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| EFEITOS DA PRIVAÇÃO DO SONO NO SISTEMA IMUNE | |
| 1GABRIEL PONTES ARISI, 2VITOR CÉSAR FONSECA FEITOSA, 3NATALIA SILVA FURLAN, 4LUCIANO SERAPHIM GASQUES | |
| 1Acadêmico de Medicina da Unipar 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Dormir é muito mais do que descansar: trata-se de um processo ativo, que reorganiza funções do organismo e garante a estabilidade de vários sistemas, entre eles o imunológico. Estudos apontam que noites mal dormidas favorecem a produção de substâncias inflamatórias e reduzem a eficiência das defesas adaptativas, tornando o organismo mais vulnerável a infecções e prejudicando a eficácia de vacinas (Irwin, 2019; Prather; Leung, 2016). Explorar essa relação é fundamental para compreender como práticas cotidianas podem impactar a saúde de forma ampla. Objetivos: Analisar de que modo a privação de sono contribui para alterações inflamatórias, examinar os efeitos da perda de sono sobre a resposta imunológica adaptativa e discutir implicações clínicas que decorrem da redução ou fragmentação do sono. Desenvolvimento: O sono constitui um processo essencial para a homeostase fisiológica e imunológica, sendo a sua privação capaz de comprometer de forma significativa os mecanismos de defesa do organismo. Estudos demonstram que a restrição do sono ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela regulação do estresse e pela secreção de glicocorticóides. O aumento dos níveis de cortisol e corticosterona, decorrente dessa ativação, prejudica a imunidade ao inibir a proliferação de linfócitos e a produção de citocinas reguladoras, além de induzir apoptose em células imunes, resultando em imunossupressão (Palma et al, 2007). Ademais, observa-se alteração no equilíbrio entre respostas Th1 e Th2: enquanto células Th1 promovem imunidade celular contra vírus e bactérias intracelulares por meio da produção de IFN-γ, as Th2 estimulam a resposta humoral e a ativação de linfócitos B. O desbalanço entre esses perfis compromete a defesa do organismo e favorece processos inflamatórios crônicos ou reações alérgicas (Coimbra et al., 2022). Além disso, observa-se redução da atividade de células natural killer (responsáveis pela eliminação de células infectadas por vírus e neoplásicas), linfócitos T auxiliares (fundamentais na ativação de linfócitos B e na produção de anticorpos) e fagócitos (encarregados da fagocitose de patógenos e da modulação inflamatória). A privação do sono compromete esses mecanismos por alterar a secreção hormonal e a produção de citocinas reguladoras, prejudicando a coordenação entre imunidade inata e adaptativa (Santana et al., 2021). Paralelamente, ocorre aumento da liberação de mediadores pró-inflamatórios, como IL-1 e TNF-α, que intensificam processos inflamatórios sistêmicos, favorecendo o estresse oxidativo, além de estarem associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, metabólicas e autoimunes (Coimbra et al, 2022). A literatura aponta ainda para prejuízos na resposta vacinal e maior vulnerabilidade a infecções e doenças crônicas em indivíduos submetidos à insônia ou privação crônica de sono (Palma et al, 2007). Ressalta-se que a relação entre sono e imunidade é bidirecional: ao mesmo tempo em que o sono regula funções imunes inatas e adaptativas, a ativação imune também modula o ciclo sono-vigília. Dessa forma, compreender os mecanismos envolvidos nessa interação é fundamental para o desenvolvimento de estratégias preventivas e terapêuticas voltadas à promoção da saúde (Santana et al, 2021). Conclusão: A privação do sono compromete de forma significativa a regulação imunológica, favorecendo a imunossupressão e a inflamação crônica. Esse desequilíbrio aumenta a vulnerabilidade a infecções, reduz a eficácia vacinal e contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas. Assim, o sono adequado deve ser reconhecido como fator essencial na manutenção da saúde imunológica e na prevenção de agravos clínicos. |
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| Referências: COIMBRA, Carla Orrana et al. Repercussões da privação do sono no sistema imunológico: uma revisão integrativa de literatura. Research, Society and Development, v. 11, n. 7, e11011729795, 2022. COIMBRA, T. M. et al. Privação do sono e a suscetibilidade a infecções. Revista Fisioterapia em Movimento, v. 33, n. 1, p. 1-9, 2020. GARBARINO, S.; LANTERI, P.; DURANDO, P. et al. Sleep deprivation and immune system. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 18, n. 2, p. 1-12, 2021. IRWIN, M. R. Sleep and inflammation: partners in sickness and in health. Nature Reviews Immunology, v. 19, n. 11, p. 702-715, 2019. PALMA, Beatriz Duarte et al. Repercussões imunológicas dos distúrbios do sono: o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal como fator modulador. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 29, supl. 1, p. S33-S38, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/q53sS5JRg98khDqPcssKHdg/?lang=pt. Acesso em 25 set. 2025. PRATHER, A. A.; LEUNG, C. W. Association of insufficient sleep with respiratory infection among adults in the United States. JAMA Internal Medicine, v. 176, n. 6, p. 850-852, 2016. SANTANA, Thaís Pereira et al. Sono e imunidade: papel do sistema imune, distúrbios do sono e terapêuticas. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 7, n. 6, p. 55769-55784, jun. 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/30912. Acesso em 25 set. 2025 SHEARER, W. T. et al. Soluble TNF-α receptor 1 and IL-6 plasma levels in humans subjected to sleep loss. Brain, Behavior, and Immunity, v. 15, n. 6, p. 480-490, 2001. PORTO, C. C. Semiologia Médica. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. |
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