequência de ingestão desses produtos, sua relação com fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis e os impactos de alterações no estilo de vida e comportamentos alimentares inadequados. Busca-se compreender como, mesmo em indivíduos com conhecimento técnico em áreas da saúde, fatores como rotina intensa, estresse acadêmico e facilidade de acesso a alimentos ultraprocessados influenciam as escolhas alimentares. Além disso, o estudo visa destacar a importância da promoção da alimentação saudável e da educação nutricional como estratégias essenciais para prevenir o consumo excessivo de ultraprocessados, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a prevenção de doenças na população universitária.
Desenvolvimento: Os estudos levantados mostram de forma consistente que o consumo de alimentos ultraprocessados impacta negativamente os hábitos alimentares e a saúde da população, especialmente entre jovens e universitários. Martins e Faria (2018) observaram que a educação nutricional em grupos comunitários aumentou o consumo de frutas e hortaliças e reduziu ultraprocessados, evidenciando que intervenções direcionadas podem melhorar hábitos mesmo em contextos de risco para DCNTs. No contexto universitário, Sinigaglia (2024) identificou mudanças significativas nos padrões alimentares após o ingresso à universidade, com aumento do consumo de fast food e redução de alimentos saudáveis, associado a um aumento de peso, IMC e circunferência da cintura. Cruz et al. (2021) complementam essas evidências, apontando que sono insuficiente, sedentarismo, consumo de álcool e tabagismo se combinam à má alimentação, constituindo riscos adicionais para DCNTs, mostrando que hábitos inadequados interagem com outros comportamentos.
Estudos populacionais nacionais, como Louzada (2021), mostram que maior ingestão de ultraprocessados está relacionada a maior densidade energética e menor densidade de nutrientes, com aumento de açúcares e gorduras saturadas e redução de fibras, proteínas e micronutrientes essenciais. Louzada (2021) ainda reforça que o consumo de ultraprocessados está associado à obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, com efeitos inclusive sobre mortalidade por todas as causas. Os mecanismos incluem alta densidade energética, baixo potencial de saciedade, efeitos sobre a microbiota intestinal e exposição a aditivos químicos. Assim, mesmo entre estudantes da área da saúde, fatores ambientais, culturais e comportamentais favorecem escolhas alimentares inadequadas. A combinação de intervenções educacionais, análises populacionais e revisão da literatura evidencia a necessidade de estratégias integradas que promovam redução do consumo de ultraprocessados, educação nutricional e políticas públicas voltadas à prevenção de DCNTs (MARTINS; FARIA, 2018; SINIGAGLIA, 2024; CRUZ et al., 2021; LOUZADA, 2021).
Conclusão: Os estudos indicam que, mesmo em populações com maior conhecimento nutricional, fatores comportamentais, ambientais e culturais contribuem para escolhas inadequadas. Intervenções educativas, como as observadas por Martins e Faria (2018), mostram potencial para melhorar hábitos, enquanto dados populacionais e revisões reforçam a associação entre ultraprocessados e DCNTs, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Dessa forma, o presente trabalho apresenta a necessidade de estratégias integradas de educação nutricional e políticas públicas voltadas à promoção de alimentação saudável e prevenção de DCNTs em universitários.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2014. 158 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf. Acesso em: 30 jun. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Excesso de peso e obesidade. Brasília, 2021. Atualizado em 19 jun. 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/promocao-da-saude/excesso-de-peso-e-obesidade. Acesso em: 30 jun. 2025.
CRUZ, M. C. A. et al. Influência na qualidade de vida dos estudantes de Medicina relacionadas a má alimentação e sono. Research, Society and Development, [S. l.], v. 10, n. 2, p. 1–11, 14 fev. 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/12393. Acesso em: 30 jun. 2025.
LOUZADA, M. L. C et al. Impacto do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde de crianças, adolescentes e adultos: revisão de escopo. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 37, supl. 1, e00323020, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/57BygZjXKGrzqFTTSWPh8CC/. Acesso em: 1 jul. 2025.
MARTINS, P. F. A; FARIA, L. R. C.. Alimentos ultraprocessados: uma questão de saúde pública. Comunicação em Ciências da Saúde, Brasília, v. 29, supl. 1, p. 14–17, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/ccs_artigos/v29_supl_alimentos_ultraprocessados.pdf. Acesso em: 30 jun. 2025.
SINIGAGLIA, A. C.; SILVA, L. T.; ALVES, C. C. Adaptação ao ambiente universitário impacta o consumo alimentar e estado nutricional dos estudantes ingressantes. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo, v. 18, n. 113, p. 285–299, mar./abr. 2024. Disponível em: https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/2372/1432. Acesso em: 30 jun. 2025.