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| ANÁLISE DA PERFUSÃO HEPÁTICA EX VIVO: NORMOTERMIA VERSUS HIPÓXIA CONTROLADA E SEUS EFEITOS NA FUNÇÃO E ACEITABILIDADE DO ENXERTO | |
| 1JOAO GABRIEL FEITOSA DE OLIVEIRA, 2ISABELA MOTA ALVES, 3ANDRE FELIPE MORESCO RITT, 4GUILHERME PARIZE CAVALCANTE, 5MARIANA VITORIA GASPERIN | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O transplante hepático é a principal alternativa terapêutica para pacientes com doença hepática terminal, sendo sua eficácia dependente da disponibilidade de órgãos viáveis (Gao et al., 2021). Segundo o mesmo autor, a discrepância entre oferta e demanda por enxertos, aliada ao alto descarte de fígados marginalizados, de doadores com critérios expandidos, como idade avançada, morte circulatória ou soropositividade para hepatite C, compromete a efetividade dos transplantes. Nesse contexto, os avanços nas estratégias de preservação impulsionaram a adoção da perfusão hepática ex vivo em circuito fechado, ou machine perfusion, técnica que mantém o fígado fora do corpo, perfundido por soluções oxigenadas e nutritivas (Aufhauser., Foley., 2021.). À luz do mesmo autor, a perfusão mecânica simula o ambiente fisiológico, assegurando maior viabilidade funcional, avaliação metabólica objetiva e redução de lesões isquêmicas. Objetivo: Compilar comparativamente os efeitos da perfusão normotérmica (NMP – Normothermic Machine Perfusion) versus a hipóxia controlada na preservação hepática ex vivo em circuito fechado ou hipotérmica (HOPE e D-HOPE – Hypothermic Oxygenated Perfusion), com abordagem nos impactos na preservação de fígados marginalizados e contribuições para a melhoria dos desfechos clínicos no transplante hepático. Desenvolvimento: A perfusão hepática ex vivo, ao simular a circulação sanguínea fisiológica por meio da infusão contínua de soluções oxigenadas e nutritivas, permite não apenas a manutenção do fígado em condições metabólicas ideais, mas também a realização de intervenções terapêuticas e a avaliação objetiva da funcionalidade do órgão (Resch et al., 2020). À vista do que propõe o autor citado, dentre as abordagens existentes, a NMP se destaca por manter o órgão a 37 °C, com plena atividade metabólica, favorecendo o monitoramento em tempo real de parâmetros como produção biliar, equilíbrio ácido-base e função hepática global, além de permitir a aplicação de terapias farmacológicas durante o período de preservação. Estudos trazidos por Resch, et al., (2020), evidenciam que a NMP está associada à redução de 50% das taxas de descarte, à melhora da função inicial do enxerto e à menor incidência de complicações pós-operatórias, particularmente em doadores com maior risco, sendo considerada a técnica mais completa para o recondicionamento ativo do órgão. O mesmo autor complementa ao afirmar que, a técnica HOPE e D-HOPE, realizada a temperaturas reduzidas (~10–12 °C) com oxigenação ativa da solução perfusora, concentra-se na proteção mitocondrial e na redução do estresse oxidativo durante a reperfusão, atenuando a geração de espécies reativas de oxigênio e, consequentemente, diminuindo a ocorrência de lesões celulares inflamatórias. Ademais, a principal diferença entre ambas consiste no fato de que a HOPE realiza a perfusão exclusivamente pela veia porta, enquanto a D-HOPE incorpora a oxigenação adicional pela artéria hepática, o que potencialmente amplia a proteção do órgão, além disso, ambas permitem a preservação do enxerto por até 15 horas, viabilizando maior tempo de logística para o enxerto (Schlegel, et al., 2023). Nesse sentido, ensaios clínicos apontam que a perfusão hipotérmica reduz a incidência de complicações biliares e melhora a sobrevida do enxerto, especialmente em fígados provenientes de doadores em morte circulatória (DCD), sobretudo as estenoses não anastomóticas, em órgãos desses doadores, o que a torna uma estratégia eficiente em contextos nos quais a avaliação funcional detalhada é menos prioritária do que a mitigação do dano mitocondrial (Van rijn, et al., 2020). No Brasil, onde a maioria dos doadores apresenta idade superior a 50 anos e é portadora de múltiplas comorbidades, o uso da machine perfusion adquire relevância estratégica, uma vez que dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) indicam que cerca de 26% dos fígados são descartados por critérios subjetivos, o que poderia ser evitado por meio da avaliação objetiva viabilizada pela machine perfusion NMP. Conclusão: Diante do uso progressivamente mais frequente de fígados marginalizados, a perfusão hepática ex vivo em circuito fechado configura-se como um avanço tecnológico que redefine os paradigmas clássicos da preservação de enxertos. Nesse cenário, tanto a NMP quanto a HOPE apresentam vantagens clínicas relevantes e de natureza complementar, de modo que a primeira se destaca pela possibilidade de monitoramento funcional contínuo, avaliação de viabilidade e recondicionamento metabólico do órgão, ao passo que a segunda sobressai-se pela preservação da integridade mitocondrial e pela redução do estresse oxidativo em condições de metabolismo reduzido. À luz do contexto brasileiro, marcado por acentuada escassez de órgãos disponíveis e índices elevados de descarte, a adoção ampla e sistemática dessas tecnologias configura-se não apenas como uma alternativa promissora, mas como uma medida estratégica indispensável à ampliação da aceitabilidade, da segurança e da eficácia nos transplantes hepáticos com critérios expandidos. |
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| Referências: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS – ABTO. Registro Brasileiro de Transplantes. 2019. AUFHAUSER, David D.; FOLEY, David P. Beyond ice and the cooler: machine perfusion strategies in liver transplantation. Clinics in Liver Disease, v. 25, n. 1, p. 179-194, 2021. GAO, Junda et al. Research progress on hepatic machine perfusion. International Journal of Medical Sciences, v. 18, n. 9, p. 1953, 2021. RESCH, Thomas et al. Transplanting marginal organs in the era of modern machine perfusion and advanced organ monitoring. Frontiers in Immunology, v. 11, p. 631, 2020. SCHLEGEL, Andrea et al. Machine perfusion of the liver and bioengineering. Journal of hepatology, v. 78, n. 6, p. 1181-1198, 2023. VAN RIJN, Rianne et al. Hypothermic machine perfusion in liver transplantation—a randomized trial. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 15, p. 1391-1401, 2021. |
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