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| USO DA PELE DE TILÁPIA (OREOCHROMIS NILOTICUS) COMO CURATIVO BIOLÓGICO NO TRATAMENTO DE FERIDAS EM EQUINOS: REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1THAIS SECUNDINI DACANAL, 2GEOVANA CRISTINA SARTORI ANDRE, 3GABRIEL AUGUSTO RATTI DE SOUZA, 4MARIA DAMARIS RIBEIRO CAVALCANTE, 5GUILHERME DA SILVA ASSALIN , 6ANDRE GIAROLA BOSCARATO | |
| 1Acadêmica do Curso de Aprimoramento Em Medicina Veterinária - Clínica Médica, Cirúrgica e Reprodução de Grandes Animais da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Aprimoramento Em Medicina Veterinária - Clínica Médica, Cirúrgica e Reprodução de Grandes Animais da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 5Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Feridas traumáticas em equinos, principalmente localizadas nas extremidades distais, representam um desafio terapêutico devido à sua cicatrização lenta e às complicações associadas, como o tecido de granulação exuberante (TGE), resultado da resposta inflamatória prolongada e da vascularização desordenada (Silva et al., 2019; Ribeiro et al., 2024). Em muitos casos, a cicatrização por segunda intenção é inevitável, exigindo alternativas terapêuticas capazes de favorecer a reparação tecidual e reduzir complicações. Nesse contexto, a pele de tilápia (Oreochromis niloticus) tem se mostrado vantajosa como curativo biológico, por apresentar alta concentração de colágeno tipo I, propriedades bioativas e efeito positivo na organização da cicatrização (Hu et al., 2017; Pina e Rocha, 2021). Objetivo: Relatar o potencial terapêutico da pele de tilápia no tratamento de feridas em equinos, benefícios clínicos e aplicabilidade na medicina veterinária. Desenvolvimento: A pele de tilápia possui estrutura parecida com a pele de mamíferos e contém grande quantidade de colágeno tipo I, proteína importante para a cicatrização. Essa composição ajuda na formação da matriz extracelular, favorece o crescimento de novos vasos sanguíneos de forma equilibrada e contribui para um tecido cicatricial de melhor qualidade. (Hu et al., 2017; Ge et al., 2020). Além disso, a pele de tilápia mantém a ferida úmida e atua como barreira contra microrganismos, criando um ambiente favorável para a cicatrização da pele, diminuindo o risco de infecções e evitando o surgimento de tecido de granulação exuberante (Ibrahim et al., 2020). Em equinos, a resposta inflamatória é fraca, mas persistente, sendo mais intensa nas extremidades. Feridas nos membros tendem a desenvolver mais TGE. A baixa irrigação sanguínea causa hipóxia, prejudica a inflamação e estimula excesso de vasos e tecido fibroso via mediadores inflamatórios (Theoret et al., 2013). Estudos em equinos mostram resultados positivos, o uso da pele de tilápia diminui o tempo de recuperação, melhora a qualidade do tecido e reduz a ocorrência de TGE em comparação com curativos tradicionais (Silva et al., 2019; Costa et al., 2020). Além disso, menos trocas de curativo, reduzindo o estresse do animal, menor manipulação da ferida e reduz os custos do tratamento (Pina e Rocha, 2021; Ibrahim et al., 2020). A pele de tilápia também é economicamente viável. O Brasil é um grande produtor da espécie, garantindo disponibilidade e baixo custo. Métodos de processamento e esterilização mantêm a integridade do colágeno e garantem segurança do curativo, tornando seu uso prático e seguro na clínica veterinária (Ibrahim et al., 2020). O preparo da pele de tilápia envolve a retirada em abatedouros inspecionados, seguida de lavagem em água corrente para remoção de resíduos de sangue e tecido muscular, além da raspagem para eliminação de escamas e hipoderme. Após a higienização, a esterilização pode ser realizada por diferentes métodos, sendo a imersão em nanopartículas de prata por cinco minutos considerada a mais eficaz, pois promove esterilização completa sem comprometer a integridade do colágeno, enquanto o uso prolongado de clorexidina ou PVPI pode causar degradação da matriz (Ibrahim et al., 2020). Para conservação, a pele pode ser armazenada em glicerina a 98% em temperatura ambiente ou congelada a –20 °C, mantendo-se viável por meses e devendo ser reidratada em solução salina estéril imediatamente antes da aplicação (Ibrahim et al., 2020). Conclusão: O uso da pele de tilápia em feridas de equinos representa uma estratégia terapêutica eficaz, promovendo cicatrização mais rápida e com menor incidência de complicações, além de reduzir custos e facilitar o manejo clínico. |
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| Referências: COSTA, B. O.; LIMA, E. M. J.; FECHINE, F. V.; ALVES, A. P. N. N.; MELO, M. M. O.; RIBEIRO, W. L. C.; SIQUEIRA, J. P.; MORAES FILHO, M. O. Treatment of a traumatic equine wound using Nile tilapia (Oreochromis niloticus) skin as a xenograft. Acta Scientiae Veterinariae, v. 48, eCR506, 2020. GE, B.; WANG, H.; LI, J.; et al. Comprehensive assessment of Nile tilapia skin (Oreochromis niloticus) collagen hydrogels for wound dressings. Marine Drugs, v. 18, n. 4, p. 178, 2020. HU, Z.; YANG, P.; ZHOU, C.; LI, S.; HONG, P. Marine collagen peptides from the skin of Nile tilapia (Oreochromis niloticus): characterization and wound healing evaluation. Marine Drugs, v. 15, n. 4, p. 102, 2017. IBRAHIM, A.; SOLIMAN, M.; KOTB, S.; ALI, M. M. Evaluation of fish skin as a biological dressing for metacarpal wounds in donkeys. BMC Veterinary Research, v. 16, p. 472, 2020. IBRAHIM, A.; HASSAN, D.; KELANY, N.; SOLIMAN, M. Validation of three different sterilization methods of tilapia skin dressing: impact on microbiological enumeration and collagen content. Frontiers in Veterinary Science, v. 7, p. 597751, 2020. PINA, T. V. de V.; ROCHA, P. R. S. O que sabemos sobre o uso de pele de tilápia na cicatrização de feridas? Revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 4, p. 16280-16283, 2021. RIBEIRO, G.; CARVALHO, L.; BORGES, J.; PRAZERES, J. The best protocol to treat equine skin wounds by second intention healing: a scoping review of the literature. Animals, v. 14, n. 9, p. 1500, 2024. SILVA, S. C.; RÍSPOLI, V. F. P.; GRANER, C.; SÁ, L. R. M.; BELLI, C. B.; ZOPPA, A. L. V. Uso da pele de tilápia (Oreochromis niloticus) como curativo biológico oclusivo em feridas de equinos: nota prévia. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v. 56, n. 4, 2019. THEORET, C. L.; WILMINK, J. M. Aberrant wound healing in the horse: naturally occurring conditions reminiscent of those observed in man. Wound Repair and Regeneration, v. 21, n. 3, p. 365–371, 2013. DOI: 10.1111/wrr.12018 |
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